ENFIM, O BAIANO DO CAETANO VELOSO

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Ai que preguiça! Primeiro, a Net implicou e travou a todo instante ontem, então não consegui postar o texto que demoraria horas. Acabou demorando dias. E nem tem nada demais pois não achei as fotos que queria, mas fica assim, pois talvez seja minha atitude tropicalista em huómenagem aos 40 anos do movimento. 

Antes de mais nada quero falar sobre o significado do termo baiano para mim. No contexto geral, baiano é aquele que nasce na Bahia. (ããhhh)

Em São Paulo, uma classe média reacionária costuma chamar de baiano, uma pessoa cafona, de mau gosto, sem parâmetros ou regras.

A cena clubber dessa mesma cidade que faz chacota com o povo acima de Minas equacionou a prova dos nove e revelou uma outra faceta da baianidade. Ser baiano hoje continua sendo cafona, sem parâmetros, mas agora em um tom extremamente positivo, afirmativo.

Sei que muitos baianos, os nascidos em Bahia, odeiam, mas eu digo como verdadeiro by.ano que sou: Ser baiano é o que há! Viva a baianidade nagô! 

Para a efeméride do movimento que mais se institucionalizou nos últimos tempos, não poderia escolher outra personagem para comentar o estilo: Caetano Veloso. Com ele é ame ou deixe-o. Adora uma polêmica e sua música de alguma maneira está na vida dos brasileiros assim como o arroz e o feijão. Gostando.  Ou não! 

No começo mesmo da carreira quando ainda na Bahia ele parece saído de alguma foto de Pierre Verger com suas roupas claras e simples, como era o costume de muitos os baianos na época. Tem um ar de figurante do Cinema Novo. Esboça uma elegância singela, mas ainda destituída de personalidade nas roupas. 

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Já nos tempos do tropicalismo desafiou convenções. Deixou o cabelo crescer, a roupa chegou mais perto do corpo como  se quisesse participar do movimento e dos movimentos que Caetano estava criando. As cores também explodiam em 5 sentidos. Ia de chinelos aos cinemas chiques do centro de São Paulo quando o correto era sapato. 

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É nesse ponto que começa a personalidade e o estilo de Caetano em suas roupas, mas ele ainda está muito ligado ao grupo, organizando o movimento.  

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No exílio em Londres, ele radicaliza. Como um proto-Zé Ramalho, um filho bastardo de Osama Bin Laden, figura que já declarou achar um homem bonito (porque Narciso acha belo o que é espelho), ele ganha uma sofisticação selvagem com um casaco branco grosso (ui, se o Peta visse). Um bárbaro na civilização ou a civilização ficou bárbara com a sua chegada? 

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A volta de Londres marca também a conquista daquilo que eu considero o estilo Caetano, uma maravilhosa baianada. Assume o traje étnico como nenhum outro ídolo da MPB, faz a mistura perfeita entre o andrógino e o africano. Suas regatas (principalmente rosas), seu bronzeado, sua maquiagem, o batom que adorava usar, tudo indica um estilo brasileiríssimo e pessoal.

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Infelizmente existem pouquíssimas fotos dessa fase que mais amo e que acho a mais elegante, inédita e pessoal. 

Depois, como um homem de seu tempo, aos poucos ele entra no yuppismo dos anos 80 e vira uma verdadeira label queen. Toda mídia orgulhosa no período cita seu casaco Miyaki, seu terno Yamamoto. Mas é tudo de um vazio absurdo apesar de caricatura de elegância. 

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Nos 90, entra na era do terno que se prolonga até o meio dos anos 2000. Vira um senhor ainda aficionado pelas marcas. Sem ser maldoso acho que ele aprendeu esse lance de logomania com a Paulo Lavigne.  

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Participa de dois momentos fashion: faz a campanha do estilista italiano Romeo Gigli que aparece com ternos bem cortados, brilhantes e descalço, em ato de pequena rebeldia publicitária muito diferente dos chinelos no cinema de São Paulo.

E a sua ida á uma premiação de música com um saronguê balinês (maravilhoso) mas pecou no blazer . ele era quadrado e medonho e isso sim deveria ser motivos de críticas e não toda a histeria que ele causou porque o norte-americano o chamou de bissexual. Cafona! 

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Apesar disso sua figura magra, esbelta, pequena e de traços elegantes é algo que os fashionistas podem admirar.  

Agora resolveu ser a vovó do rock, sempre com uma jaqueta jeans por perto. Mais básico impossível! 

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De qualquer forma, Caetano é muito baiano!

10 Respostas para “ENFIM, O BAIANO DO CAETANO VELOSO

  1. Adorei o texto, porque vc sabe eu também sou muito by.ano!!! A fase Romeo, com certeza era influência de Paula, que para o bem ou para o mal, ela fez o Caetano render e muito. E vc sabe, que no Tim Festival no Rio, eu me rendi ao Cê, até cantei junto: Vc foi mó rata comigo!!!

  2. A Caetano é super musa inspiradora, eu gosto quando tem aquele momento rapte-me camaleoa, sabe? Todo mundo faz a odara (com ou sem neca), alguém surta e faz a descalça, e a baianidade reina absoluta, uma loucura…

    Ai, adoro esse dusinfernus, a gente se sente em casa… hahahaahahahahahaha

    Bjs,
    Bi-by.ana

  3. Pingback: PS: AINDA SOBRE O BAIANO DO CAETANO « dus*****infernus

  4. Preguiiiiiiça (tem coisa mais baiana?) do Caetano…

  5. O texto e as fotos estão ótimos. Adorei! Saiba que eu não perco o encontro com você domingo sim, domingo não, na revista. Abraço.

  6. Pingback: OBRA EM PROGRESSO, A VELHICE « dus*****infernus

  7. Nunca me interessei, não gostava e nem detestava, até o dia que ouvi o “cu-curu-cucu, Paloma…” em Fale Com Ela e fiquei com uma péssima impressão. Recentemente ouvi Transa, o que diminuiu o pessimismo, mas não curou o trauma.

  8. Na real ele e a Bethânia fisicamente nos Anos de Chumbo não tinham diferença um do outro.

    Não sei o porquê eu sou mais o Chico. Mas para não ir contra o bayanismo, amo muito a Bethânia.

    Ai, sei lá. Prá mim ele é uma maricona incubada uó. Bem melhor a irmã dele que é sapatão, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  9. Sou Baiano e adoro o Caetano desde Santo Amaro e de tudo que ele fez e ainda faz. Ninguém foi tão fiel exceto seus proximos a ele do que eu. Concordo com tudo, ele tem , mas precisa ainda que os Baianos estes tem obrigação dever moral de encara-lo como o seu mais fiel contemporãneo intelectual e orgulho da bahia. A esquerda baiana se inspirou na sua puxada e no seu jeito de ser.O artista e letrista é inatacavel. Caetano trouxe a escola pública , a elegância de falar as PALAVRAS. Inteligente todo mundo é…
    Trouxe o Brasíl e o Rio para perto da bahia.
    Jovem, alegre, triste com a burrice nacional. ouvi e ouço coração vagabundo como a canção mais linda. Vivi o seu exílio inteiro e ainda compro e ouço tudo deles 04.
    chegaram ali nos 60 e avisaram nós somos os doces bárbaros . Gal a voz é interplanêtária, Bethãnia é um orixá elegantérrimo quando canta, Gil uma sumidade nos instrumentos e o cara mas democrático que conheço na música. São educadissímos e respeitosos e amantes da bahia. Ele estava certo quando declarou que o presidente LULA era analfabeto. Quem sabe com tanto dinheiro ele pode estudar e pode, pode até muito mas que a juventude pobre do brasíl que vai a escola.
    viva Caetano veloso que é um homem e sempre foi muito serio.

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