O RECADO DE MICHELLE OBAMA

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Não existe nada mais conservador e delicioso do que analisar o guarda-roupa de uma primeira-dama. Assunto que sempre rende matérias, principalmente na época da posse e nos meses seguintes, elas logo são fadadas ao esquecimento. Poucas perduram e merecem a nossa atenção como Jackie O. ou Carla Bruni, ou aqui no Brasil, Teresa Goulart e seu estilo bossa-nova pré-ditadura militar. Sem falar da explosiva guerra fria de estilo entre Nancy Reagan e Raíssa Gorbachev.
Agora os olhos dos fashionistas miram para Michelle Obama. A revista “Vanity Fair” a elegeu a mulher mais bem vestida de 2008, antes mesmo dela tomar posse. Dona Michelle adora um bom corte clássico e prefere usar grifes desconhecidas, como uma verdadeira recessionista. As estilistas da futura primeira-dama até então eram as não muito conhecidas Maria Pinto e Donna Ricco.
Muitos “especialistas” não gostaram do vestido que apareceu na festa da vitória do marido e veio uma enxurrada de críticas. Um Narciso Rodriguez da última coleção de verão 2009 adaptado para o momento, isto é, o decote subiu e se arredondou em respeito ao novo cargo de Michelle. Mas o que a nova primeira-dama quis nos transmitir com esse vestido?
Lembrem-se da visão icônica de Cécilia Sarkozy de Prada na posse do seu então marido e atual presidente da França Nicolas Sarkozy. Suzy Menkes leu em seu traje que ali está claro um capítulo novo na velha guerra dos sexos na moda. Hoje podemos entender um pouco mais além, ela já naquele momento se declarava independente de todo aquele circo que Carla Bruni tão bem soube se inscrever. Cécilia e seu Prada pareciam dizer: “Sou livre”, tanto que o divórcio não tardou entre eles.
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Cécilia: livre e em desintonia com a família.
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Sintonia nas cores!
E Michelle, ao escolher os tons de preto e vermelho formava como um laço com os outros membros de sua família que também estavam no mesmo tom, simbolizando que de alguma maneira estavam interligados, unidos entre si, como o discurso de Barack logo mais pediria aos americanos: união nesse momento de crise. Me pergunto se a escolha de Narciso, um latino (e vencedor como os Obamas) e da mesma forma que os negros, discriminado pelos WASP não foi à toa?
NARCISO RODRIGUEZ
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modelo adaptado

E você que achou do vestido de Michelle Obama?

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6 Respostas para “O RECADO DE MICHELLE OBAMA

  1. ANGEL é tão gostosinho passar aqui e perceber que estamos na mesma vibe politizada!
    Como ninguém me explicou que fim levou o escandalo da DASLU e os Ferragamos de 10 dólares…
    Eu resolvi aderir e protestar contra a música minimal, é o must da temporada! Se junte ao Matias!!

    Cuz that music has no groove, has no balls
    No me hace pumpin pumpin pumpin
    Porque yo quiero bailar
    Con un ritmo mas nocturno
    Mas profundo mas sensual
    Basta ya de minimal
    Que es lo que bailo, otras movidas
    Mas adelante, you gonna get
    Porque yo quiero bailar, con un ritmo mas nocturno ,
    mas profundo, mas sensual
    Basta ya de minimal!”

  2. achei incrivel o vestido!
    a adaptação não incomoda
    e é fofo ver os 4 combinando, muito bom

  3. Olha, eu a Michelle Obama tão elegantérrima elevado à enésima potência que não me sinto em posição de questionar a escolha dela. Sério, que mulher chique!

  4. achei interessantíssimo você ter falado da harmonia de cores, não tinha reparado nisso quando a vi com esse vestido na tv (aliás, é por isso que eu gosto desse blog, ainda tenho tanto a aprender…). entretanto, não posso deixar de dizer que não gostei do vestido nela não, achei que a adaptação deixou o look pesado demais… talvez se as mangas fossem mais curtas o look ficaria mais leve, não sei… em outras aparições da sra. obama, ela sempre vestia algo que evocava sua originalidade, como os tailleurs com cortes mais inusitados, mas dessa vez, apesar da imagem forte que passa, pesou a mão.

    ah! achei legal também você ter falado da escolha do estilista!…

    abraços

  5. Ah tá! Só faltou explicar que além disso o vestido tb flerta com os 100 anos da imigração japonesa no Brasil com esta estampa a la Tomie!

  6. Pingback: .sensações, o ombro e a roda. « Retalhos

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