ARTE CONTEMPORÂNEA: PRIMEIRAS IDÉIAS

Todos sabem do meu desapreço pela chamada arte contemporânea, isso não é novidade, mas resolvi agora colocar aqui no meu blog os verdadeiros motivos do meu cansaço com essa tal arte.

Antes de qualquer coisa, quero colocar (com a matilha cega dos artistas contemporâneos é bom ser didático) que é uma visão geral, de princípios básicos que estão embutidos e camuflados nessa operação mercantil que hoje se chama arte contemporânea. Serão alguns textos reflexivos sobre toda essa operação que mais cega do que vislumbra e vocês vão entender porque se acompanharem meu pensamento.

Preciso ressaltar que tenho grandes amigos artistas e que admiro muito o trabalho que executam, estão dentro do que é possível desse contexto e tentam se expressar de maneira ética: Dora Longo Bahia, Bruno de Carvalho, Duva, Ricardo Oliveros, AVAF, Abravanation, Hugo Frasa, Gustavo Resende, Roberta Fortunato, Cris Bienrrenbach, Victor e Zeca Gerace…

Também preciso comentar que tenho problemas pessoais e mais que éticos com os donos da Galeria Vermelho. Com Maricona Brandão foi abuso de poder por parte da tramóia de influências que quase me fez perder um freela-fixo na Vogue numa época de vacas magras, tipo porque não falei o que ele queria sobre uns artistas dele numa matéria imbecil. De qualquer forma, já vi ele acabando com Adriano Pedrosa por conta do Leonilson, fazendo Adriano Costa ser sua voz em uma performance e no momento que o curador visitou a exposição e comprou obras da galeria voltou tudo ao normal, como se houvesse dois Adrianos Pedrosas, um antes da grana e outro depois, tipo não era realmente nenhum problema de ordem moral ou ideológica, se é que vocês me entendem… Já a Eliana Frankstein, coitada, é uma groupie, coisa muito comum nesse meio, quase como fanáticas religiosas, elas compram briga que não lhe pertence. Essa, apesar de tanto dinheiro, é uma pobre de espírito mesmo! Pras groupies da arte contemporãnea meu profundo desprezo!

Coloco essa roupa suja para que o que vou escrever a partir de agora seja mediado e balizado por esses fatos, pois não quero escamotear nada como bem fez o MAG, editor da Ilustrada ao defender a arte contemporânea contra o brilhante texto de Luciano Trigo. Para quem não sabe, ele é marido de Leonora de Barros, uma pessoa adorável, mas de uma arte bem sofrível. 

Vamos a primeira questão muito rapidamente. Toda expressão que o senso comum é verdadeiro é uma expressão pobre, não revela descoberta, nem intriga.

Ao fazer o gesto fundador do que hoje se chama a arte contemporânea, Marcel Duchamp, no começo do século 20, questionou, ao colocar um mictório numa galeria e chamá-lo de fonte e apresentá-lo como objeto escultórico, o que realmente era arte. Essa discussão é bem conhecida, pois até de antiarte esse gesto foi reconhecido. Ao fazer essa operação, ele abre uma possibilidade imensa: todos podem ser artistas. 

Qualquer pessoa, um espectador comum ao olhar essa obra de Duchamp e mais um milhão de réplicas dessa mesma idéia que é o que a arte contemporânea mais faz, sempre proclama: ISSO ATÉ EU FAÇO.

Essa desfaçatez com a obra de arte que em geral as audiências têm, é verdadeira pois realmente qualquer um pode fazer aquilo, essa é a proposta libertária embutida nos ready-mades.

Mas aí seria o fim das operações artísticas como a conhecemos. Se qualquer um faz, porque então só alguns podem fazer? Como fica o meio de arte, galerias, curadores… Então por uma operação que é o avesso da proposta de Duchamp, faz-se um mundo á parte, onde nomeia-se o artista e aí sim ele pode até colocar cocô em latinhas ou se rabiscar com canetinha, ele está nomeado, ele está envolvido da aura, ele é considerado artista por aquele meio e tem o aval para tais atos. Essa relação de senhor feudal e vassalo que o meio de arte tem com os artistas tem a aceitação desse segundo para que ele possa realmente exercer a sua expressão e muitas vezes se fingir de libertário. Mas isso não passa de um ideário completamente oposto ao do libertário do Duchamp ou da visão de modernidade/contemporaneidade de Walter Benjamin e a questão da reprodutibilidade.

Como qualquer gesto e expressão do sujeito/vassalo como artista só tem valor (para o meio) se for legitimado como tal. Mas o terreno é muito frágil, existe desconfiança dos que pensam e dos que idealizam o conceito de Arte (filósofos, sociólogos, antropólogos, matemáticos, físicos, músicos, dramaturgos, cineastas, escritores, intelectuais, público em geral) pois essa nomeação não se impõe para eles e eles têm o direito de questionar essa legitimização de alguém como artista. Então ele, o meio junto com o artista nomenado,  prefere não se expor aos que possam confronta-lo e falar: eu também faço isso, pois nem a teoria, nem o meio de arte podem sustentar esse vínculo se a obra não consegue se impor como arte para todos ou para um pensamento maior do que o próprio fazer das artes plásticas (não existe arte por si, ela é reflexo do contexto e de outras artes, e do diálogo com outras artes, o que não acontece hoje nas artes contemporãneas, apenas com o design e a moda que pagam pau para essa arte de maneira submissa e nada colaborativa) e é o que geral acontece no pobre cenário atual no mundo.

O mais pobre é que o senso comum está certo: sim todos podem fazer, e não existe pensamento adiante, só camuflagens para um mercado.

marcel-duchamp.jpg

Que cagada a arte contemporânea fez contigo Duchamp!!!!

     

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17 Respostas para “ARTE CONTEMPORÂNEA: PRIMEIRAS IDÉIAS

  1. Arte contemporânea pra mim é a novela das gays!
    Gente, tô adorando essa novela e quero saber quem vai ficar com o dinheiro das gays? Vcs já leram o blog do nosso queridíssimo Mario Mendes? Parece que as novas publicações pink não agradaram. Mais sutil foi aquele tal de Nucool em relação a DOM. Tá babado!
    http://graomogol.zip.net/
    http://nucool.wordpress.com/

  2. Ai que bost bafo, hein? Mas adorei e meio que concrodo com você quanto essa “prostituição” do meio das artes e dos artista…

    Beijos

  3. O que houve com seu fotolog??

  4. To apaixonado pelo post. Vou levar pra casa.

    Comecei a ler cheio de preconceitos já te “xingando” de saudosista. Mas não foi nada do que eu pensava.

    Super entendo porque eu não precisava me preocupar com o comentário das bolachas modernas, HUAHUAHUAHUA.

  5. Meu amor, também sou artista.

    Sou transformista e performer desde os 7 anos de idade, quando fazia uma performance de Xuxa sorteando cartinhas e distribuindo beijinhos enquanto eu pintava um arco íris de alegria.

    Era uma performance de alteridade com um viés de liberação emotiva-sexual-mercadológica carregada do depoimento pessoal de uma trava mirim.

    Em 1 de janeiro, quem quiser pode acompanhar minha performance Refluxo diretamente da praia em frente à biquinha de São Vicente. Vou oferecer flores brancas a Iemanjá e documentar a recusa pelo mar dos meus presentes e a situação limite de uma pessoa em sua relação de entrega e repulsa.

    Será que depois posso passar meu vídeo em alguma galeria?

    Se não for a vermelho, pode ser na rosa choque.

    Beyjas.

  6. victor,
    por dois anos expressei minhas vontades dentro de um clube, lá o público pagava pelo otim e pela entrada…..minha casa ,meu clube, sempre foram minhas galerias, será q sou um artista?

  7. Angel vc sabe que eu não sei o que é arte, amor ou deus… mas acho que a JETTANY é artista!
    ;0)

  8. Bom, cada um tem um apego de jupira, nem discuto mais. Só um esclarecimento de crédito: fui curador da Vizinhos e responsável pela discussão e performances no evento. O trabalho de Adriano Costa foi discutido e aprovado (claro!) por mim, e não pelo Eduardo Brandão!

  9. bem falado Oliveros, cada um tem seu apego de jupira e meu querido, vc não discute mais porque nunca discutiu, como eu bem explicitei no texto.
    cada um tem o apego de jupira que merece

    e não queira relativizar o peso de Brandão nessa história. sorry, foi ele que escolheu, até Adriano Costa e Raquel e Rita Wainer e Jeferrson Assis já falaram sobre isso. Nem preciso citar a Rodrigona, né?

    bom, pedi pra vc não ler o texto pois conheço militantes desde os 14 anos.

  10. mi-se-ri-cóóóóóóórdia.
    acho você TUDO, vitor ângelo.
    e adoro o luigi elogiando o Bost.
    (hahahahahahahaha!)

  11. Não entendo nada de arte contemporânea e to fora de polêmica porque é dezembro (como te disse agora por tel, amado e idolatrado Vitor). Mas lembrei de Fred 04: “Computadores fazem arte/artistas fazem dinheito/cientistas criam o novo/artistas levam a fama! “Sugiro essa música como trilha do basfond. Viva Zapata! Viva Zumbi!

  12. passa na polinesia e sente a bondade te varrer.

  13. Querido Vitor,
    AMEI!!!!!!!
    Seu texto sobre a Maricona, a Groupie Frankstein (hahahaha) a verdade como ela é, mas maravilhoso mesmo foi a sua resposta para a Azeite (a oliva que desliza), que faz parte do cortejo na disputa de migalhas por uma curadoria/piada, ops… she did it again…, ou por chances para o mico do ano que foi a performance dela na galeria rouge, hahahaha
    Beijos, e continue forte!!!!!!!!!!!!

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