WALTER VON BEIRENDONCK VERÃO 2008

Enquanto se discute o masculino na moda feminina, Walter von Bierendonck pega a contramão e recoloca o feminino na moda masculina. Desde Jean Paul Gaultier e suas saias na década de 80 essa discussão sempre esbarra em uma certa timidez nas possibilidades desse diálogo. e não tem sido diferente com o estilista belga mas ele insiste no assunto.

Walter já debate essa questão faz algum tempo e sua coleção de verão 2000 “Gender?” era exatamente sobre isso: os gêneros na moda.Assim como o corset, criado por Mr. Pearl, ou um casaco que se abre em A, a silhueta masculina feminiliza-se, mas o mais interessante é que também nos remete aos avatares do Seconf Life. Será um futuro tão impossível assim?

Não é a primeira vez que o corset entra na sua coleção, mas agora ele ganha uma conotação mais sexual. Bem ao gosto do título da coleção: “Sex Clown”.Nesse momento entra outra linguagem que o estilista adora trabalhar: o fetichismo. A borracha se contrapõe assim como o corset com o lúdico das cores e de algumas estampas. Não tem conversa, o sexo está na cabeça de todos.

Os objetos de cabeça, construídos em papel machê pelo chapeleiro inglês Stephen Jones fazem referências tanto aos animais que povoam o universo do estilista como ao falo, presente também em algumas aplicações nas alfaiatarias.

Aliás, as suas construções em alfaiataria criam certas dimensões mais abertas que eu chamo de asa em alusão a ultima coleção de Karlla Girotto no São Paulo Fashion Week. Nela, ela representava a alfaiataria e a roupa masculina como algo racional, cartesiano e preso ao chão, enquanto a moulage,.mais instintiva, era o arquétipo da roupa feminina e estava solta no ar, moldada pelo vento. Nem preciso comentar que pra mim foi o grande momento daquela temporada.

Voltando ao belga, sua alfaiataria parecem ter asas, mas de máquinas, respeitando ainda o princípio cartesiano da alfaiataria, mas mesmo assim precisando tomar certos e outros ares.

Outro fator interessante é a variedade de corpos escalados para apresentar a coleção que aconteceu no dia 1 de julho, no clube Bataclan em Paris. Desde a estrutura mais slim a mais forte e musculosa, algo pressupõem que não existe um só modelo para aquelas roupas.

Em uma outra escala, continua na sua coleção a forte presença étnica com forte linguagem urbana, fator que pode ser melhor mensurado agora que a moda ”oficial” reverenciou a leitura (excelente) de Nicolas Ghesquiere para a Balenciaga desse étnico urbano que Walter nos apresenta há anos.O étnico urbano é com certeza a possibilidade moderna de incorporar outras culturas na nossa sem uma visão folclórica.

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Pos post: Walter criou avatares da coleção que estão agora no Second Life.

Eu copio mesmo o bordão do velho cineasta: “Minha estética é minha ética”. Mas para aqueles que se preocupam com o mercado, Walter escreve:

“Don’t be afraid, in the end there is always a simple T-shirt telling the same story”.

Crítica e autocrítica!

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2 Respostas para “WALTER VON BEIRENDONCK VERÃO 2008

  1. Definitivamente não é meu conceito de moda masculina. Acho excelente pelo lado artístico e conceitual, mas sinto falta de roupa. No fim, é dela que estamos falando.

  2. Luuuuuuuxo esse post, vou falar dele amanhã no meu Blog, posso?

    Ah,passa no The Satis/fashion que tem entrevista luxo!
    Beisousssssssssss

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