Arquivo da categoria: música

BRITPOP 25 ANOS: MÚSICA E MODA


“Se o punk era para se livrarem dos hippies, eu vou livrar-me do grunge”. Essa famosa frase de Damon Albarn, vocalista e líder do Blur, foi um acorde de guitarra em volume bem alto para a formação ideológica no chamado Britpop, contração de British pop ou em bom português, pop britânico – apesar do movimento se referir somente ao rock feito nas terras da Rainha nos anos 90.
Contra o discurso, considerado hipócrita pelas bandas ingleses, que os grunges não queriam ganhar dinheiro nem fazer sucesso, outro personagem central do Britpop, Noel Gallagher, do Oasis, pede ironicamente que Eddie Vedder, do Pearl Jam, então deixe de fazer música e vire frentista de posto de gasolina. Essa é uma questão importante para os ingleses: resistir a invasão do rock americano representada pelas bandas de Seattle.
A Inglaterra, no começo da década de 90, está vivendo a ressaca musical do fechamento da Factory Records de Tony Wilson (o filme “24 Hour Party People” – em português “A Festa Nunca Termina” – conta essa história direitinho que se passa em boa parte no lendário clube Haçienda com bandas como New Order e Happy Mondays como protagonistas) e ao mesmo tempo assolada pelas bandas grunges vindas da costa oeste dos Estados Unidos. Apesar disso, as novas bandas do Reino Unido se voltam para a história do rock inglês. Na formação do Britpop está a influência decisiva de bandas e músicos como Beatles, David Bowie, The Smiths, Happy Mondays, Primal Scream, My Bloody Valentine.
A primeira imagem do Britpop sai em 1992 na capa do NME, periódico musical inglês: o vocalista Brett Anderson do Suede aparece totalmente andrógino num misto de Bowie e Morrisey. Ao mesmo tempo outro importante jornal musical, o Melody Maker, chama a banda de a “mais excitante dos últimos tempos”, mesmo eles não tendo lançado nenhum álbum. Por fim, em 1993, Anderson está na capa da Select, em uma pose muito feminina com a bandeira do Reino Unido atrás. A legenda diz: “Yanks go home!” Esse é o lema da cena.

Se existe um conflito com o rock americano, em terras inglesas, pelo menos no começo, existe uma clima de paz e camaradagem entre as bandas do Britpop. O grande exemplo é o ”The Scene that Celebrates Itself”, nome criado pelo jornalista da Melody Maker Steve Sutherland para descrever a cena que acontecia em Camden Town e no clube Syndrome em Oxford Street no começo do anos 90. O termo foi usado por toda imprensa inglesa pra descrever o encontro de bandas inglesas que se reuniam para tocarem, fazerem pequenas apresentações em outras bandas e beberem juntas.
Nas gigs do ”The Scene that Celebrates Itself”, bandas como Muse, Lush e Blur recuperam e colocam em primeiro plano uma tradição dos anos 80 de bandas como My Bloody Valentine e Cocteau Twins: o “shoegazer” ou “shoegazing”. O termo se refere a fazer uma postura tímida no palco, os integrantes ficam quase inertes e muitas vezes mal encaram a platéia. Eles mantem o olhar para baixo, até porque assim podiam ver os pedais para distorcer as guitarras, características musical dessas bandas e que acabariam influenciando diversas bandas do Britpop.
1994 é o ano considerado fundamental para a Cool Britannia. Oasis lança seu álbum de estréia “Definitely Maybe” e Blur causa muito barulho com seu terceiro álbum “Parklife”. Mas a partir daí o clima de amizade entre as bandas de Britpop não duraria muito, pois o Oasis, e seu culto aos Beatles, escolhe o Blur como seu Rolling Stones.

Apesar do campo de batalha acirrado e criativo entre as duas bandas, do Britpop também germina a urbanidade e o neo glam do Pulp, o marxismo politizado do Manic Street Preachers, a atitude feminina roqueira do Elastica, o legalize do Supergrass. Sem falar das tardias mas não menos impactantes Travis, Coldplay, Verve e Radiohead.
Paradoxalmente, o movimento que surgiu como resistência ao rock americano acabou conhecido como a terceira invasão inglesa – expressão usada sempre que bandas britânicas fazem estrondoso sucesso nos Estados Unidos. Enfim, odiando o grunge, o Britpop conquistou o Tio Sam!

2 momentos do Blur: simplicidade de estilo

Também em resposta ao grunge, pode-se dizer que o que se formalizou chamar-se de uma moda vinda das bandas do Britpop é a negação – em um primeiro momento – à ideia de uniforme proposta pelas bandas de Seattle. Se o grunge tinha o seu uniforme: a camisa de flanela, as botas pesadas, o meião e os cabelos compridos, as bandas ingleses optaram por não ter um assim chamado uniforme de tribo. Paradoxalmente ao investirem na simplicidade das roupas do dia-a-dia como camiseta, jeans e tênis, acabaram também por criar um uniforme. É inegável ver os tênis Converse All Star, o agasalho esportivo, as camisetas com listras, o cardigã também listrado, a camisa pólo, o blazer, a jaqueta jeans, ou mesmo os óculos de aros redondos e não associá-los ao Britpop, nem tanto com o produtos originais (o tal óculos de aros redondo é símbolo da obsessão do Oasis pelos Beatles), mas pela combinação das peças. É interessante fazer um parelelo que essa mesma limpeza – de ter as roupas essenciais – que ocorre no Britpop também está acontecendo de uma outra forma na moda de passarela dos anos 90 com o minimalismo e o desconstrutivismo que reinaram durante toda a década. Sendo assim podemos concluir que a volta histórica que o Britpop faz aos seus ancestrais musicais procurando o que era da essência do chamado rock inglês também acontece com a sua moda e com a moda do mundo na época, pois nos anos 90 procurou-se a essência da roupa, suas linhas mestras, sua melodia primeira e até a essência do que seria o bom gosto, não à toa a Prada surge reinante no final do século 20.

Apesar de discordar da ordem, esses vídeos são uma boa forma de ver o estilo e relembrar a música do Britpop

OS ANOS 80 – UM RECORTE

1982_06052009_1
Os anos 1980 parecem nunca terminar, pelo menos para quem vive na primeira década do terceiro milênio. Desde o começo dos anos 2000 que sinais de revisitação da chamada década perdida (nome dado pela imprensa para a estagnação econômica dos países latino-americanos na época) são sentidos na música, nas artes e na moda. Mas é interessante notar o quanto é muito peculiar a visão que os jovens de hoje tem em suas releituras da década de 80. Eles enxergam liberdades em um período que foi completamente conservador em relação aos anos 70 e 60.
Em política, a eleição do republicano Ronald Reagan nos Estados Unidos e da dama de ferro Margaret Thatcher na Inglaterra selou uma nova era pra economia mundial: o neoliberalismo sem intervenção do Estado. O hoje chamado reaganismo sofreu sua mais dura apunhalada pelas costas pelo próprio capitalismo que o alimentou. A crise hoje, de 2009, tem sofrido uma dura intervenção do Estado na compra de bancos e empresas falidas, algo impensável e totalmente condenável nos anos 80.
Em artes, foi a década que assistiu a volta à pintura, às telas, depois de duas décadas de arte conceitual. Muitos críticos acreditam que foi uma armação das galerias pra poderem ter objetos para vender – já que as performances e intervenções eram bem pouco palatáveis como produto para muitos compradores de arte -, mas a força ainda hoje de quadros como os de Anselm Kiefer colocam em xeque esse argumento. Assistimos hoje, em São Paulo, depois de todo maneirismo do conceitual já super inserido e amansado dentro da chave do mercado das artes, novamente uma volta à pintura. Esse retorno está sendo realizada por jovens artistas que como a Casa 7, tem uma fixação por números em seu nome, o chamado coleitvo 2000 e Oito e também por artistas como Rodolpho Parigi e Marcos Brias.
Foi nos 80 também que o curador avançou terreno se transformando em artista ou pensador. O caso da curadora Sheila Leirner na Bienal de São Paulo em 1985 que juntou todas as obras do chamado neo-expressionismo em um grande corredor que ficou conhecido como a Grande Tela denota a importância nunca antes sentida e obtida por um curador. Ao utilizar o artista a favor de seu discurso e pensamento, o curador funda uma nova fase nas artes, no qual ele mesmo pode ser visto como artista.
Também é nos anos 80 que o grafite ganha status de arte e passa frequentar galerias, um contrasenso para alguns críticos para com a chamada arte de rua. Para eles, essa operação de levar o grafite para a galeria o enfraqueceu como manifestação espontânea.
grandetela85
A Grande Tela, 1985, o curador como artista

Hoje temos a figura do curador como persona central nas artes sedimentada lá nos anos 80, mas o impasse do grafite e das manifestações da chamada arte de rua parece ainda não solucionado. Basta lembrar do lamentável caso da prisão de uma pichadora por intervir na última Bienal, a de 2008, conhecida como Bienal do Vazio. Ao invadir o espaço do curador, o chamado andar vazio do Pavilhão da Bienal, ela – a pixadora – afrontou o pensamento construído pelo então curador Ivo Mesquita e sua escudeira Ana Paula Cohen. Questões essas estavam todas sendo debatidas nos anos 80, só que naquela década de forma mais progressista e menos opressora.
Em música pop, temos um profusão de gêneros vindos da avalanche punk: new waves, new romantics, os inúmeros estilos hardcores até o grunge. Todas mais comerciais e menos radicais que o punk. Temos também a entrada do hip hop e com ele a música eletrônica começa a ganhar mais espaço, afinal até o rock começa a se utilizar de sintetizadores. Mais pro fim da década, a acid house, a hpsue e o techno saem dos guetos negros de Chicago e Detroit e ganham as rádios. O que se relê hoje da música dos anos 80 é principalmente o rock, talvez a faceta mais acessível musicalmente da década. Em contraposição aos 90 e a música eletrônica que de certa maneira sai da lógica tonal para algo mais modal e experimental, podemos hoje dizer que as novas bandas de rock que tanto sucesso fazem são responsáveis por um certo retrocesso musical dentro de certo contexto, pois além de muitas delas serem pastiches de bandas dos anos 60 e 80, por mais que gostemos de suas sonoridades, elas apontam para uma regressão da audição para o tonal mais palatável, o mesmo acontecendo com uma boa parte da música eletrônica que nos anos 2000 ficou mais comercial, repetitiva – não como as escalas modais pedem mas de ideias. A house bate-cabelo que o diga, ou grite.
Uma nota importante: A rainha do pop Madonna criou um estilo próprio no começo de sua carreira, nos anos 80, com luvas de rendas, faixas na cabeça e colares com crucifixos e símbolos religiosos. Hoje, ela simplesmente segue as tendências.
Por fim, a moda. Nos 80 temos a revolução japonesa causada pela chegada de Rei Kawakubo e Yohji Yamamoto em Paris, somando com outro nome, Issey Miyake, estava formado aquilo que seria conhecido como japonismo. O preto toma conta das passarelas, assim como novas formas e tecidos tecnológicos, experimentações de novas silhuetas. Looks que lembravam os mendigos recebe dos críticos de moda o nome de pauperismo. Do lado ocidental, o ultra sexy de Azzedine Alaïa, Claude Montana e Thierry Mugler também ganham notoriedade assim como o deboche de Jean-Paul Gaultier, que na época era chamado de “enfant terrible” da moda. No fim da década contra todo o conceitualismo do japonismo que reinou no imaginário da moda surge o barroco de Christian Lacroix.
vintage-comme-des-garcons-1987-80s-1980s
Vestido Comme des Garçons, 1987: pauperismo, preto, japonismo, revolução

A força das idéias inovadoras do japonismo não parecem ter tanta força hoje na releitura que temos dos anos 80, nem o barroco de Lacroix que está em processo de falência com sua marca. O foco hoje é mais voltado para o chamado power dressing, isto é, uma roupa que indica o novo poder econômico que mulheres ganharam nos 80. Então ombreiras, blazers estruturados e cintura alta são os itens em alta nessa incansável revisitação que os anos 2000 estão fazendo de uma década que foi muito plural, mas essencialmente conservadora. E pela leitura progressista que a geração do terceiro milênio faz dela, comprova que vivemos tempos mais conservadores ainda.
power dressing_2
Power Dressing: Força nas ombreiras

[Esse texto revisto e ampliado foi publicado de forma mais resumida no site da TAM]

OI? FASHION ROCKS

0,,31506462,00
Talvez o que mais foi esclarecedor pra mim no Oi Fashion Rocks foi Wanessa imitando as cantoras pop americanas, escondendo uma certa vontade de Shakira – “a cucaracha que chegou lá”. Não existe novidade nessa comparação da neta de Francisco com as J.Lo e Beyoncé da vida, mas é bem claro que revela essa vontade do Brasil de entrar realmente no primeiro mundo da cultura, seja ela pop ou erudita. Wanessa é do mesmo sinal que o desejo que temos ao querer que nosso país leve o Oscar de melhor filme estrangeiro ou que nos fez radiantes por demais diante à vitória do Rio para sediar as Olimpíadas em 2016 e, porque não, ser o palco do primeiro Fashion Rocks da América do Sul. Enfim, Wanessa resume e explica o Oi Fashion Rocks. É a tentativa de shakirização do país.
Pena que essa atitude é feita pela cópia, seguindo modelos e não pela originalidade, para dar uma resposta diferente ao mundo.
Mas voltando ao Fashion Rocks, apesar do nome fashion, ele é só um mero coadjuvante. A moda fica sempre em segundo plano, e não é só na transmissão que foi feita aqui, quem já assistiu outras edições sabe que se vê pouca roupa pois a atenção das câmeras tambem tem que estar na banda que está tocando. Talvez a desculpa com fundo excludente seja que “todos” já viram esses looks nas coleções passadas. Tá, se a visibilidade das roupas é prejudicada na televisão/internet – que é o elemento de grande importância desse evento – então porque chamar, no caso brasileiro, uma grande stylist como Katie Grand, se mal vamos conseguir ver o trabalho que ela fez com as marcas, como ela editou e pensou cada uma. Não consegui, nos vídeos que assisti, entender um pensamento da fofa. No fim, as modelos fazem mais uma participação coreográfica de fundo. Esse pra mim é o grande ponto fraco do Fashon Rocks, não se vê moda em nenhum canto, existe uma miragem de moda. E até agora esse problema não foi resolvido seja no primeiro mundo seja no mundo de Shakira.
Outra coisa que me parece menos ruim, mas é muito desagradável, é a falta de organicidade entre música e moda no evento – novamente não só no Rio, mas em todos os que assisti na tv. Explico melhor, o que os estilistas criam e refletem nada tem a ver com a música que é tocada. Um exemplo hipotético: na trilha da Dior Homme de Hedi Slimane pensa-se exatamente em Franz Ferdinand ou The Libertines mas o Fashion Rocks nunca se atentaria a isso e poderia por exemplo chamar o Dj Tiesto pra tocar para a Dior de Slimane. Não há como preocupação primeira o verdadeiro diálogo com a moda e a música. No caso brasileiro, tivemos um golpe único de sorte, com a substituição de Lulu Santos, que está com problemas de saúde, pela banda Stop Play Moon no desfile de Alexandre Herchcovitch. Que estrela tem Herchcovitch, pois teve como vocalista a sua musa máxima Geanine Marques que é da banda. Fez todo sentido. Eu adoro Lulu, mas ele não tem nada a ver com Alexandre e seu universo. Mas bem que seria interessante ver ele cantando: “eu vejo um novo começo de era…” e aparecer um monte de caveira do estilista na passarela.
Tudo bem, acho que Daniela Mercury pode dialogar com Lino e Grace Jones com Marc Jacobs mas o resto faz muito pouco sentido.
E é pelo elogio da performance de Grace Jones que percebemos outra falha, a falta de boas imagens da música (já que a moda fica apagada, de fundo, cabe à música produzir imagens), imagens que marquem, provoquem, encantem. Grace foi a única que soube fazer isso e com sua simples troca de acessórios e uma capa muito especial derrubou a farofa da macumba da Mercury, os bailarinos da Mariah e a lamentável escola de samba no final, pra marcar que estamos no Brasil (ô pobreza). Foi incrível que nas 3 músicas, Grace criou impacto só na troca de máscara e chapéu e conseguiu produzir uma imagem poderosa que ficou lindo no vídeo com a apoteose dela cantando “Slave to the Rhythm”.
O resto sinceramente pra mim foi OI?
0,,31222332,00
Donatella, te amo até mais que seu preenchimento labial, OI?

DE LUA – O FUTURISMO NA MODA


Exatamente às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos do horário de Brasília, do dia 20 de julho de 1969, o homem chegou à Lua. “Este é um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade” disse o astronauta americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar em solo lunar. E ao avistar a Terra de lá, tirou “as tais fotografias em que apareces inteira, porém lá não estavas nua, e sim coberta de nuvens”.
Passado 40 anos, esse momento poético da tecnologia visto por cerca de 1,2 bilhão de pessoas é ainda um assombro. Esse pequeno grande passo da humanidade encerra uma das décadas mais alucinadas de toda a história do homem. A década de 60 se encerra no Mar da Tranquilidade.
Nesses dias de comemoração dessa viagem fabulosa – em todos os sentidos que tem essa palavra – um amigo disse que propriedade, o Homem chegou à Lua em 1969, mas o Cinema já tinha ido pra lá em 1902 com Georges Méliès – o pai da ficção no cinema – com seu estrondoso “Le voyage dans la Lune” (“Viagem à Lua”).

Se o Cinema chegou antes dos homens na Lua, a Moda também vestiu e imaginou a roupa espacial um pouco antes dos acontecimentos, talvez excitada pelo discurso do então presidente John Kennedy no começo dos anos 60 dizendo que o homem iria para o espaço e chegaria na Lua.
O futurismo em artes plásticas, poesia, música e arquitetura aconteceu na década de 10, mas igualmente ao futurismo na moda que é dos anos 50 e principalmente 60 nas personas de Pierre Cardin, André Courrèges, Paco Rabanne, o dois movimentos tem em comum e como princípio uma violência com o passado, de negação até, o olhar é para o futuro, sempre.
25276-large Pierre Cardin, 60’s
Se o futurismo de 1910 se apoiava na guerra, de alguma maneira o futurismo de 1960 se apoiva na Guerra Fria e no seu resultado mais emblemático: a corrida espacial. Pensar o futuro era pensar na roupa que vestiríamos no espaço, quando nossas vidas não seriam apenas na Terra. Os looks de um filme hoje clássico como “2001, Uma Odisséia no Espaço”, poderia muito bem ter saído de uma coleção de Cardin.
2001stewardess032001stewardess01
dois looks de 2001
É sintomática na década de 60 – e talvez em todo o século 20 até aquele momento -, a fé no futuro e no progresso e como isso naturalmente nos traria um mundo melhor. Pensar pra frente, nunca olhar pra trás, uma dinâmica do modernismo que começa a perder sentido poeticamente no Mar da Tranquilidade, pois passado uma década, já nos 80 começariamos a olhar sempre para trás, para o passado. E no caso da moda, esse movimento é muito mais acentuado.
courreges
Courrèges, inspiração forte para o hoje chamado retrô-futurismo
Mas é sempre importante ressaltar a força propulsora do futurismo com sua dinâmica de seguir em frente. Foi unindo signos do futurismo e olhando para trás, para a história da moda, que Hussein Chalayan fez – na minha opinião – a entrada da moda no terceiro milênio em 2006.
'
Hussein Chalayan, verão 2007, look inspirado em Paco Rabanne
Bom, tem um amigo que diz que na Música, o homem já chegou em Marte desde 1972 e trouxe até umas aranhas de lá.

COSTANZA E EU

costanza_blog
Matéria paga pau, mas eu pago pau mesmo pra Costanza Pascolato sem nenhum constrangimento. Em uma entrevista longa [que boa parte foi editada para o bem do ritmo de uma matéria], porque também aproveito pra conversar com ela sobre a moda e o mundo, ela falou de seu novo livro “Confissões de Costanza” que vai ser lançado no mês que vem, música – que foi o nosso elo de contato e foi assim que começamos a conversar sempre em todas as temporadas – e é claro, moda. Tudo isso, pela visão dela, sempre particular, articulada, meio olho de Tândera ou como em uma outra conversa, eu e Alcino chegamos a uma conclusão, Costanza é nossa maior pensadora de moda!
Veja como foi!

MODA E MÚSICA

Convite Modamusica3 2
Moda e Música é o novo programa da Fashion Tv que estréia dia 26 de junho. São 13 episódios que cobrem alguns dos importantes movimentos musicais do século 20 e 21 como o hip hop, o punk e o funk carioca.
É um projeto que tenho muito orgulho, pois foi criado por mim e Ariel Jacobowitz faz um ano e finalmente se materializou, apesar de toda a correria que foi e está sendo para finalizarmos os episódios [fiz 13 roteiros em menos de três semanas, tipo loucura mesmo].
Foi com muita emoção que vi hoje o primeiro sobre o Rock e, apesar de todo o envolvimento, achei que ficou incrível [desculpem a falta de modéstia, mas achei mesmo]!
Aqui está o link do teaser ainda não finalizado que iremos apresentar no SPFW, no domingo, dia 21. Ele teve algumas mudanças , mas dá para ter uma idéia do que vai ser o programa.
Convite Modamusica3

AINDA MARC JACOBS

Ele no clipe do Sonic Youth no começo dos anos 90. Existia algo de grunge no ar!