NINA LEMOS LANÇA LIVRO NO SPFW

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Uma das honras que tive no final do ano passado foi Nina me enviar as provas de seu livro “A Ditadura da Moda” para eu ler e depois conversarmos. Eu assumo que AMEI. Sim, ela é minha amiga, mas isso não me faz abandonar meu espírito crítico.
Aliás o livro tem uma sutileza crítica e um humor delicioso; é sobre uma editora de moda que começa a ouvir vozes!
Com a permissão da autora, publico aqui um trecho:
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” – O povo, na rua, derruba a ditadura.
Não sei por que escrevi isso no meu bloquinho. Era para ter anotado o de sempre: cartela de cores, modelagem bem feita, toque retrô. Mas não. Baixou um santo. Estou sentada na primeira fila com meus tênis All Star e meus óculos escuros, ideais para alguém que, como eu, chora muito. E dei para chorar agora mesmo, sem motivo aparente. Deve ser cansaço. Esse é o terceiro desfile do dia. Há uma semana não tenho tempo. A minha vida se resume a ver roupas passando. E são todas iguais. Depois eu vou lá e escrevo para a revista a lista do que as pessoas vão ter que usar, assim, como se fosse uma ordem. Não que eu acredite, mas sou um pouco viciada nisso aqui. Tenho alguns amigos, gosto quando me fotografam, gosto de correr e entrar quando a sala já está escura com uma assessora de imprensa me puxando pela mão. Dá um certo aconchego. É loucura, eu sei. Mas dá.
– O povo, na rua, derruba a ditadura
Ando pelos corredores do São Paulo Fashion Week com essa frase ainda na cabeça. Começo a ficar assustada. Porque isso agora, meu Deus? Essa é velha, dona Ludimila! A última vez que ouvi isso foi no comício das diretas. Eu tinha 12 anos e integrava a ala das crianças filhas de pais que morreram na ditadura. Mórbido, não? Mas fazia sentido e nem era tão triste assim. Entendam. O Tortura Nunca Mais era quase uma pracinha de diversão para a gente. Rolava até paquera. Eu ia, claro, todo mundo ia. A tia Dirce me levava toda semana e eu gostava, apesar de ser estranho. Assim como gosto de trabalhar em semanas de moda, apesar de ser estranho.
Não assaltei um banco usando salto alto como a tia Dirce, não morri do Dói Codi como o meu pai nem virei uma hippie doida como a minha mãe. Virei, bem, uma editora de moda que as assessoras de imprensa pegam pela mão no meio da sala escura e colocam sentada em um lugar com meu nome na primeira fila. E agora mesmo tenho que correr para outro desfile. Mas vou parar para fumar um cigarro antes só para chegar do jeito que eu gosto, com a sala bem escurinha e com a moça me puxando pela mão”.

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Quarta, lá na Bienal, às 20h, pra quem pensa sobre a moda e sobre a ditadura!!!

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8 Respostas para “NINA LEMOS LANÇA LIVRO NO SPFW

  1. Vitor,que bacana,adoro a Nina.Pronto,la vou eu arrumar mais um livro pra não ter mais onde guardar…mas,quer saber?dane-se. Nina é o maximo.
    Otima dica,big abç,querido.
    Stuart

  2. Moda, imagem e ação.

  3. vitorangelo, eu tenho uma camiseta escrita eu te amo!

  4. Adoro essa Nina, será que ela usará Herchcovitch no lançamento do livro?!

    ;0)

  5. Pingback: COMUNISTA-FASHIONISTA « dus*****infernus

  6. Aaaaahhh, vou perder! Só pude ficar lá no domingo e na segunda! Droga!
    Vi a Nina na sala de imprensa e fiquei toda feliz. Aí bateu a vergonha e não fui falar com ela, mas abafa.

  7. Estou procurando os contatos da Nina para uma entrevista. Se puderem me ajudar, agradeço.

    Malu Mota – jornalista

  8. Que bom foi te conhecer … beijos do Paolo.

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