O TEMPO FECHOU NO CLARO RIO SUMMER

Se acreditamos que se uma semana de moda não necessariamente precisa trazer grandes novidades – papel que só as mais importantes devem realmente ter como foco principal – mas se trouxer, excelente! -, pelo menos que ela sirva para bons negócios, ou no mínimo para agitar o calendário de eventos culturais de uma cidade. Com muito esforço e boa vontade, talvez apenas o último ítem foi parcialmente alcançado pelo Claro Rio Summer.
Sobre o primeiro tópico, a inovação em moda ficou difícil porque nem moda eles apresentaram. O comentário geral era exatamente esse como bem escreveu Jorge Wakabara. Sobre o segundo ítem, os negócios, eles não aconteceram como bem relatou Milene Chaves. Sobre o terceiro e último ítem, considerando que festas nababescas podem ser consideradas eventos culturais, já que os desfiles de tão fechados estavam vazios, podemos dizer que talvez o CRS cumpriu o velho ditado: “Comeu mortadela e arrotou peru”.
Como um evento com os grandes nomes da moda-praia brasileira foi um verdadeiro fiasco? Acredito que eles perderam o foco com tanta champagne e esqueceram de tomar anti-ácido, enfim, mal começou e em todo fashionista com um mínimo de neurônio, o CRS se mostrou uma grande ressaca. Salvo algumas exceções como bem reportou Alcino Leite referindo-se à falta de foco.
Talvez a atenção dada ao evento foi feito “pela força da grana que ergue e destrói coisas belas” porque realmente, de fundo, ele se equivale a um Capital Fashion Week ou um Dragão do Mar Fashion, semanas de moda que ocorrem respectivamente em Brasília e Fortaleza. Mas trouxe os convidados internacionais e nós como verdadeiros tupiniquins nos curvamos a esse fato com algo realmente importante.
claro
Se moda é imagem, o mais lamentável do CRS não foi não apresentar moda, mas sim fazer um retrocesso da imagem do país pra inglês ver, confirmando a farseta para todos eles a ponto de todos estrangeiros declararem que era isso mesmo que esperavam do Brasil.
Samba, caipirinha e felicidade são elementos forjados na era getulista – década de 1930 – para nos dar uma identidade nacional, é um projeto altamente elaborado e ideologizado que as décadas seguintes tentaram ou combatê-las ou reatualizá-las.
Todo esse aparato da imagem e identidade nacional evoluiu muito desde então e mesmo na moda, até então insipiente no Brasil, teve seus movimentos que, ou contestaram essa imagem getulista como as coleções “de protesto” de Zuzu Angel ou a reatualizaram com novos elementos como a Forum na década de 90 e sua famosa procura da brasilidade no Cinema Novo e na arquitetura de Niemeyer.
Nesse pensamento que acredita que esse é o modo de vida do brasileiro, grandes estilistas estarão sempre de fora porque já transcenderam esse estágio, aliás como toda a sociedade brasileira. Não há espaço para a genialidade de Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço e Alexandre Herchcovitch no CRS por enquanto. Só há espaço para o ufanismo com bem espetou Carol Vasone. Brassssssssssiiiiiiiiillllllllllllll!
Por fim, refaço o pensamento de Sarah da Colette que comentou que é melhor apresentar clichês do que copiar a moda americana. Mas Sarah, o que você viu foi uma cópia do clichê!

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21 Respostas para “O TEMPO FECHOU NO CLARO RIO SUMMER

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  2. Avisa a Sarah que eu prefiro copiar a moda européia do que a moda americana. Sim, esse meu comentário tb foi clichê.

  3. O CSR foi uma festinha particular para os amigos do Nizan e cia. Achei um gasto de dinheiro absurdo e como minha vó dizia ” Gastaram vela com mal defunto”.
    Conteúdo relevante? Pra quê?! Nesse momento de crise, o que a gente mais precisa é disso né? Algo que faça a gente ” matar o tempo”. Festas pra revista Caras!
    Olha, como brasileira que mora no exterior , que trabalha com moda, senti pra ser bem sincera, vergonha disso tudo. Vergonha desse circo armado mas sem nada de apoio , nada de relevante pra moda brasileira, justamente em um momento onde o Brasil está com tanto destaque.
    Uma prova de que o dinheiro nem sempre resolve tudo. Infelizmente, o Nizan se mostrou um amador em Moda e Negocios, mas nota 10 em RP e exibicionismo.
    Uma pena mesmo.

  4. Na festa da Lenny e da Osklen, dava para ver quem era gringo e quem não era pelo copo. O meu era uma taça. Os de caipirinha, bom, você já sabe nas mãos de quem que eles estavam.

    Aliás, era caipiroska. Com Absolut.

  5. PARABÉNS PELO TEXTO!
    PERFEITO!

  6. o mais engraçado é que nem pra gringo o brasil (e no caso o rio), tá samba, suor e cerveja (ou caipirinha) porque ser gringo no rio anda BEM perigoso hehehe.
    achei bem sintomaticos os comentarios nos posts do sartorialist. uns louvavam o rio, etc etc etc; ou tros diziam q as pessoas iam pra praia mto sem estilo (como se praia fosse lugar pra ir montado…), outros reclamavam pq só tinha foto de pombo, cachorro, etc.
    enfim…

    brasil é colonia.
    bjs

  7. vitorangelo, óbrégada por me ler e óbrégada mais ainda por escrever coisas assim pra gente estar estando lendo.

    da fã,
    ivete sangalo

  8. Vitor…

    Achei o post sensacional, direto e realista, o clichê na moda brasileira é sempre mostrado nesses eventos pra gringo ver!
    Queria ver essa exclusividade e grana alta toda ser melhor mostrada nas passarelas e no evento tão glamuroso e vazio que foi, li muita coisa falando apenas da decoração, da paisagem, falando que as pessoas se vestem simples em um calor de quase 40º graus, muitas fotos e comentários dos convidados gringos, mas comentários sobre o que o evento trouxe foram poucos… esperamos que o ano que vem com Paulo Borges no comando fique menos no luxo e marca para ser realmente um evento que traga algo a mais na moda do Rio.

    PS: eu não vi nada significativo para moda praia masculina! pelo no que saiu para as pessoas que não foram…

    Fabio Allves
    http://allaboutt.wordpress.com

  9. Vitor,eu não sei se não entrei no “espírito” da coisa mas acho que esse CRS é um flóp-total. Outra coisa: alguém da inteligência-fashion nacional pode me explicar para que 2 semanas de moda numa mesma cidade ? ai,ai …
    Agora, fazendo o “maldito” mesmo…só se o Nizan estiver querendo botar a Eloysa pra correr e fazer do CRS a semana carioca oficial..ai ,sim….minha pérfida inteligência-fashion até consegue entender a criação desse “evento”. E diz que teve o maior bafão entre eles mesmo,né ?

    PS. adoro seus posts de “agitador” da cena fashion brazuca. hahahhaahha

    um gde. abraço,Vitor !

  10. Pingback: SPFW e Claro Rio Summer « nave de éter

  11. Amei seu texto!

  12. amigo, o texto (e a conversa também) foi essencial pra eu entender o evento, seu (não)fundamento e seu resultado – pelo menos esse de agora, a curto prazo. eu queria ter lido isso daqui – com ESSA curadoria de textos indicados, essencial pra complementar e avalizar a sua opinião (sempre tão lúcida! orgulho de ser sua amiga!) – antes de dizer qualquer coisa, pra qualquer um.

  13. Pingback: OFICINA DE ESTILO: MODA PRA VIDA REAL » Blog Archive » links de fim de semana: pra pensar (e crescer)

  14. Homenageia-se a Carmem Miranda no spfw, mas quem leva o esteriótipo brasileiro para fora é o CRS…

  15. Parabéns pelo texto. Concordo em tudo. Nada de novo aconteceu no CRS,

  16. Vitorangelo,
    Me dá um autografo?!!!
    Amei tudo que eu li… adoro críticas fundamentadas. PArabéns!!!

  17. Pingback: PENSE MODA: Identidade Brasil « FORA DE MODA

  18. Adorei a crítica. Acompanho os posts desde a moda para homens, mas nesse virei fã. Gosto e acompanho moda, mas eu gosto mesmo é das críticas que sacodem o marasmo.

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