O MANGUE BEAT – O ÚLTIMO INSTANTÂNEO DA INTELIGÊNCIA DA MPB (UM SMASH UP BENJAMINIANO)

O crítico pode instalar nas correntes espirituais uma espécie de usina geradora quando elas atingem um declive suficientemente íngreme. No caso do mangue beat, esse declive correponde à diferença de nível entre Pernambuco e São Paulo. O movimento que brotou em Recife no começo dos anos 1990, entre alguns intelectuais e músicos ou um mix dos dois (citemos de imediato os mais importantes: Renato L., Fred Zero Quatro, Chico Science), pode ter sido um estreito riacho, alimentado pelo calor tedioso do Brasil pós-tropicalista e pelos últimos regatos da decadência pernambucana. Mas os eruditos que ainda hoje são incapazes de determinar “as origens autênticas” do movimento e limitam-se a dizer que a respeitável opinião pública está sendo mais uma vez mistificada por uma clique de músicos, literatos, parecem-me um pouco com uma junta de técnicos que, depois de muito observarem uma fonte, chegam à convicção de que o córrego não poderá jamais impulsionar turbinas.
[…]
No centro desse mundo de coisas está o mais onírico dos seus objetos, a própria cidade do Recife. Mas só a revolta desvenda inteiramente o seu rosto de mangue boy (ruas desertas, em que a decisão é ditada por apitos e tiros).
[…]
Também a Recife do mangue beat é um “pequeno mundo”. Ou seja, no grande, no cosmos, as coisas têm o mesmo aspecto. Também ali existem encruzilhadas, nas quais sinais fantasmagóricos cintilam através do tráfico; também ali se inscrevem na ordem do dia inconcebíveis analogias e acontecimentos entrecruzados. É esse espaço que a lírica do mangue beat descreve.
[…]
Para compreender tais profecias (incrustradas nas letras das músicas) e avaliar estrategicamente as posições alcançadas pelo mangue beat, precisamos examinar o estilo de pensamento difundido na inteligência burguesa de esquerda, supostamente progressista. […] Do ponto de vista político e econômico, é preciso sempre contar, nesses autores, com o perigo da sabotagem.
[…] O mangue boy que leu, pensou e esperou e que se dedica à flânerie, pertence, do mesmo modo que o fumador de ópio, o sonhador e o ébrio, à galeria dos iluminados. E são iluminados mais profanos. […] “Mobilizar para a revolucão as energias da embriaguez”.

1681
Conheci o mangue beat e muitos de seus integrantes em seu tempo de formação, ainda no Recife, era 1993-94. Todos com muitas responsabilidades, afinal eles eram o projeto de revitalização da capital pernambucana. Chico Science tinha acabado de lançar seu primeiro álbum com grande repercussão nacional. Existia um orgulho que ainda permance na cidade que voltei mais de 14 anos depois.
O “movimento” acabou faz tempo e o melhor, ninguém vive das lamúrias de lembrar o que foi e o que deveria ter sido. Foi o canto do cisne da MPB, o último movimento que não só existia a questão da organicidade (como podemos ouvir no funk carioca, no axé e no brega) , mas algo programático, um plano de ações imaginadas. Nesse sentido tinha-se até um cotê fashion, o modo de se vestir dos mangue boys and girls. E também de maneira mais elaborada, a moda de estilistas que acompanharam o movimento que se estendeu além da música, indo parar também no cinema. No Sul maravilha vimos alguns insights de Eduardo Ferreira e Marcelo Taulbert e em Recife Beto Normal.
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Eduardo Ferreira
Mas sinceramente, era muito o peso de tantas responsabilidades, a maioria não cumprida, principalmente por muitos dos artistas deixarem a cidade e continuarem seus projetos longe daquilo que os alimentava. Nessa diáspora, perdeu muito mais os mangueiros que o Recife que trouxe uma geração agora muito mais antenada, relaxada e despreocupada com essas responsabilidades de recuperar algo que nunca se recuperará: a decadência!
Manguetown.
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A única permanência é que eles ainda andam em grupos, aos bandos. Contrariando Walter Benjamim que ao citar a iluminação da embriaguez concluiu: “para não falar da mais terrível de todas as drogas – nós mesmos – que tomamos quando estamos sós”. Essa solidão Recife ainda não ouviu!

6 Respostas para “O MANGUE BEAT – O ÚLTIMO INSTANTÂNEO DA INTELIGÊNCIA DA MPB (UM SMASH UP BENJAMINIANO)

  1. memorial chico science

    que texto massa victor! bjos, beto azoubel.

  2. o chico science nunca foi isntantanio quem foi isntantanio foi eu joão higino filho o verdadeiro criador e idealizador do mangue beat o chico só foi o divulgador do mangue beat nunca foi o cerébro do mangue beat infelizmente a midia omitil esse fato verdadeiro por motivo de erros da gradora sony músic que encobril a verdadeira história do mangue beat quem queira saber mais digite site = joão higino filho youtube = joao higino

  3. o chico science nunca foi isntantanio quem foi isntantanio foi eu joão higino filho o verdadeiro criador e idealizador do mangue beat o chico só foi o divulgador do mangue beat nunca foi o cerébro do mangue beat infelizmente a midia omitil esse fato verdadeiro por motivo de erros da gradora sony músic que encobril a verdadeira história do mangue beat

  4. Tinha uns 14 ou 15 anos de idade, qdo fiquei de frente ao palco no cais da alfandega onde tocava a nacao zumbi com o grande mestre chico. Fiquei sem entender o som, mas aos poucos através de uma fita cassete entendi direito as letras de da lama aos caos. Hoje, com 31 anos de idade ainda acompanho o som do meu pernambuco e faço parte de um afoxé de Olinda. Mas tenho orgulho de poder viver essa época e sacar de perto toda magia dos mangue boys. Trago as luzes dos postes nos olhos, rios e pontes no coração, pernambuco em baixo dos pés e minha mente na imensidão. Salvem todos os mentores do maguebit. Salvem Chico.

  5. Meu deus q texto horrivel..muito mal escrito.

  6. eu achei isto muito chato

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