FELIPE MOROZINI APRESENTA “PEQUENO PENSAMENTO BURGUÊS”

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Na tarde de sábado, dia 1º de dezembro, na Garimpo-Fuxique, em São Paulo, o fotógrafo Felipe Morozini invade outra área e apresenta um trabalho muito bem humorado e criativo.

Eu escrevi o texto da exposição sobre seu trabalho “Pequeno Pensamento Burguês”

“Primeiro vem o toile-de-jouy, que para a editora de moda Gilda Chataignier em seu livro “Fio a Fio”, é um “tecido de algodão pesado, de alta qualidade, originário do século 18, servindo para cortinas, bandeaux, colchas, forração de móveis e também hoje, o hype em matéria de novidade para roupas em Paris. O fundo é branco e caracteriza-se pelas estampas campestres, bucólicas, em geral com casal em idílico entre plantas, flores, carneiros, etc.” Foi o tecido escolhido pela rainha Maria Antonieta, uma fashionista pela própria natureza, para decorar seu palácio, já que o sistema de impressão foi desenvolvido em Jouy-en Jousas, local próximo a Versalhes, onde a corte francesa na época vivia. De alguma forma, o toile-de-jouy está associado já em seu nascimento a uma elegância decadente.

Depois vem o bordado, que é a construção de figuras e ornamentos em um tecido através de agulha e linha. O bordado costura o arquétipo da esperança (a personagem de Penélope na “Odisséia” prometeu aos seus pretendentes que ao terminar um bordado ela se casaria com um deles, mas na esperança que Ulisses, seu marido, voltasse algum dia, ela desfazia o bordado durante a madrugada).

Por fim tem a ironia, o riso desconcertante e verdadeiro, o nonsense de situações onde “a alegria é a prova dos 9”. Essa alegria do absurdo que é tão nosso, tão brasileiro e que fundem Nelson Rodrigues e Oswald de Andrade.

È assim que Felipe Morozini apresenta seu novo trabalho: “Pequeno Pensamento Burguês”. Ele mixa elegância decadente, esperança e humor criando um significado único nesse embate de idéias. Em uma ação contemporânea, ele revitaliza o toile-de-jouy através de intervenções de frases, objetos e contornos bordados.

Na verdade, seu trabalho revitaliza o pensamento antropofágico. Felipe ingeri informações e as devolve em suaves bordados, sobre essa estampa tão bucólica, mas o resultado é enérgico como uma banda de punk rock, vital como os impulsos sexuais e de uma ironia nonsense tão ligado ao modo de ser brasileiro.

E em um ato típico de uma pessoa do Novo Mundo, Felipe não se amarra às tradições e faz o tecido decorativo transformar-se na imagem de objeto de arte, na forma de pequenos quadros. Assim, suas novas construções, resultado do tecido, da interferência e da idéia, ganham novo destaque (esperança) nas paredes onde antes eram apenas objetos ornamentais (elegância decadente) sem esquecer do riso jamais. Um pensamento nada burguês!”

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2 Respostas para “FELIPE MOROZINI APRESENTA “PEQUENO PENSAMENTO BURGUÊS”

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