CHANEL: A REAFIRMAÇÃO DO MITO


Milhares de pessoas lotam o Grand Palais numa amanhã fria e chuvosa de sábado muito mais do que para assistir um mega-espetáculo, e sim legitimar mais um desfile da Chanel como um congraçamento de um estilo, aquele criado pro Gabrielle ou Coco e mantido até hoje por Lagerfeld.
O que faz a cada estação Chanel confirmar sua forte influência no mundo da moda diz muito a respeito do processo de como Karl Lagerfeld consegue atualizar o chamado imaginário Chanel com o próprio estilo e preferências do estilista alemão.
Explico melhor, para o verão 2009, Lagerfeld criou correntes que amarram casaquetes e/ou tops e depois caem até abaixo da cintura voltando a serem presas no cós dos vestidos e calças. Esse acessório do estilismo dá um certo ar streetwear e atual ao look tirando um certo glamour empoeirado da marca. Sem falar que lembra muito as correntes usadas pelos próprio estilista no seu dia-a-dia. E ao mesmo tempo nos fazem recordar as famosas correntes que formam as alças das clássicas bolsas da Chanel.
O preto – que nessa colecão vem acompanhado de rosa, lilás, off-white e branco – é a cor essencial do estilo de Coco Chanel assim como presença constante nos looks do kaiser da moda, também ganha lugar cativo na coleção seja nos vestidos longos com voil ou nos tailleurs.
E por falar nesse outro clássico tão trabalhado por Chanel nos anos 1950, Lagerfeld faz questão de afirmar que ele ainda vive porque elementos tão caros ao estilista como o rock ou os bikers são alquimicamente incorporados no tailleur.
Depois de todo esse processo, o estilista pode se sentir mais livre pra criar looks com florais de inspiração na mulher dos pampas, a gaúcha, assim como as elegantes mulheres de Buenos Aires de décadas passadas confirmando que a moda nessa temporada ou olha para a América do Norte na figura de Obama ou para a América do Sul, com os japoneses fazendo muitas referências ao Brasil e a Chanel a Argentina. Mas no fundo para aquelas milhares de pessoas presente ao desfile, graças ao trabalho impecável de mimetização de Karl Lagerfeld, a Chanel estava simplesmente sendo… Chanel!

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3 Respostas para “CHANEL: A REAFIRMAÇÃO DO MITO

  1. Vitor,adorei seu post. Falar de Chanel (com propriedade e know-how é para poucos,para a maioria é só papel-carbono nas grandes editoras de moda),à propósito, vc viu a entrevista da Ale Farah (no FF) com dona Constanza falando sobre esse desfile ?
    Se não viu,não perca!
    Abç,
    Stuart

  2. Eu me lembrei só que aqui não tem Chanel, nãotemchanelnãotemchanel. E que a Chanel é soberana, mana!

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