VICKY CRISTINA BARCELONA OU TODAS AS MULHERES DO MUNDO

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Vicky
Um dos focos da moda feminina é sempre procurar entender a mulher e seus desejos e principalmente o que ela deseja e também deixá-la desejável, não no sentido sexual apenas, mas também para que seus desejos profissionais, amorosos e espirituais se realizem. Mas que mulher é essa que tanto se coloca no singular – como um arquétipo – que a moda tanto quer alcançar?
Mas o que isso tem a ver com o novo filme do Woody Allen, “Vicky Cristina Barcelona”?
O diretor consegue tripartir exatamente essa mulher – o seu arquétipo – em Vicky (Rebecca Hall), Cristina (Scarlett Johansson) e Maria Elena (Penélope Cruz). Essa cirurgia é bilhante pois estão aí todas as mulheres do mundo ou apenas , a mulher, assim como a socidade patriarcal a desenhou.
Vicky, a mulher que nega o desejo pelo bem estar social – a típica burguesa do século 19 – personagem dos romances realistas de Gustav Flaubert onde a traição a espreita o todo tempo, esse fruto proibido.
Cristina, a mulher que tenta se rebelar contra os dogmas – a típica burguesa pós anos 1960 – personagem dos filmes de Jean Luc Godard e Domingos de Oliveira onde a rebelião pode não lhe trazer a liberdade, mas com certeza a infelicidade.
Elas, Vicky e Cristina, são a mesma mulher, pois ambas procuram na relação amorosa, no homem, a sua felicidade. Colocam o amor e a paixão como ponto máximo de suas existências e para isso dependem do homem, do outro – no caso do filme de Woody Allen, o artista Juan Antonio (Javier Bardem). São Evas contemporâneas!
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Cristina
Aí temos Maria Elena, que não aparece no título do filme, mas tão essencial pra construção dessa imagem de mulher quanto as outras duas. Ela está oculta como Lilith, a mulher primordial e primeira mulher de Adão – “aquela que se recusava a ficar por baixo durante as relações sexuais”. Como Lilith, ela trata em pé de igualdade todas as questões (sexuais, artísticas, amorosas) com Juan Antonio. Ela parte, ela o deixa, mas antes de tudo não podemos nos esquecer que estamos no reino do patriarcado, não à toa, o filme é todo contado por um narrador homem, é ele que faz a versão da história. Exatamente por isso ela volta, se envolve com essas Evas modernas e seu Adão e como serpente – Lilith, em muitos textos religiosos é lida também como a serpente do paraíso – envenena para uns ou contextualiza para outros a verdadeira relação que todos ali estavam vivendo.
Talvez isso explique porque estilistas mulheres como Miuccia Prada, Consuelo Castiglioni e Rei Kawakubo criem peças tão desinteressantes para o olhar masculino mas que fascinam muitas mulheres. Essas Liliths da moda nos enviam mensagens sobre o desejo e o que fazer com ele a cada coleção assim como a mensagem obscura que Maria Elena nos deixa nesse belo filme de Woody Allen.
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Lilith

Dois excelentes textos sobre o filme são de Nucool e Tati Rodrigues, vale muto lê-los mesmo!
Ah! ainda tem o Ricko com uma outra visão do filme e a Casa de Narcisa que fez uma versão hillary do título.

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12 Respostas para “VICKY CRISTINA BARCELONA OU TODAS AS MULHERES DO MUNDO

  1. Tô “chutando o balde e preenchendo o formulário”, conforme me foi ordenado (rs).

    Vitor, pára. Adoro seu viés de interpretação, sobre tudo! Quase morri quando dividiu Vicky e Cristina em ‘Evas’ e Maria Elena em ‘Lilith’. Meu TCC de formatura foi um desfile inspirado nessas duas mulheres que residem em ‘todas as mulheres do mundo’, mas ao invés de Eva meu paralelo foi com Afrodite…

    Me sinto um pouco mais preenchida cada vez que leio um texto seu.

  2. olha, eu do clube da costura que sou beeem menos intelectual (rá!), quero que vc veja isso aqui tipo a-go-ra:
    http://casadanarcisa.wordpress.com/2008/11/24/vicky-cristina-marcelona/

  3. Adorei esse texto…interessantissimo a comparação q vc fez!!! Me apaixonei por esse filme!!!
    Bjs, Cereja em conserva

  4. dos arquétipos femininos ou o retorno da deusa.
    é como a música diz:
    i´m every woman
    por isso as mulheres são tão díficeis de entender.

    um beijo para ti.

    p.s: estive a ler os textos abaixo- percebi as ideias gerais, mas confesso que tenho certa dificuldade em perceber determinadas ironias devido às diferenças linguísticas.
    Como dizia o Scolari num anúncio:
    aeromoça é hospedeira,
    açougue é talho,
    trén é comboio,
    pingolim é matraquilho

    🙂
    da torta de palmito só ficou mesmo a vontade de comer!!!

  5. vou ter que imitar a Tati e dizer simplesmente “Vitor, pára!”
    Incrível, destrinchou todo o lance do filme… fiz minha interpretação tb, mas agora to mais com a sua! rs.

    by the way, prazer, vitor!!! rs

    bjs

  6. vitorrr, so nao me desiludo total por causa do dus infernus e farei DOIS bolos de chocolate ehuaheuhaeae

    no meio de tantas mulheres, to cansada e quero ter a vida da minha mãe ehuaheuhae
    bjs

  7. vitor, belo olhar , hein (como sempre). achei ótimo também no filme essa centralidade da felicidade no amor relacional.
    mas também ótimo os figurinos apagados, de linho, desgastados (um ar meio “gap” de ser) de vicky e cristina. A mulher é maior que a roupa (é isso?).
    Se sim, a incrível Maria Elena é toda voz , de camisola modernete, de vestido e cabelo espinafrado. A barcelona é apagada e a escolha de Gaudí pra inspirar é também tão feminina, curvilínea.
    (nós) As mulheres querem mesmo vestir-se e ser um pouco de cada uma.

    bjo!

  8. adorei o seu olhar sobre o filme, confesso que minha visão foi bem mais limitada, mas não tão distante… no final a gente encontra um pouco de nós em cada uma delas.

  9. Muito bom Vitor. Análise perfeita. Não sou grande fã de Woody, mas confesso que o filme é bom.

  10. ANGEL, dividir 1 em três, DEITA COMIGO tb já fez, a safada, a que queria casar e o casamento falido dos pais… esse Wood, reuniu um elenco pra agradar o planeta!
    Mas barra pesada mesmo é ser mocinha inteligente e descolada hj em dia, com todo o peso de ter que arrumar o marido “correto”, achar aquele” tal do amor” e ainda ser safada, amante, linda, desejada, profissionalmente expressiva… com o agravante que não se libertaram do peso imposto pela família patriarcal!

  11. ( ) todas as mulheres do mundo ( x ) a mulher, assim como a socidade patriarcal a desenhou

  12. ótimo texto

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