SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA E O NOVO HOMEM


Antes de mais nada quero deixar claro aqui que quando digo e legitimo um discurso autônomo do streetwear em relação à alfaiataria é porque penso que muitas das amarras da moda masculina passam por essa questão. Não é negar a alfaiataria, de maneira nenhuma, até porque minha crítica não passa por ela enquanto processo de fazer roupa e nem a desautoriza como uma grande contribuição do Ocidente para a vestimenta masculina, mas sim questiono hoje a sua idéia, sua lógica cartesiana. Penso nisso muito dentro de um mergulho da minha memória por um desfile memorável de Karlla Girotto para o verão 2007. A estilista já vinha discutindo o gênero assim como algumas coleções masculinas de Herchcovitch, mas dessa vez ela fez um tratado sobre a moda masculina e feminina.
A moulage faz a mulher flutuar, é pura poesia que enlaça o corpo, já a alfaiataria é mais pesada, medida, mais pé no chão. Será que o streetwear não poderia ser a moulage da moda masculina? Será que não chegou a hora dos homens encontrarem mais poesia em suas roupas?
Por fim, dando uma de Caetano Veloso, é importante ressaltar que a saída também pode estar na alfaiataria, tudo é possível, ou não…

Karlla Girotto, os opostos se atraem
Voltando a questão do gênero, o feminino parece querer sair do armário do homens. Veja uma grife tradicional como a YSL, por exemplo…

ser um homem feminino – YSL verão 2009

Faz algumas temporadas que a Prada tem investido em um homem mais feminino. Nessa temporada aqui e lá fora, esse homem parece dominar as passarelas. O que realmente desse homem pode chegar às ruas, já que os homens são muito conservadores na hora de vestir?

Prada verão 2009

Prada verão 2008

Prada verão 2007

A Miuccia [Prada] e o Raf Simons encabeçam uma lista de criadores que trabalham um laboratório de mudanças fundamentais no closet masculino. Mas, não são loucos a ponto de fazerem roupas que não vendam. A Miu Miu masculina – a mais criativa, segundo Colin Mc Dowell para meu blog – acabou, o foco lab agora é na Prada. Na Jil Sander, Simons está preso a contrato de vendas. Na sua signature line, pode fazer experimentos e leva-los para a grife Jil Sander.

Miu Miu verão 2007
Isso vem acontecendo desde os anos 2000, digamos, sendo generosos. Acredito que tais mudanças, tais laboratórios estejam conectados à procura da nova silhueta do terno executivo contemporâneo. Por um simples motivo: quem EMPLACAR a nova silhueta do terno do homem de negócios, do estadista, do clero sem batinas e e afins, e não apenas nos fashionistas e modernos, entra para o hall of fame da moda contemporânea, ou melhor, em letras garrafais, entra para a HISTÓRIA.
Vale lembrar que tudo começou em Versailles quando os alfaiates de Luiz 14, tiveram a idéia brilhante de fazer as 3 peças num mesmo tecido, estampa e cor, estava criado o terno de 3 peças: calça, paletó e colete, – daí terno. Depois, tudo foi adaptação.
Para encurtarmos a história, nos 60´s Pierre Cardin, criou o terninho curto e justo, sem lapela que foi devidamente copiado, renovado e usado pelos Beatles, via o seu empresário. Foi copiado por modernos e fãs do mundo inteiro. Acabou, saiu de moda. Já não me lembro quantas vezes fiz matéria no Ela [caderno do jornal O Globo], tendo como pauta, o novo terno.

Se você observar, tem no mínimo uns 10 criadores apostando na nova silhueta. Foi tema de pesquisa do WGSN [bureau de tendências] _ a nova alfaiataria. Fazer uns poucos fashionistas usar é simples. Nada fora do normal. Agora, convencer todos os homens de negócios do planeta usarem – de Nova York a Xangai _ ai são outros quinhentos. Quero estar vivo e bem esperto, velhinho, para ver … e adotar, of course, a novidade hehehe.

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14 Respostas para “SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA E O NOVO HOMEM

  1. Tava lendo na i-D de agosto uma matéria com o Stefano Pilati e super lembrei de você e dos seus posts. Ele fala exatamente isso, que está meio cansado da moda masculina pq ela meio que se esgotou nas suas possibilidades atuais, e por enquanto, as alternativas ainda não são bem aceitas pelo público e as vezes pela mídia também.

    Aliás, a edição inteira fala um pouco disso do masculino estar preso e querer sair do armário… Está bem interessante.

    Beijos!

  2. Que post bacana. Minha opinião é que o futuro está na mistura das duas coisas: alfaiataria + streetwear. Se vai fica bom ou não em cada um é onde entra a questão do estilo. Ou vc tem ou não tem. Ou lapida, que comprar eu acho que não dá não. O problema é que quem deveria começar a trabalhar a cabeça do homem para essas mudanças todas, os veículos de comunicação e os formadores de opinião, estão engessados em compromissos comerciais e pré-conceitos que não páram em pé. Aí fica difícil…
    Bjo. (Essa semana do Lula foi uma das melhores idéias que já se teve na blogosfera!)

  3. Mas é uma questão de tempo mesmo, que os próprios estilistas e a midía façam bem a lição de casa, ensinando o que será a nova vestimenta masculina, aliás, que seja bem vinda as novas modelagens e padrões masculinos. Use quem quiser!

    ÓTIMO POST.
    Abraços!

    Bjs!

  4. Super concordo com o Sylvain (como sempre, aliás…) quando ele fala que os formadores de opinião estão engessados… mas também acho que é mesmo uma questão de tempo, como sempre são todas as mudanças em nossa sociedade, né? De vez em quando, surge uma iniciativa ou outra em veículo de comunicação de massa, como uma matéria no Fantástico há algum tempo atrás que apresentava bolsas, shorts e regatas super decotadas para os meninos… Aos poucos, o grande público vai acostumando o olhar com essas movidades… não está sendo assim com as calças de cintura alta para as meninas? Elas já estão aí há algum tempo e mesmo assim a aceitação tem sido lenta…

    Com passos de formiga e COM vontade, nós conseguiremos mudar a caretice do homem atual…

  5. sincermente, os modelitos Prada são muito feios, os caras parecem patos desengonsados

  6. aproveitando o ótimo momento do blog em moda masculina:

    olhando fotos dos desfiles da Prada, vi umas camisetinhas e tricôs (acho) que eram mais curtinhos que o normal… isso me fez lembrar do inverno passado em que algumas grifes vieram com uma proposta de cintura marcada (mas não ajustada) para os homens bem abaixo do peitoral, como se fosse uma linha império… a marc by marc jacobs é a única que me vem à cabeça agora, mostrando cardigã e camisa bicolores com a divisão justamente nessa linha (procure nas fotos do style.com). isso poderia ser considerado como uma tentavia de mudar a silhueta masculina?

    Abraços

  7. Acredito no tempo…quantos coisas apostávamos que ficariam apenas nas passarelas e foram pras ruas?

    Sobre a indicação nem precisa agradecer você merece sempre…adoro muito tudo o que leio aqui…

    Bjos

    Paula Baião
    http://www.contextofashion.blogspot.com

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  9. Acho que a tendência mais feminina para os homens deve influenciar apenas fashionistas mesmo, porque o homem cotidiano que Lula cita dificilmente usaria uma bolsa de mão ou modelagem feminina, torcemos que com o tempo a liberdade na modelagem, e nas escolhas sejam maiores para moda masculina, descobrindo assim novas formas de se vestir sem preconceito cultural.

  10. Pingback: A elegância retrô do verão menergy de Ricardo Almeida « FORA DE MODA

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  12. fora que as meninas, que também usam terninho, ainda têm acessórios e cores pra individualizar seu look-alfaiataria, né?

  13. Pingback: » Blog Archive » Onde você comprou tinha pra macho?

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