MAMÃE FAZ 100 ANOS (OSCAR NIEMEYER)

Esse final de semana foi geriátrico, só se falou nele (e no Ryan Grace também), mas ele, nossa mamãe faz 100 anos, Oscar Niemeyer!

Tenho que assumir que já compartilhei de discursos contra o arquiteto, como “Brasília são só escritórios” ou “o Memorial da América Latina é seco”! Mas são só discursos.

Lembro que fui conhecer a capital federal já com mais de 20 anos e todo cheio de preconceito. Eu e outros alunos da ECA fomos selecionados para o Festival de Cinema de Brasília e como não tinha passagem e hospedagem pra todo mundo dividimos assim, os que ganharam hospedagem pagaram a viagem de ônibus e os que ficaram na casa de amigos ou parentes foram de avião pelo Festival.

Fui de ônibus com minha grande amiga Ana Cabeças. Lembro que era umas 9 da manhã quando o ônibus entra na cidade. Eu e Ana ficamos espantados, parecia o antigo Egito, monumental, belo, avassalador. A partir daí não tinha discurso certo. Oscar NinguémMalha tinha entrado no meu coração. Desse momento em diante foi como se eu entendesse ‘o monumento no planalto central do país”.

niemeyer_catedral.jpg 

O impacto emocional surgiu na Catedral, eu ainda comunista de fim de carreira, pensei como um ateu podia fazer um ato de fé tão transcendente como aquela construção onde os anjos sustentam todo o alicerce.

Enfim, minha admiração por Oscar vai além das obras, mas como seu signo invadiu tantos pensamentos e artes no Brasil.

No cinema além dos filmes do Cinema Novo feitos pelo susto de Brasília e o “Idade da Terra” que no delírio glauberiano se transforma numa cidade futurista e ao mesmo tempo no centro das civilizações da Antiguidade. Mas Oscar tem uma participação espetacular em “Conterrâneos Velhos de Guerra” de Vladimir Carvalho. Ele diz atrocidades e incoerências sobre um massacre que houve na época da construção da capital federal. Pede pra desligar a câmera, mas o som continua ligado e a cena é um impacto para quem assiste, pois todo o sectarismo, e ele é comunista histórico, tem uma razão que a lucidez não aprova. Mas dentro da linguagem do cinema, vivemos um grande momento e uma experiência que só Oscar nos faz passar ao assistir a esse filme.

conter.jpgconter.jpgconter.jpgconter.jpgconter.jpg 

Na moda, ele vive sendo referência. Mas o grande momento é quando em um ato Vera Cruz, a poderosa marca Forum nos anos 90 resolve olhar para o Brasil e lançar as hoje históricas coleções inspiradas na cultura nacional, como o cinema e a arquitetura e claro Oscar estava presente. Tinha meias com os desenhos dele, eu bem me lembro. Foi uma reviravolta na época. Vale lembrar que a marca voltou ao tema Niemeyer recentemente, na coleção de inverno 2007, mas na minha opinião sem muito sucesso.

forum-inverno-2007.jpg

Forum inverno 2007

Enfim, a mamãe está sempre presente, guiando e ajudando seus filhos. Parabéns pelo centenário!

Anúncios

5 Respostas para “MAMÃE FAZ 100 ANOS (OSCAR NIEMEYER)

  1. O post já é mto bom pelo começo: “Esse final de semana foi geriátrico, só se falou nele (e no Ryan Grace também)”. Geeeentem!

  2. e não é uma loucura que o brasil tem 500 anos e o niemeyer tem 100? a gente é mto bebê, mesmo…

  3. adorei o comunista de fim de carreira.

  4. RECORD NEWS E O E.T. DE VARGINHA

    Jair Alves – dramaturgo e escritor

    Desde setembro último o Brasil conta com uma emissora de televisão inteiramente direcionada a difundir notícia e informação, gratuita e sem grandes preocupações com a veiculação de comerciais. Ao menos é o que parece. Apesar da peça publicitária elaborada pela sua direção divulgando o seu conteúdo, é possível que os objetivos não sejam exatamente o que está anunciado, mas nem é importante e sim o efeito ET de Varginha que tal evento vem provocando. A estranheza é tanta que, com toda certeza, nem mesmo alguns profissionais de ponta da emissora têm uma dimensão exata do que a criação da Record News vem representar para o jornalismo atual (isso, nós veremos mais à frente). Na última edição do mês de um de seus programas – Entrevista Record, o âncora e jornalista Celso Freitas, reuniu três profissionais para falar sobre os bastidores da notícia. Ele apresenta este programa, semanalmente, sempre às quintas feiras. Dessa vez, os convidados foram o cineasta-documentarista, Vladimir Carvalho; o jornalista investigativo (assim ele é conhecido) e professor da USP, Cláudio Tognolli; e o apresentador da emissora, Eduardo Ribeiro. Não foi o melhor programa da série, dentre os melhores destacamos àquele feito com Arnaldo Duran, sobre sua premiada reportagem, falando dos garimpos clandestinos. Porém, esta última edição do ano transformou-se numa peça emblemática dos tempos atuais e do que vem ocorrendo com essa Salada Corintiana (*), por nome Imprensa Brasileira.

    Começando com Vladimir Carvalho(*), sem dúvida o único prejudicado uma vez que seu documentário sobre José Lins do Rego acabou não tendo nenhuma repercussão. Tributamos esta falha à parafernália que se transformou os meios de comunicação. Em outros tempos, seria tema de grande discussão. Já Tognolli escancarou o abismo existente entre o que se faz e o que se fala no mundo da notícia. Sua arrogância acadêmica – própria dos tempos bicudos em que vive o setor – beirou a porraloquice, ao revelar sua participação num hipotético episódio, envolvendo a Diplomacia Brasileira e a família do engenheiro brasileiro, morto no Iraque anos atrás. Sem maiores comentários. O que é relevante anotar é a profissão de fé de Tognolli, ao dizer que a revolução tecnológica provocada pela Internet e todos os seus instrumentos venha a sepultar o jornalismo, como instrumento de informação e formação da população brasileira. É evidente que o jornalista e professor titular da USP está com seus olhos grudados numa realidade distante (Nova Iorque, Londres e Amsterdã) e um quase nada sobre o que acontece aqui a cerca de 300 km da capital paulista, onde por sinal está sediada a RN. No entusiasmo, Eduardo Ribeiro acabou apostando suas fichas nessa mesma tese, mas errou. Acreditamos, por excesso de trabalho com pouco tempo, talvez, para uma reflexão mais apurada. E, agora, mostramos o por quê.

    A Record News está desenvolvendo uma missão extraordinária porque, com planejamento ou não, criou edições diárias de jornalismo regional: Sul, Sudeste, Nordeste e uma edição viúva para o interior e litoral paulista. Importante dizer que essas edições são mostradas em cadeia nacional, daí as contradições ainda não avaliadas corretamente. Como é sabido, em qualquer outra emissora, uma matéria jornalística regional só é incluída em cadeia nacional se o assunto for esfuziante. Eduardo Ribeiro deu como argumento do acerto de tal medida da Record News, ao veicular notícias do nordeste, o fato de a cidade de São Paulo abrigar muitos nordestinos. Ele errou. Isso não é relevante. O mais importante é que o dia-a-dia do nordeste, do sul, e de capitais como BH e o interior de São Paulo passaram a ser universalizado na programação desta emissora, e não apenas um fato isolado. A repórter da Record, residente em Belém do Pará – Aline Passos – e tantos outros profissionais que trabalham fora de São Paulo e Rio de Janeiro têm trazido à televisão brasileira uma contribuição inestimável para essa universalização. Da mesma forma, a grande maioria das matérias que compõem a edição diária da RN Paulista são indispensáveis, inclusive àquelas mal realizadas, por falta de equipamento técnico (Araraquara só tem uma equipe de filmagem), porque registram o atual estágio em que vive o Brasil e a sua estrutura jornalística. Houve um dia, por exemplo, que este programa colocou no ar uma cobertura feita de um acidente, com fotos captadas por celular, provavelmente de uma pessoa que estava próximo do local do acidente. Este é o quadro real em que vivemos, e não àquele, fruto da imaginação criadora do jornalista e professor da USP, Cláudio Tognolli. Há muito a ser feito agora, e não depois. Nesse particular, a Record News está cumprindo o seu papel messiânico. Dane-se o resto.

    (*) Filmografia de Vladimir Carvalho:

    Romeiros da Guia – 1962
    A Bolandeira – 1967
    Vestibular 70 – 1970
    O País de São Saruê – 1971
    Incelência para um Trem de Ferro – 1972
    O Espírito Criador do Povo Brasileiro – 1973
    O Itinerário de Niemeyer – 1973
    Vila Boa de Goyaz – 1974
    Quilombo – 1975
    Mutirão – 1975
    A Pedra da Riqueza – 1976
    Pankararu do Brejo dos Padres – 1977
    Brasília Segundo Feldman – 1979
    O Homem de Areia – 1982
    O Evangelho Segundo Teotônio – 1984
    Perseghini – 1984
    No Galope da Viola – 1990
    A Paisagem Natural – 1991
    Conterrâneos Velhos de Guerra – 1991
    Negros de Cedro – 1998
    Barra 68 – 2000
    O Engenho de José Lins do Rego – 2006

    (**) Prato típico, feito com verduras, legumes e frios de todo tipo.

  5. Pingback: A VELHICE « dus*****infernus

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s