AINDA SOBRE A TAL DA MODA DE RUA

A discussão sobre moda de rua gerou discordâncias preciosas e necessárias. É bom não formarmos um bloco único, o que eu acho excelente, pois como diz Narcisa “Ai, que Loucura!”: “Sou uma pessoa democraticamente correta”!Mas ainda quero pensar por um pouco mais de tempo sobre essa questão. Não acredito que cada um dos que escreveram sobre o assunto, mesmo nos comentários dos blogues não tenham contribuído e muito para começarmos a fechar o pensamento e acharmos o cerne, ou alguns deles, da questão. E essas são algumas conclusões que abriram outras brechas de dúvidas.

1) Moda de rua ou anti-moda surge dos grupos jovens entre os anos 50 e 60 que não se preocupam com a chamada moda oficial e com muito “allure”, propõem uma nova maneira de se vestir, que muito possivelmente vai ser absorvida a posteriori pela indústria e pelos designers de moda.

2) Essa nova maneira de construir um look está muito longe das tendências ditadas pela chamada moda oficial, mesmo depois elas mesmas podendo ser devoradas antropofagicamente pelos “criadores’ de moda e virarem uma tendência.

3) Em geral, a moda de rua deve causar estranheza, espanto e desprezo primeiramente nos fashionistas. Esse primeiro ato, mesmo que logo substituído por admiração ou questionamento, é muito importante para certificarmos se é algo novo. Assim como foi o cubismo para os modernistas e o movimento punk para os editores da Vogue na época. E com certeza tem sido essa a fórmula que Miuccia Prada utiliza para deixar a Prada na frente de outras coleções e virar referência. Seu questionamento sobre o bom gosto e a vontade de olhar a moda pelo lado do estranhamento estético não é novo, mas funciona como uma bússola para a marca.

4) Precisamos, fashionistas na periferia do mundo da moda, nos livrar de certos colonialismos e nos questionarmos constantemente. Mesmo como alguns me explicaram que os blogues The Sartorialist e Face Hunter não tinham intenção de virar o que viraram, eles se aproveitam do marketing sim de verdadeiros guias de street style (o que não são) para guiar e adestrar olhares. Devemos amenizar a sua influência em nossas leituras de moda de rua.

5) A moda de rua está nos Jardins e no Largo da Batata, estilo nesse caso não é uma questão de classe (social). Mas devemos ter o cuidado para não nos tornarmos populistas ou mitificadores.

6) Sim, a moda de rua no Brasil é camiseta e bermuda basicamente, mas essa dupla, apesar de massificadora, pode nos dar, ao exercitarmos o olhar, ver que no meio desses milhões de bermudas e camisetas, têm pessoas que as usam com estilo, “allure”. O estilo torna-se crucial para enxergarmos a moda de rua.

camiseta-8.jpg 

bermuda e camiseta: um dos uniformes da moda de rua do Brasil

Uma grande dúvida é: Como percebemos que alguém tem estilo? Por instinto? Existe algum processo racional?

E outra: O que é estilo na concepção abrangente do termo?

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8 Respostas para “AINDA SOBRE A TAL DA MODA DE RUA

  1. eu concluí que tenho streetstyle pessoal. estou sempre em busca do novo. tipo o barroco do renascimento. tá bom pra você?

  2. Pingback: Oficina de Estilo » Blog Archive » mais sobre o “tal” streetstyle brasileiro

  3. Minhas respostas às suas dúvidas: Se você “mexe com modas” (como diria Maria Prata), é pq tem olho apurado e sensibilidade diferenciada do resto da população, por isso perceberá na hora alguém que tem estilo. É quase um instinto, vai…
    Pra mim, estilo (na concepção abrangente do termo) é saber dar graça ao que muitas vezes não tem, ter atitudes ou vestir algo com elegância e de maneira que fogem ao banal. Talvez seja um caminho pra definir o tal do estilo….

  4. Oi Vitor, só tive tempo de ler o post hoje. Então continuando o papo da reunião de ontem…

    Estilo, para mim, é saber expressar a identidade através da linguagem fashion (roupas, acessórios, atitudes, cabelo, etc). O que determina estilo são as escolhas pessoais e principalmente o q fica de fora, o que não faz parte da escolha. Não sei me expressei bem…quero dizer q ao fazer escolhas, a pessoa q tem estilo exclui tudo o que não faz parte do seu universo, do seu olhar. Ela sabe, conscientemente, porque está escolhendo uma peça e não outra.

  5. Pingback: MODA, MODA DE RUA E OS UNIFORMES « dus*****infernus

  6. Vitor, vamos la… outro post interessantissimo, com alguns comentarios mais dogmaticos do que os meus! Bom, pra começar e condensar meu pensamento sobre o temo devo fazer duas premissas: 1) quem trabalha com modas nao necessariamente sabe o que é possuir um estilo. Na maioria dos casos segue as vertentes que estão IN no momento. 2) o tal street look é estilo antes e moda depois. Acredito que seja nas ruas que surgem/surgiram muitas das tendências que um dia se tornarão/tornaram moda…então hoje a moda abusa do um street style. Digamos que ele se tornou uma zona de conforto, como por exemplo o estilo dark, para muitos fashionistas que, trabalhando ou nao na moda, encontram aqui um jeito simples de se sentir e de estar efetivamente ‘na moda’… resta saber por quanto tempo isso vai durar! Para mim estilo é algo atemporal, individual, que pouquissimo tem a ver com o que os outros estão usando. Pode ser elegante ou não, mas é um fingerprint da pessoa. Algo raro de se ver e ainda mais dificil de se reconhecer nos dias de hoje (e no meio fashion!)

  7. Moda no Brasil TEM que ser pouca roupa. Mesmo em São Paulo o frio que faz é ridículo. De Curitiba prá cima não existe mais frio. Então de que adianta se encher de roupas que não poderão ser utilizadas? De que adianta copiar tendências de fora com casacões e afins? Ou então fazer a ridícula e com 20 graus usar casaco e lã (credo!). O Féxiom Rio deveria ser só moda praia, principalmente no verão. A moda brasileira de fato TEM que ser pouca roupa (repetindo prá enfatizar) e salvem as bermudas, camisetas, regatas, vestidinhos…

    • Cláudio, você não está completamente errado… a moda deve ser contextualizada sim. Mas me desculpe se não vestir a malha do ‘salvem as t-shirts, bermudões e afins’ porque eu acho que por aqui essas modelagens não correm o risco de se extinguir! Pelo contrário. E gostaria de frisar a pobreza da malharia brasileira, que recorre ao acrilico com uma facilidade e uma frequencia assustadora. Existem lãs (chamadas de lãs frias) que são ideais para climas mais quentes… e você iria se surpreender em encontrar tecidos feitos com cashmere, angorá e merino tão finos quanto o linho e o algodão. Mas esse talvez seja outro tópico para outro post. Abs

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