11 DE SETEMBRO, OS ANOS 80 NA MODA E NA MÚSICA E LAURIE ANDERSON

Um pouco do inglês que aprendi devo muito a Laurie Anderson que nos anos 80, com sua spoken music irradiava informações sobre uma arte experimental que vinha de Nova York e, apesar de irônica, exaltava de alguma forma sua “home of the brave”. Lembro-me perfeitamente de todos amigos fazendo cópias em fita cassete de sua ópera “U.S.A.” e depois todos com seu vinil p&b de “Big Science”. Era encantador ver como sua letras simples e ao mesmo tempo enigmáticas e tecnológicas expressavam tão bem aquele momento dos anos 80.

o esperma de uma baleia = ironia e imaginação

Lembro de ir ao Rio no Festival Internacional de Cinema que acontecia no hoje abandonado Hotel Nacional ver a estréia de seu filme “Home of the Brave” assim como no final dos 80 novamente voltar ao Rio com uma caravana de paulistas, para vê-la em um show no Canecão que estava dominado por aquela gente toda de preto, a maioria da Paulicéia. Laurie não era diferente, sempre de terninho, em geral preto – ou seu oposto: branco -, andrógina com seus cabelos curtos e espetados.
Mais do que os ombros estruturados, o power dressing, a calça bag, ou mesmo uma certa cor flúo da new wave, foi o preto o símbolo real de toda uma geração. Se você queria ser moderno, vestia preto, se queria ser chique, o preto era a cor ideal.
Muito se analisou sobre essa vontade de preto de toda uma década, alguns filósofos e especialistas falaram que era a guerra fria, outras que era um luto pela consciência das derrotas dos ideais ds anos 60 e 70, a AIDS, holocausto, o fim, enfim, o preto era o NOVO nos 1980.

ooooooo superman = preto nos 1980

No começo desse mês, Laurie Anderson voltou ao Brasil. Confesso que não tinha mais acompanhado sua carreira, a única e última vez que a acompanhei foi com uma amiga no Lincoln Center nos 90. Ela e Lou Reed estavam andando na calçada e a gente andou ao lado deles por alguns segundos fingindo que não éramos groupies.
Mas bateu uma saudade dos 80 quando soube que ela iria tocar por aqui muito maior do que as vontades dos 1980 que têm acontecido tanto nas passarelas do mundo e do Brasil e que foram incrivelmente acentuadas depois do 11 de setembro, ou se quiserem, os anos 80 voltaram à moda e parecem não querer sair mais desde o começo do milênio.

com o maridão Lou Reed e a arte perdida do diálogo

Seu novo show: Tudo parecia igual, ela não mudou muito o estilo de sua performance, – a música falada, o violino elétrico, a parafernália tecnológica e multimidiática – mas ao mesmo tempo tudo parecia NOVO e diferente. Algo tinha acontecido, ela não exaltava os Estados Unidos como todos nós fizemos nos anos 80, ela parecia desconfiada de seu tempo e nunca um show foi tão político – mas sem os ranços panfletários ou ideológicos que sempre estragam qualquer arte ou a enfraquece.
Havia desilusão, mas percepção crítica e principalmente ironia. Sua música nunca me pareceu tão atual, mesmo tão calcada nos anos 80 e me fez pensar que deve existir algo nessa década, verdadeiramente , que deve dizer muito a todos, os que viveram ou não aqueles tempos. Pois hoje nos sentimos irmanados por algo que existiu ou existe numa década que já se encerrou. E com certeza essa charada pode ser esclarecida se olharmos bem para o mundo pós-11 de setembro.

algo se perdeu

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7 Respostas para “11 DE SETEMBRO, OS ANOS 80 NA MODA E NA MÚSICA E LAURIE ANDERSON

  1. Hi. I’m not home right now. But if you want to leave a message, just start talking at the sound of the tone…haaaaaaaaaahaaaaaaaaaaaaa…

    perdi o show…

  2. vitinho,

    muito bom este seu texto-depoimento. concordo 110% com vc. mesmo pq, um pedaco destes enigmaticos anos 80 vivemos juntos, entre shows e bandas (0casional disgusting), incluindo o show do canecao (eu estava lah). e agora este do sesc pinheiros (eu estava lah tambem). nao foi simplesmente genial ela nao ter tocado absolutamente NADA dos anos 80 ou 90? nada mais anos 80 que isso!

    abs!

  3. Olá!

    Cheguei até aqui por indicação do Xinho e concordo, absolutamente, com seu texto sobre a Laurie. Para quem esteve no show “Homeland” aqui no Brasil e soube aproveitar, valeu a experiência de enxergar o mundo pelos olhos dessa grande artista! beijos

  4. Delicia de post, Vitor. Mto bom. Com a visão de fã que viveu a primeira fase. Adorei.

  5. Pingback: OS EXPERTS DE LAURIE ANDERSON « dus*****infernus

  6. Ainda bem que vimos essa senhora de 61 dar um baile de modernidade no Sesc.
    🙂

  7. ai que vontade de ter assistido isso. laurie anderson era muderna dofuturo, e o tempo passa e a gente ainda longe de alcançar ela! ahaza!

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