CASA DE CRIADORES: PROBLEMAS DE NARRATIVA

Tive uma reacão bipolar quando li os depoimentos de André Hidalgo, o criador da Casa dos Criadores, sobre uma nova fase de sua semana de moda que irá ter uma visão mais comercial. Achei interessante ter essa proposta de pensar no produto e na sua comercialização já em desfiles de gente que ainda não tem uma estrutura de vendas muito forte. Em compensação também achei estranho um evento de jovens estilistas já ficar tão mercantilizado, afinal o que se espera de novos criadores é ousadia experimentalismo e novidades. E digamos que uma visão comercial disso pode num primeiro momento podar toda essa energia.
Demorei pra escrever algo sobre a Casa de Criadores, que é um evento que tenho muito carinho, pois fiquei muito decepcionado nessa edição diferentemente da maioria dos fashionistas que salientaram uma certa profissionalização. Não consigo ver essa tal profissionalização por um quesito básico. Muitos estilistas que apresentaram coleções nessa edição erram no be-a-bá. Com raras exceções como as Gêmeas, João Pimenta e Walério Araújo, muitas marcas não conseguiram narrar seus temas e desejos, ficou tudi cofusi!
Mesmo se a proposta é não narrar, a não narração é uma forma de narrativa então tem que ser pensado com muito cuidado a edição de um desfile. Looks desnecessários era o de menos, mas quase nenhuma história se fechava visualmente, bastava ficar atento na fila final das modelos pra perceber de cara o que digo. Quando não se consegue narrar fica quase impossível construir uma imagem, a função maior de um desfile, então muitas vezes parecia que se via extratos de filmes ou colagens dadaístas sem a atitude do movimento.
Prefiro não citar nomes nem colocar imagens, por uma delicadeza às pessoas que estão começando e tem todo o direito de errar, mas espero que esse grande lapso seja corrigido na próxima edição.

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16 Respostas para “CASA DE CRIADORES: PROBLEMAS DE NARRATIVA

  1. É verdae, agora que vc falou isso que me dei conta. Na entrada final tentava achar alguma coesão/sentido nas coleções, mas quase nunca conseguia… Achava que o problema era meu olhar, mas pelo visto não era isso, ou só isso! rs

  2. Casa das Criaturas, you meant.

  3. então. a melhor parte de ter amigos inteligentes é ter essas ulas na vida real, tipo loooogo depois de cada desfile. sou grata a vc, vitor angelo, por me tirar do fundo negro da sociedade das fashionistas mortas. e te adoro infinitamente, vc sabe.

  4. Querido,
    Entendi essa sua impressão. Talvez ela venha da dramática palavra “lei”, publicada pelo Chic. Na verdade, eu disse que não faz sentido lançarmos um jovem talento que, por mais experimental, ousado e criativo que seja em seu trabalho, não tenha um ponto-de-venda sequer. Lançar uma coleçao e só reaparecer 6 meses depois (assim, como se nada tivesse acontecido nesse meio tempo…) nos parece injusto com as centenas de outros talentos que adorariam estar no lugar daquele estilista. Mas claro que a gente gosta, estimula e procura por jovens talentos que tenham algo novo a dizer. O dia em que a Casa de Criadores deixar de ser assim, eu com certeza não estarei mais por lá. Portanto, muito legal e importante o seu papel: o de me avisar hein! rs!

  5. casa de criadores? tipo liga da justiça?

  6. Gosto quando vc escreve alguma coisa inteligível.

    Porque na maioria das vezes é pensamento fraco de domingo, segunda, terça…

  7. Juliana Carqueijo

    Pois é, Vitor.

    É assim que o incentivo artístico se transforma em incentivo financeiro para o próprio projeto…

    Concordo com TUDO que vc disse mas também existe um outro lado.

    Sei lá. De repente isso barre um pouco da diversidade, é verdade. E deixe o negócio mais “sério”, barrando o processo artístico e criativo. Vejo a Casa de Criadores como um grande “brainstorm” e tornar a venda a “única lei” é terminar com essa energia! Mas é sim, um meio de “movimentar” e descobrir talentos que não precisam ter os contatos certos, frequentar TODAS as festas badaladas e estar sempre parecendo um POKEMON em todos os lugares…

    O que mais me incomoda no mundo da moda são os tais “DRAG-FÉXIONS”. Me irrita a moçada jovem, geralmente estudante de moda, que aparece montada e brinca de se fantasiar achando que está fazendo moda, Vi!!! Os tais “mudernetsss”. Às vezes a brincadeira dá certo. As vezes só enchem o saco de quem quer fazer um trabalho bacana sem serem taxados de forma estereotipada. E é por isso que muitas pessoas chamam o projeto de “CASA DAS CRIATURAS”, como já ouvi por diversas vezes (e como até está em um outro comentário aqui encima).

    Talvez seria bacana se lançassem um SEGUNDO projeto com esse perfil “mais comercial”. E Deixassem a Casa de Criadores como sempre foi. E daí cabe ao projeto, independentemente da venda, selecionar o povo que tem talento do que quer a própria “glamourização”.

  8. Quando eu critiquei os desfiles (e não tirei os posts do ar, pq o blog é meu e é de opiniões, não de notícias!) me vi cercado de comentários maldosos de uns leitores que parecem não ter entendido a minha cobrança. Não sabia que minha verdade ía machucar tanto…

    Por isso mesmo vou fazer o que o Oliveros sugeriu: comentar só aquilo que me agrada!

    Uma pena ter que ser assim!

  9. vitorangelo,

    achei especialmente comovemente aquela ciranda de geladeiras. um a raso – pra usar o vernáculo preciso.

    fala das geladeiras, fala delas porque quando você fala, deus te olha e te vê.

  10. Oiê. Também tenho mto carinho pela Casa e pelo André. Eu também sou das que vê os dois lados. Concordo que a Casa deva ser um espaço mais experimental, mas também acho que os participantes têm que ter vontade de montar uma carreira, de verdade, e isso envolve, óbvio, o lado comercial, os contatos com pontos de venda, começar a entender o seu consumidor, descobrir para quem você desenha de fato, criar novas maneiras de divulgar o seu produto, etc. Só acho que este evento deveria ter 6 nomes no máximo. Seis bons nomes, promissores e com futuro. Porque algumas marcas parecem que estão lá de brincadeira, tamanha viagem é a coleção. Quantidade não equivale a qualidade.

  11. Confesso que fiquei sem reação quando li essa noticia. A final de contas, os novos estilistas não são aqueles que devem ousar mais, apresentar o seu trabalho criativo sem ficar preso ao que é ou não comercial? (Obviamente sem deixá-lo de lado.)
    O que me desilude é a forma como o evento é apresentado para a mídia, e o que ele realmente é. Não me parece “justo”,levando em conta a proposta do evento, apresentar um trabalho de experimentação, junto a outros profissionais que já fazem parte do mercado, ou que ainda dispõe de uma estrutura mais madura a fim de confeccionar suas peças.
    Não podemos esquecer de que o evento deve estimular as peculiaridades de cada estilista, apoiando-os neste início de carreira, a experimentar novas formas, tecidos, materiais, etc…
    Fazendo parte do grupo que ainda está testando sua boa formula, sinto-me mal interpretado, pois o evento, ao mesclar profissionais em fases diversas, rouba o foco de sua existência, alem de confundir a mídia, que ao invés de prestar atenção às inovações e novas empreitadas da moda, se prende a conceitos dúbios e muito particulares.
    Como não deve ser de conhecimento de todos, apresento abaixo minha situação:
    A idéia central da A.nimal S.treet. H. é transmitir os pensamentos e visão de mundo de seus artistas, através de telas, gravuras, stickers, brinquedos, cerâmicas, móveis, luminárias e também de roupas, a fim de democratizar a sua arte.
    Uma expressão artística não existe quando refém de conceitos já estabelecidos, ela existe graças à ausência de regras, que permitem ao artista criar livremente.
    Por estar focada na arte, política e meio ambiente a A.nimal S.treet não trabalha com inspirações, temas, cartela de cores, ou até mesmo com uma coerência e ligação entre seus looks. A A.S.H. é uma expressão fiel das sensações, revoltas, admirações e crenças de seus artistas.
    Quero ter a liberdade de apresentar qualquer coisa à minha maneira. Ser compreendido por isso ao invés de induzido a continuar no “lugar comum”, a me prostituir pela moda.
    Acredito que dessa forma estaremos contribuindo com a sua evolução, quando as roupas de fato falarão por você.
    Não faço parte dos que admiram coleções pseudo-inspiradas no Peru por exemplo. Reproduzir padronagens, estampas e cores, a meu ver, não proporcionam credibilidade ao seu “criador” e muito menos felicidade.
    Quero que os compradores se identifiquem com a mensagem, com a visão de mundo, com o estilo próprio…muito mais um life style do que uma coleção comercial.
    Uma coleção comercial cheia de produtos adaptados para vender, com uma cartela de cor presa ao tema…pode trazer dinheiro, mas estou mesmo à procura da felicidade.

    guil

  12. Oi Vitor, passou algum tempo desde a casa de criadores, a próxima edição já está por aí, mas só vi/li, sobre seu ponto de vista hj, e achei interessante, porém, concordo tb com o André…sou estilista, novo, assim como vários, mas nunca pensei em participar da casa de criadores, pq? todo mundo me pergunta…pq é experimental demais, e moda experimental só se faz quando não se visa lucros…Por isso nunca cogitei a possibilidade de mandar meu projeto para a CC. POrém, acho tb que o dever da direção do evento, de agora em diante é pesar o nível dos concorrentes, é possível sim vc mostrar idéias e conceitos inimagináveis e experimentalismo, em apresentações, looks e execuções bem planejadas e acabadas, focando um cliente real, não um personagem que vc cria para criar sua coleção….mas gosto de ver que existem pessoas como vc, que sonham com um mundo de liberdade criativa total…mas entre a moda e o bussines existe uma linha tênue, e sempre existirá…Abraços

  13. André, tenho me apaixonado pelas tuas iniciativas no mundo da moda, gostaria de estar te apresentando um amigo super stile, sucesso na certa. As loucuras que faziámos na época do Campesina, era pura arte, isso porque no teatro você arrasa!!! Beijos Patricia Bastos

  14. Um luxo!!! faço designer, estou com mil idéias e na última hora travo, não me dando a liberdade da criação, gostaria de contatos com a casa de criadores, mais precisamente com o André, poso???

  15. Pingback: A MODA E O MARKETING DE MODA « dus*****infernus

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