OBRA EM PROGRESSO, A VELHICE

loeg-grey

Li na Folha que o baiano do Caetano Veloso estava liberando umas músicas lá no blog dele. Não sou dos que tem desprezo total pela ex-mulher de Paula Lavigne [que ele já declarou em defeja de Michael Jackson que a conheceu biblicamente aos 13, apesar de hoje falarem que foi aos 16] afinal ele deixou Luana Piovani [a eterna ninfeta que tem medo de envelhecer] com cara de tacho durante um tempo e isso na cultura das celebridades tupiniquim não tem preço.
Aliás fui bem fã dele no final dos anos 70 e começo dos 80. “Ele me deu um beijo na boca” foi uma música que na adolescência bem me ajudou na putaria… E confesso que mesmo quando não estou nada interessado, alguém vem e me avisa o que a/o filha/o da Dona Encanô está aprontando. Digamos que Caê foi minha primeira Amy Winehouse, minha primeira Britney, essa que invade sua casa sem pedir licença e isso é uma coisa de vanguarda baiana que a gente deve aprender e respeitar.
Bom, fui lá na curiosidade e também para ter um bom material pra me divertir xoxando nas rodas de amigos, já que fui uma voz dissonante que odiou o “Cê” como “disco” de rock. Caê, você foi mó rata comigo!
Até meu pai que é o rei do tango, do bolero e do quadradinho é mais roqueiro que vo Cê.
Então entrei naquele terreno de letras minúsculas e me senti muito velho, forçando a vista pra ler os textos. Mas no mesmo instante me veio uma iconoclastia tão deliciosa e tão juvenil que tomou conta de meu corpo e desisti de ler qualquer coisa pensando: Baiano! [baiano eu, baiano tu]
Olha, pra achar as músicas novas dele, tem a cafagestada de ter que navegar por aquele pântano do agreste. Insisti, graças a Deus, insisti… Eu insisti pois achei uma passagem maravilhosa que fala de Candé, aquele menino que é/foi namorado da jornalista Erika Palomino e/ou foi/é namorado da cantora Marina Lima, mas que a única certeza que temos é que ele é amigo da amada Camila Kfouri que sempre o defendeu bravamente frente à antipatia que seus barracos com a super Grace Lesada, com jornalistas, o povo da noite [amo esse termo povo da noite, é tão socialismo moreno] e outras pessoas sempre causaram por aqui. Afinal, São Paulo pode ser tudo [de ruim], mas diferentemente do Rio, isso aqui não é uma corte medieval que o fato de conhecer os reis sua segurança está toda garantida. São Paulo é uma reunião helvética de pequenos comerciantes de tudo, hype, pepinos, drogas, esfihas. São Paulo pode ser tudo [de ruim], mas é a terra da classe média inexistente na Cidade Maravilhosa [que pode ser maravilhosa por tudo menos por não ter classe média, essa que concorda, essa que discorda, mas só é massa quando em pesquisa]. Entendam que o tão almejado cosmopolitismo só existe hoje em lugares que a classe média é soberana. Nesse sentido, as cidades que incluiram o progresso no sentido de Augusto Comte (São Paulo) são mais velhas que as que ainda possuem relações aristocráticas (Rio de Janeiro) , e isso sim é um problema de classe.
Depois dessa elegia à classe média e essa explicação de quem é Candé [eu mesmo não o conheço, como bom paulistano só sei de seus barracos na cidade como um Madame Satã du hype, das defesas queridas de Camila e das mais deliciosas perversidades que esses assuntos são tocadas e xoxados por uma multidão que o carimbou como bárbaro assim como o gado do senso comum é carimbado].
Uma coisa boa da velhice é que você pode falar tudo sem muitas amarras!

Posto isso vem a escrita de Caetano:

Contei que conheci Portishead há uns dez anos através de um elenco fascinante que entrou na casa de Milton Nascimento, numa festa. Disse que não foi lá que, através de Marininha, Karola, Candé, Luísa e Natália, tomei contato com o grupo inglês. Foi quando, dias depois, liguei para um deles, que ouvi uma gravação fantástica na secretária eletrônica. Perguntando, me informaram que a banda se chamava Portishead. Bem, todos os envolvidos me dizem que escrevo tão mal que ficou parecendo que conheci Portishead ligando pro Milton Nascimento. Se pareceu isso, corrijo: foi ligando para Candé que ouvi Portishead pela primeira vez. Ele (e as meninas bonitas) adoravam esse grupo. Até apelidei Candé de Portishead, já que muitas vezes era a banda que atendia quando eu ligava para ele. E, além de me dizerem que escrevo mal, Candé chiou por ter passado de protagonista a mero figurante na história.

Que delícia é o vampirismo da velhice! Caetano pra se pretender jovem, roqueiro, antenado vampiriza o que pode [e digo isso sem a conotação negativa que isso possa parecer]. Sim, é um ato comum na velhice Dorian Gray que precisa estar na moda pra não se sentir ultrapassado, então devora o que acredita que é novo, tem essa necessidade tão século 20 de sempre procurar o novo… Hoje pra mim, nada mais velho. [essa é pra você Nucool]
Escrevo isso pois a exigência da juventude na moda e no mundo virou imperativo desde os anos 60. É preciso ser eternamente jovem por isso a conotação não é negativa quando digo que Caê vampiriza Candé e sua banda de jovens da Falsa Leblon. É uma necessidade de Caetano e de todos que envelhecem hoje dentro do sistema que vilanizou a velhice, mas não fez da mocidade algo bom, a tornou tirana.
Amo muito quando Nelson Rodrigues escreve dizendo que um jovem o chamou pra conversar e é claro que ele obedeceu, pois segundo ele não se desrespeita um jovem. Mas amo mais ainda quando ele diz: “Envelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais rápido possível.”
Acho estranho essa oposição entre jovem e velho. Ao colocar esses conceitos em confronto, rompe-se o caminho natural da vida, da delícia da vida, injeta-se desconforto no caminhar dessa trilha imprevisível. Acabamos nos atendo mais nas cores do começo do caminho com uma falsa atenção, agoniados por aquilo que virá: Essa grande aventura!
Feliz aniversário, Ricardo Oliveros!

giuliaborges600

A moda não é a precursora da tirania da juventude, é apenas o seu reflexo, mas nesse quadro de Dorian Gray ela apimenta o desejo pelo jovem, o que de nada está desassociado com a tão hoje combatida pedofilia.

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20 Respostas para “OBRA EM PROGRESSO, A VELHICE

  1. ai bi, amei o post.
    bom, a oposição puer e senex sempre existiu e tem que existir, necessária para o desenvolvimento do espírito humano. sem um pai para matar, como o filho pode exisitr e crescer? acontece que eu acho que está havendo uma confusão de papeis, o senex está se curvando ao puer e daí o puer não tem nem como se opor a um pai tão enfraquecido não é? e outra, acho que muitas vezes, a oposição velho e novo é interno, ou seja, dentro de nós mesmos. não queremos largar o nosso velho eu, aquele que era jovem um dia, daí entra o efeito caetano / nucool que acha que precisa estar no universo jovem, sei lá o que significa isso, para permanecer o velho eu, e não consegue abraçar o novo eu, com seu novo universo, nova idade, novo corpo. não é mais natural enxergar que esse eu que está mais velho na verdade é o novo, já que é o mais novo eu que já existiu? acho que fui meio confusa…. bjo…

  2. Bom, eu acho que tenho que agradecer né? Eu não entendi direito onde eu entro, se no Ce, se no Be, ou se no Qe…kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  3. Acho que tb tenho que agradecer, mas tb não entendi direito, talvez o texto que escrevi em setembro de 2007, seja mais claro e objetivo:
    TOCANDO A ZONA COM A MULEKADA:
    http://nucool.wordpress.com/2007/09/28/tocando-a-zona-com-a-mulekada/

  4. amigo eu nunca tinha pensado (sozinha) que no rio não tem classe média. vamos conversar?!?? 😉

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  8. incrivel a inflexao para a pedofilia. diz a lenda que os velhos hoje prorrogam a juventude cada vez mais. A moda tá prestando esse serviço também, por isso esta geração tá dando um bando de pais meio imprestáveis. quer coisa mais jeca que mãe e filha na balada, vó no orkut, vô no msn. putz!!

  9. nossa, vitor, não entendi um terço do que você escreveu, mas achei liiiinduuu!
    😉
    beijo

  10. Pingback: putaria » Blog Archive » OBRA EM PROGRESSO, A VELHICE

  11. Eu entendi e também achei lindo.

  12. gente, mas pera ai, se no rio nao tem classe média…. MEU DEUS EU SOU POBRE
    HEUAHEUAHEUHAEUHAUE
    por isso q eu vim pra sp entao? pra pegar 2 onibus, um trem e virar classe média? ehehe

    agora falando sério, Eu também vampirizei minha prima e captei Portishead… aliás, pensando bem, esse lance de vampirizar nao é so de velhice. homens costumam fazer isso. os meio burrinhos, mas metidos a inteligentes, por exemplo, costumam fazer isso com meninas muderninhas e depois usar como arma de sedução com as cabeças de vento! hehe

    beijos

  13. Isso me lembrou daquele tiozinho (pra não dizer vovô) que vive no Vegas. É bizarro.

  14. noffa! fez aquele cursinho de vazio artístico no parque lage e não me contou, é? vc tá ficando véia e cheia! tem de ficar vazia! tira esse pixo da pança! vem pro catwalk da peidofilia! não entendi nada e também não sei se o dorian gay era dândi, aristocrata, trava, baiano, povo da noite ou classe média-com-leite… depois me conta, tá?

  15. adorei o post, vitor!!
    vc foi gulosao e tomou todos os acidos no hells 1 e agora eles estao batendo oootemos!!
    hahahahha
    entendi tudo!
    hahahh
    adorei o post falando do vovozinho q fica levantado a camisetinha no palquinho do vegas pra mostrar a barriguinha!!
    hahhahaha
    mereço essa velha loka ne querendo ganhar a garotada mostrando a sex sexagenary belly hahhhah
    paiaçada!
    mas o mundo inteiro ta mais burro e jovem!
    o apelo jovem no mercado eh muito grande!
    🙂

    adorei

  16. vitinho VP,

    o caetano é mestre em name dropping. mas pra entender o caetano, tem que entender a Bahia. olha, quanto a paulinha, acho que tem gente que tem cancer e tem que gente que tem paulinha. que peste!

    o Rio é legal porque os anos 90 chegam em 2008. logo mais eles vão ouvir morcheba e drum n bass. DJ patife, sanduba de ovo e guarápluixs.

    pede pra candé ligar pra mim que eu apresento massive attack.

    falar nisso, tô fazendo um programa pra rádio da galeria, queria que você fosse um dos convidados. topas?

  17. tem mais: eu achava que caetano tinha morrido depois do ESTRANGEIRO, mas aquele de músicas gringas (apesar dos maneirismos vocais) é xou e o NOITES DO NORTE é absoluto.
    também achei Cê uma barbaridade. caetano fica querendo pagar de David Byrne mas não entende que o tempo dele é outro. fica andando com candé e depois vai sair falando que a última dupla de electro francesa é bombada, hype, arassa, bafo, vamo no glória. ABAIXO A RETÓRICA PALOMINO. FREE ISODORE DUCASSE. FREE WALLY. FREE CAETANO PRÉ-PAULINHA.

    mas vou me permitir um certo caetanismo: uma estava na casa de tenório, com matinas, jabor, lenora e wally e wally ficava repetindo pra vicente: veja só como deus é horroroso, não dá asa à cobra, mas à caetano deu!

  18. Ei!!! No é só no Rio não. Aqui na Paraíba tbm não tem classe média!!!! Adorei o post

  19. Pingback: putaria » Blog Archive » OBRA EM PROGRESSO, A VELHICE

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