REFLEXOS DO PENSE MODA: EDITORAS E EDITORIAIS

Com o post bafo-debate da Oficina de Estilo sobre a Vogue Brasil e suas referências muito coladas nas outras vogues, Sylvain ressaltou um ponto realmente muito profundo e cultural: a Vogue brasileira tem que achar sua própria identidade. Isso não a desmerece nem um pouco, tanto que acredito que todos concordam sobre a super importância dessa publicação no país, um país analfabeto em termos visuais e principalmente dentro dos códigos de moda.

Essa procura da identidade vem um pouco atrasada na moda, pois muitas manifestações no país como cinema e literatura, por exemplo, estão nesse debate faz tempo, e sem ele não existiria Cinema Novo nem a literatura de Guimarães Rosa ou mesmo de Clarice Lispector pra não achar que eu entendo identidade como algo folclórico e regionalista.

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Voltando ao assunto, quando vi o editorial da Raquel Zimmermann em Paris e depois o da bela promessa e aposta da Vogue, Isadora di Domenico, no ensaio de Frasson, achei que tava vendo a mesma coisa apesar de assuntos aparentemente diferentes. Não adianta o discurso (graças a Deus, moda não é artes plásticas conceitual), está impresso, não tem como negar.

Se esse é um ponto negativo e respalda na questão do colonialismo mesmo que involuntário, por outro lado a Vogue brasileira lançar modelo que não são as apostas de fora e isso é um ponto bem positivo e deveria ser o caminho da revista pra tirar o complexo de inferioridade em relação às Vogues irmãs, já que eu nunca vi um editorial na Vogue brasileira em outra Vogue (pode até ter tido, mas é irrisório em comparação com o que sai na daqui).

E acho que essa reflexão só pode ser feita sem parecer ataque pessoal a Maria Prata, Giovanni Frasson (duas pessoas que respeito e muito) e todos da revista porque aconteceu o Pense Moda, um espaço para o começo de uma reflexão crítica em relação á moda.

Lá, atacou-se muito as editoras de moda e a questão da cópia. Fotógrafos, stylists e estilistas não cansaram de em algum momento alfinetar a crítica de moda. Só que é muito importante lembrar que em nenhum momento da história ocidental aconteceu de ter um grande crítico em um período que as obras eram menores e vice-versa. Mario Pedrosa não existiria sem Palatinik , os concretos e os neo-concretos e Paulo Emílio não sobreviveria sem Glauber e vice-versa. O crítico, seja ele de moda ou de qualquer outra manifestação, é um reflexo de seu tempo. Se não existem bons críticos de moda no país é porque ainda não existe uma boa moda brasileira. Pare e pense… Moda!

PS: E para a crítica de moda realmente funcionar ela tem que sair do âmbito pessoal, por mais prostituida que as relações de moda estão hoje entre marcas, imprensa e profissionais da área, se tudo for sempre levado como ataque pessoal, não se cria reflexão e nem resposta dos próprios criticados.

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10 Respostas para “REFLEXOS DO PENSE MODA: EDITORAS E EDITORIAIS

  1. vixe.

    a coisa no pense moda nem falou da vogue especificamente. a gente postou imagens das vogues (todas) porque é a revista que a gente mais compra, maior referência, mesmo.

    e todo mundo tem razão de lembrar que em várias áreas tem isso de cópia, que dá pra se inspirar sem copiar literalmente e tals. o bom é poder conversar.

    néam?!??

  2. Pingback: Oficina de Estilo » Blog Archive » pensando (e discutindo!) moda

  3. Agora recuperado do sono profundo, após supermegabafobafón do último dia de feriado, adorei ler uma discussão séria voltando aos blogues. A Vogue Brasileira, tem nome, importância, gente séria e talentosa, está faltando a tal ousadia colorida que o Judy Blame tão bem colocou. Afinal, Rio não é Paris, Brasil não é França, já temos modelos importantes, stylists idem, e uns vários estilistas que poderiam estar muito bem e melhor na matéria em questão. Qdo este dia chegar, a Vogue BR, poderá ter páginas e páginas nas outras Vogues…

  4. Você foi no LCD? Não acredito! Vou te matar!

  5. eu acho que o caso das primeiras fotos (raquel z.) nem é o pecado de fato, afinal o trabalho da revista de moda (de massa — como as vogues no mundo inteiro) é divulgar quase que didaticamente o que acontece, o que se usa, e naquele caso o editor de moda chamou atenção para a coisa marinha, balenciaga e tudo mais… acho que não tem nada demais, acho até louvável que foi feito como foi feito, e com uma modelo nova, etc… acho também que o stylist no brasil tem de ser corajoso e muito mais artificioso que um stylist aqui fora, visto que a quantidade de opções, ferramentas (roupas boas, bem feitas, e bem pensadas) é infinitamente menor.
    o real problema parte da cópia óbvia no editorial seguinte (da loja de conveniência). a cópia em si não é o problema (é uma prática comum), e talvez nem seja culpa do fotógrafo (acho difícil que o fotógrafo no caso, o bob, tenha achado legal a idéia de copiar algo já feito anteriormentel). o problema é que alguém responsável pela matéria não enxergar que copiar uma matéria que custou na vizinhança de 200 mil dólares pra produzir (locação, maquiagem, 3 dias fotografando, vans, styling, roupas vindo do tibet de avião particular) com um orçamento de mil e duzentos reais vai ser difícil, e que inevitavelmente tudo vai parecer muito, e muito barato! e vogue, em qualquer lugar do mundo, não pode parecer barato. acho que a solução é mesmo
    não copiar, ser realmente criativo, e ver a coisa de outra forma, e com o orçamento que se tem, fazer algo digno e bem feito. fazer bem feito é o que mais importa.

  6. É muito dificil falar em identidade de revistas brasileiras, afinal desde seus projetos gráficos até as reuniões de pauta, são baseadas nas publicações internacionais. Aquele tal de benchmark…!

  7. Sem nada de pessoal contra ninguém e sem querer defender fulano ou ciclano, eu acho que quem aponta o dedo pra alguém ou alguma coisa, deveria antes de tudo olhar pro próprio umbigo. Tá todo mundo no mesmo saco e posando de coitadinho e enchendo o peito de hipocrisia. Sorry, mas fotógrafos, estilistas e um punhado de stylists brasileiros (eu incluído!) precisam mostrar toda essa criatividade represada antes de revindicar liberdade e identidade. Quem quiser entender um pouco melhor, veja minha resposta no post da oficina. (http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/coincidencias-de-vogue/).
    Tá, eu tô azedo. Mas eu cansei de hipocrisia na moda brasileira. Se tivesse tanto gênio incompreendido aqui, a gente não tava nessa situação, sorry. Beijos e desculpa pelo tom.

  8. Vitor, to dormindo não,viu ? (rs) , é que por total falta de tempo muitas vezes faço mil coisas de uma só vez…entende? To sempre visitando seu blog,que acho uma délicia…falamos até de coisas parecidas…(vide textos sobre a coluna de Costanza)…mundinho pequeno, hein, querido ???
    Grande abraço e + sucesso ainda.

  9. Pingback: AINDA SOBRE AS CÓPIAS NO PÉRGAMO « dus*****infernus

  10. CRITICA DE MODA….Não existe no Brasil.A auto-censura impede jornalistas de formalizarem suas opiniões…Franqueza fecha caminhos…Verdades são ditas ao pé do ouvido,mas publicam comentários não compremetedores…Todas(os) precisam p/existir desta politica sórdida da opinião particular e opinião escrita e publicada.Muitos(as) atrás dos óculos esc uros,escondem inseguranças e olhares idiotas.Descobri q óculos dá um *ar inteligente e indecifrável*a estas preciosas ridiculas.

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