SPFW – VERDE QUE TE QUERO VERDE

Segundo Jean Chevalier, autor do famoso “Dicionário de Símbolos”, a cor verde “é capaz de tudo atravessar, é portador tanto de morte quanto de vida. Pois, e é aqui que a valorização do símbolo se inverte, ao verde dos brotos primaveris opõe-se o verde do mofo, da putrefação — existe um verde de morte, assim como um de vida. O verde da pele do enfermo opõe-se ao verde da maçã e embora as rãs e as lagartas verdes sejam divertidas e simpáticas o crocodilo, escancarando a goela verde, é uma visão de pesadelo, portas dos infernos abrindo-se no horizonte para aspirar a luz e a vida. O verde possui uma força maléfica, noturna, como todo símbolo feminino. A linguagem o demonstra — podemos ficar verdes de medo ou verdes de frio. A esmeralda, que é a pedra papal, é também a de Lúcifer antes de sua queda.”

Pensando na cromoterapia: “O verde é considerado uma cor fria, porém muitos estudiosos o consideram como uma cor de transição entre as cores quentes e frias. Por ocupar essa posição de transição, o verde é tido como uma cor de harmonia e equilíbrio. Exige menos esforço dos músculos para a sua focalização e por essa razão, é mais relaxante, diminui a ansiedade, refresca e restaura”.

Depois do choque de realidade da coleção de inverno em pleno rio Tietê completamente poluído, a Cavalera nos leva para o universo lúdico do circo, do show de variedades, da representação. Eis aqui sua ambivalência (externo/interno, realidade/ficção).

Sua transitoriedade fica por conta de passar do símbolo (Tietê) para o signo (verde – leia-se ecologia).

Isso explicita o porque a cor foi unânime durante toda a coleção e não nos causou monotonia e sim um certo entusiasmo. Isso é pensar moda!

Quanto ao estilo, a ambivalência das casacas (ora mais requintadas – nobreza, ora mais humoradas – circo) e a transitoriedade do seu streetwear (passando de peças mais bem acabadas – o streetwear de luxo – para voltar a sua raiz, uma mesma realidade só que agora vista de forma muito mais madura, único lugar que não caberia o verde -desculpem o trocadilho), a marca prova que pode continuar um pensamento de moda sem cair na obviedade, só os mais verdes não perceberam.

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2 Respostas para “SPFW – VERDE QUE TE QUERO VERDE

  1. geeente, que cabeça. vou ali estudar e já volto!

  2. parabéns! isso sim é jornalismo investigativo e consciente. adoramos, eu e o sommer! love u!

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