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SERÁ QUE KATE MOSS CONTA TUDO?

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No Facebook deu, nesses testes bizarros e viciantes, que eu era a Kate Moss, – amo esse nonsense cigano – e Lula Rodrigues me escreveu e lembrou da chamada silhueta waif, termo que surgiu com Kate Moss. Os críticos na época, pouco acostumados com o look mignon da fofa – lembrem-se que vinhamos da época das poderosas, gigantescas e curvilíneas supermodels -, diziam que com a inglesa vivíamos tempos de uma nova silhueta, a waif – a palavra significa menor abandonado, menino de rua, mendigo. Claro que tinha algo de venenoso e pejorativo nesse termo, mas com o tempo, o estilo das meninas meio andróginas, sem curvas, levou também na moda o nome de waif. O começo dos 90 é o tempo de Kate Moss e sua fotógrafa Corinne Day e portanto do chamado waif style.
Nessa época ela grava um importante comercial para a Calvin Klein com o então rapper que se tornaria ator Mark Marky, quer dizer, Mark Wahlberg.

Lembro claramente da época que ainda Kate falava. Agora é eternamente muda para a imprensa [sábia].
Ela apareceu na MTV e disse sobre o comercial que tinha meio achado chato a gravação, dando a entender que achava Mark um imaturo pois precisava entrar no estúdio de fotografia em bando, ficar zoando o ambiente e ter uma postura meio de criança. Ele responde mais tarde que prefere mulheres com curvas a Kate Moss e que se sentiu abraçando seu sobrinho ao agarrar a modelo para a publicidade da CK. Quer dizer, rolou um estranhamento geral.

Bom, quando esteve no Brasil, ela se encantou pelo Dj André Juliani, no antigo PIX ofereceu até uma grana pra ele tocar pra ela em particular, dizem. Mas ele, na época casadíssimo com Ana Baravelli declinou o convite. Claro que foi uma passagem bafo pela modernidad paulistana… Kate sempre causa e isso eu gosto dela.
Lendo a Lilian Pacce hoje fico sabendo que Kate Moss vai lançar sua autobiografia. Será que ela conta esse caso inteiro, esse estranhamento com o Mark? E a passagem pelo Brasil, será que ela lembra de algo ou teve amnésia alcoólica? E o lance do padê com o Pete Doherty? Será que ela vai contar tudo?
Bom, se contar metade o livro vai ter umas 1000 páginas no mínimo…
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AUSENTE NA CASA DE CRIADORES, PRESENTE NO AMIGO SECRETO

Dessa vez pulei a Casa de Criadores [depois de presente em 11 edições vendo todos os desfiles], até queria ir mas o trabalho acumulado me impossibilita. Planejei ir no último dia, hoje, mas acho que também não vou, mas uma análise muito interessante do evento foi escrito por Luigi Torres em seu blog.
Do que vi até agora, me chamou a atenção:
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A cintura de João Pimenta.
E antes que o coro da ignorância comece com aquela imbecilidade-lenga-lenga de: “Você gosta, mas não te vejo vestido assim”. Respondo de pronto que não precisa ser gay pra desabonar ações homofóbicas, nem negro pra ser contra o racismo, da mesma maneira não preciso usar saias pra exigir avanços na moda masculina. Hello, isso se chama tolerância!
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Os volumes positivamente estranhos de Rober Dognani que assisti de pé no primeiro dia pois esperava amigos queridos da moda, [sim, isso é possível se trabalharmos na chave fora do senso comum que adora desprezar os fashionistas, sorry, mas nem todos são deslumbretes alienetes du boquetes] para trocarmos presentes. Foi um momento rápido, doce, uma brisa nesse dia super quente.
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O irmão do Marlboro tirou o irmão do Walério

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8 olhos, pois esses dois adoráveis não deixam passar um detalhe

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Será que é água de xuca?

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Amigos nada secretos

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O baile todo!

As bunitas na foto são Jorge Wakabara, Jana Rosa, Lula Rodrigues, Vitor Angelo, Didi , Ricardo Oliveros, Glauco Sabino, Luigi Torres e Laura Artigas!

Minha amada Dra Vodca Adelaide Ivánova me tirou mas teve que ir embora mais cedo [adorei muito o presnete] e Denise Dahdah tava em fechamento [acho tão gay esse lance de fechamento].

CARIOCAS EM AÇÃO: LULA RODRIGUES E MARCIANA

Marciana, uma das jovens marcas mais interessantes do Rio faz uma promoção bem bacana para seus clientes e não clientes, prometendo um mimo fofo e no caso da marca, deve ser mesmo. E vai até 6 de novembro. Para saber melhor o regulamento, clique aqui

E Lula Rodrigues, que você já deve ter acompanhado por aqui o quanto ele entende de moda masculina, fará uma palestra super interessante no Senac Rio. Vale muito ouvir cada palavra dele. Vai acontecer no dia 7 de outubro!

SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA E O UNISSEX


Sobre a última temporada de moda masculina e seu feminino é sempre bom ver outras visões não menos importantes, o sempre incrível Mario Mendes e suas observações afiadas fazem uma análise sobre a tendência dos pijamas nas passarelas e sobre uma moda mais relax, mais confortável que parece reinar também entre os criadores fashion – todos sabemos que cada vez mais os homens preferem o conforto, por isso mesmo a resistência à gravata, ou melhor, ao terno como uma roupa natural do seu dia-a-dia. A grande maioria só o usa por motivos profissionais e parecem felizes ao fim do dia ao se livrar de seu espartilho. Quem sabe é o final mesmo de um ciclo do terno como a principal roupa para os homens…
Quem será nosso Poiret? Quem será nossa Chanel?

Osklen inverno 2008, tanto para meninos como para meninas

Ao ver o penúltimo desfile da Osklen, seu inverno 2008, vi com felicidade e surpresa uma possibilidade para a moda masculina e no geral para o streetwear. Ali tinha algo unissex que poderia ser um possível impulso para a moda masculina.
No dicionário Houaiss, o termo unissex é adjetivo de dois gêneros e dois números que pode ser usado tanto por homens quanto por mulheres (refere-se especialmente à moda, como tipo de roupa, calçado, corte de cabelo etc., ou a serviços profissionais)
O termo não poderia ter surgido senão na década de 1960, época que os gêneros foram postos em xeque.

Você acredita no unissex como uma possibilidade de arejar a moda masculina? Ou não? Como vc vê o unissex?

O unissex já rolou na moda e sempre achei que quem sai perdendo é o homem, que fica feio, meio caricato. O unissex é um dos caminhos apontados para o futuro da cosmética. A direção foi concluída numa feira internacional que rolou em Bolonha, no começo do ano [N.E. é possível que a beleza novamente sinalize algo na frente das roupas com o suspeito].

Cher e Sonny
Com relação à moda, pode ser que role. O século 16 foi masculino, no 17 a mulher começou a aparecer, vide Maria Antonieta, Pompadour e outras. O 19 foi masculino e no 20 a mulher conquistou tudo o que falamos acima.
Acredito que o século 21 seja de armistício entre os gêneros, seja um século misto, unissex. O homem assume seu lado feminino para se equilibrar com o masculino da mulher, que bomba desde o final dos ano 90, quando ela chegou ao topo nas corporations, virou provedora do lar. O homem leva os filhos ao pediatra e à escola. Na cama, eles se entendem cada vez mais. Ueba! Pode ser uma viagem de aquariano dragonino.
Por outro lado, o homem cada vez mais caminha para descobrir que sua moda é bacana, por mais que muita gente a ache chata e entediante. Onde há fumaça, há fogo. Tudo o que te contei aqui, está contado detalhadamente no meu livro.

Bom, aqui encerra a semana Lula Rodrigues no blog, pra mim foi uma grande honra ele ter respondido às perguntas e se debruçado nessas questões da maneira que fez, ainda mais que está finalizando um livro sobre o assunto, o Almanaque da Moda Masculina que sairá no começo do ano que vem pela Senac Rio. Pra mim, repito, já nasce clássico!
Adorei também todos os comentários e a discussão que a entrevista suscitou na blogosfera.

SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA E SEU PULO DO GATO, OU MELHOR, SEUS NOVOS CAMINHOS


Uma preocupação minha em relação ao que vimos nas passarelas do verão 2009 com a afirmação desse homem mais feminino, foi saber exatamente se seria mesmo uma aposta efetiva dos criadores de moda ou apenas uma jogada de marketing de algumas grifes para se autosacralizarem modernas e antenadas. Então continuando minha conversa com Lula

Esse homem é uma sinalização de mudança ou é apenas decor de passarela dos estilistas, uma modinha?

Nada de modinha. Dos estilistas sérios, este homem é estudo, laboratório e divulgação. Quer uma prova? Estamos falando nele agora e você, espero, vai publicar esta matéria em seu blog. Estamos divulgando um embrião de uma mudança que, não tem mais jeito – vai rolar.

Raf Simons verão 2009
Paremos para pensar. Há 20 anos, estaríamos agora falando do homem e sua moda? Os ciclos para reflexões sobre o tema estão cada vez mais curtos. O que rolava em 10 anos agora acontece em 5. O neologismo metrossexual foi criado em 1994. Ninguém deu bola. Em 2002, David Beckham foi eleito o padrão. Bombou e o mundo descobriu um novo homem. O retro, o über, o techno, o homem alfa, o beta, o power seeker e o neo-patriarca, nasceram e sumiram em 2 anos. Hoje o “homem sem rótulos” – o que já é um rotulo – é a bola da vez.

Johnny Depp e seu estilo retro man

Alemão, o homem alfa brasileiro

Se analisarmos esse homem, veremos que o formato surgiu nos 80´s num evento – New Man – pilotado por ninguém menos do que o Paul Smith, em Londres. Rolou o que foi batizado de newmania_ou mania do novo homem. Acabou, foi reeditado em 90 com o boom do consumo masculino _ de moda, passando a carros & gadgets – nas revistas para homens. São ciclos que se fecham cada vez mais curtos. Professo a minha fé no mantra que diz: água mole em pedra dura, tanto bate até que vira comportamento & moda masculina.

Qual seria o pulo do gato para a moda masculina? Você me disse que a Prada, a Osklen, o Raf Simons estão tentando esse pulo…

O pulo do gato? A expressão já diz tudo. Pulo do gato não se conta, se faz e, depois se vende hehehe. São os criadores que têm que rebolar para terem os seus diferenciais, seu pulos de gatos. Prefiro a palavra caminhos. Se eu descobrir até terminar o meu Almanaque da Moda Masculina [N.E. com certeza já um clássico], eu prometo que, esta reposta estará no livro. Segundo os estudiosos, o caminho é continuar pacientemente com o mantra: água mole em pedra dura …

SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA E O NOVO HOMEM


Antes de mais nada quero deixar claro aqui que quando digo e legitimo um discurso autônomo do streetwear em relação à alfaiataria é porque penso que muitas das amarras da moda masculina passam por essa questão. Não é negar a alfaiataria, de maneira nenhuma, até porque minha crítica não passa por ela enquanto processo de fazer roupa e nem a desautoriza como uma grande contribuição do Ocidente para a vestimenta masculina, mas sim questiono hoje a sua idéia, sua lógica cartesiana. Penso nisso muito dentro de um mergulho da minha memória por um desfile memorável de Karlla Girotto para o verão 2007. A estilista já vinha discutindo o gênero assim como algumas coleções masculinas de Herchcovitch, mas dessa vez ela fez um tratado sobre a moda masculina e feminina.
A moulage faz a mulher flutuar, é pura poesia que enlaça o corpo, já a alfaiataria é mais pesada, medida, mais pé no chão. Será que o streetwear não poderia ser a moulage da moda masculina? Será que não chegou a hora dos homens encontrarem mais poesia em suas roupas?
Por fim, dando uma de Caetano Veloso, é importante ressaltar que a saída também pode estar na alfaiataria, tudo é possível, ou não…

Karlla Girotto, os opostos se atraem
Voltando a questão do gênero, o feminino parece querer sair do armário do homens. Veja uma grife tradicional como a YSL, por exemplo…

ser um homem feminino – YSL verão 2009

Faz algumas temporadas que a Prada tem investido em um homem mais feminino. Nessa temporada aqui e lá fora, esse homem parece dominar as passarelas. O que realmente desse homem pode chegar às ruas, já que os homens são muito conservadores na hora de vestir?

Prada verão 2009

Prada verão 2008

Prada verão 2007

A Miuccia [Prada] e o Raf Simons encabeçam uma lista de criadores que trabalham um laboratório de mudanças fundamentais no closet masculino. Mas, não são loucos a ponto de fazerem roupas que não vendam. A Miu Miu masculina – a mais criativa, segundo Colin Mc Dowell para meu blog - acabou, o foco lab agora é na Prada. Na Jil Sander, Simons está preso a contrato de vendas. Na sua signature line, pode fazer experimentos e leva-los para a grife Jil Sander.

Miu Miu verão 2007
Isso vem acontecendo desde os anos 2000, digamos, sendo generosos. Acredito que tais mudanças, tais laboratórios estejam conectados à procura da nova silhueta do terno executivo contemporâneo. Por um simples motivo: quem EMPLACAR a nova silhueta do terno do homem de negócios, do estadista, do clero sem batinas e e afins, e não apenas nos fashionistas e modernos, entra para o hall of fame da moda contemporânea, ou melhor, em letras garrafais, entra para a HISTÓRIA.
Vale lembrar que tudo começou em Versailles quando os alfaiates de Luiz 14, tiveram a idéia brilhante de fazer as 3 peças num mesmo tecido, estampa e cor, estava criado o terno de 3 peças: calça, paletó e colete, – daí terno. Depois, tudo foi adaptação.
Para encurtarmos a história, nos 60´s Pierre Cardin, criou o terninho curto e justo, sem lapela que foi devidamente copiado, renovado e usado pelos Beatles, via o seu empresário. Foi copiado por modernos e fãs do mundo inteiro. Acabou, saiu de moda. Já não me lembro quantas vezes fiz matéria no Ela [caderno do jornal O Globo], tendo como pauta, o novo terno.

Se você observar, tem no mínimo uns 10 criadores apostando na nova silhueta. Foi tema de pesquisa do WGSN [bureau de tendências] _ a nova alfaiataria. Fazer uns poucos fashionistas usar é simples. Nada fora do normal. Agora, convencer todos os homens de negócios do planeta usarem – de Nova York a Xangai _ ai são outros quinhentos. Quero estar vivo e bem esperto, velhinho, para ver … e adotar, of course, a novidade hehehe.

SEMANA LULA RODRIGUES: MODA MASCULINA, O STREETWEAR E A ALFAIATARIA


Particularmente acredito que o avanço da moda masculina está no streetwear, mas não gosto de vê-lo subjugado à alfaiataria. Por exemplo, tanto o Marcelo Sommer como o Alexandre Herchcovitch só começaram a ser valorizados quando começaram a aplicar uma alfaiataria mais elaborada ao seu streetwear. Penso que o streetwear deve ter seu valor em si e não acoplado à alfaiataria. Sim, a alfaiataria é um dos valores máximos da roupa ocidental e ocidentalizada para os homens, mas tenho a leve intuição que ela se esgotou, seu modelo cartesiano está com os dias contados. Mas é só uma intuição…

As marcas de streetwear só recebem aval da moda quando dominam a alfaiataria. Realmente ela é tão importante assim ou a alfaiataria é uma adequação do streetwear às normas do “bem vestir” tirando o seu espírito mais libertário?

As marcas de streetwear têm seus próprios códigos e seu próprio público, no espaço que um dia foi gueto. Não precisam ter aval da moda mainstream.
Por que o Monsiuer Bernalt Arnault da LVMH levou o Marc Jacobs e esse levou para o templo Vuitton o Pharrell Williams? A Chanel tem o olhar do kaiser generoso para a moda das ruas, o que faz com que ele esteja na direção da maison há 25 anos. Por uma simples questão: vendas … vendas … vendas.

pharrell + jacobs
Vivemos uma era de mudanças dos jogos do poder. P. Diddy senta no front row da Dior Couture, ao lado da Anna Wintour, para prestigiar as criações de Galliano, que nunca escondeu seus fundamentos street culture (isso está no documentário “Mulheres no Poder”, exibido pelo GNT, que deu muita pista para o filme o Diabo …).

Sean “P. Diddy” Combs
A adequação da moda de ruas aos cânones da alfaiataria é conseqüência de seu crescimento. O jovem saiu do gueto e precisa trabalhar nos universos corporativos, tendo já passado pela universidade. Por que não lhe dar opções formais dentro do seu universo de consumo?
O tema já foi capa da revista DNR, mostrando o que é o streetwear contemporâneo. É preciso, no entanto, que entendamos esse movimento não como caretice ou adequação aos modelos dos brancos, e sim como um crescimento, maturação. O branco mainstream bebe continuamente na fonte da cultura das ruas, que se espalhou por todo o planeta. E, como diria a fake Miranda/Wintour, do filme _ não gosto_ Diabo veste Prada: “that´s all”.

SEMANA LULA RODRIGUES: A MODA MASCULINA, COMO ANALISÁ-LA E COMO PERCEBER A CONTRIBUIÇÃO DAS RUAS E DOS NEGROS


Lula apontou e esclareceu algo importante no momento de fazermos a crítica e observação da moda masculina: ela evolui através dos detalhes, ela é, em certo sentido, metonímica. enquanto a moda feminina é metáforica. Para entendermos melhor a roupa masculina temos que ficar atento aos detalhes, é uma moda microscópica, enquanto a moda feminina hoje é uma questão do todo, é macroscópica. Por isso se ficarmos apenas reparando nos itens ou looks não compreenderemos as finas mudanças que ali se procede, a moda para os homens é muito mais sutil. Quando Sylvain escreve elogiando a Iódice masculino para susto de muitos fashionistas, ele está exatamente reverenciando e anunciando o detalhe, vendo através de uma lupa que mudanças importantes estão ali acontecendo.
Continuando…

O fato de você estar ligado ao streetweat e a cultura de rua é porque vê nessa manifestação uma possibilidade de avanço da moda para os homens? O que te interessa no streetwear?

É claro que a moda das ruas e sua cultura promove um avanço no visual masculino, o torna mais glamuroso e rico até demais. Ajuda ao homem a ter menos grilos com sua vaidade. Os rappers são super vaidosos e ostentam isso. São uma espécie de Luizes 14 contemporâneos. Tem seu códigos de beleza e são replicados e copiados por todo o planeta. Suas imagens vendem de cds/dvds a roupas a até cosméticos masculinos.

Mas é preciso que entendamos também suas mudanças. O streetwear desenvolve cara nova. Antes de criticá-lo como um processo de caretice ascendente, é necessário um olhar mais generoso para descobrir que tais mudanças fazem parte de um crescimento e maturação. O jovem do gueto de ontem, hoje tem emprego em Wall Street, é advogado de rappers, ou trabalha em ofícios que exigem dele roupas formais.
Veja a quantidade de perfis e a grande participação do negro americano numa revista mainstream como a Men’s Vogue, inclusive a regularidade de celebridades negras em suas capas. Vale lembrar que na Vogue feminina, modelo negra na capa fazia a revista encalhar. Quando Ralph Lauren usou uma modelo negra em sua campanha, o fato foi parar na revista Time. Quer mais preconceito ?

Já a versão masculina da revista, nasceu conectada no seu tempo. O street culture me interessa muito como um elemento que, por ser masculino acima de quaisquer suspeitas, propõe mudanças para o homem urbano e contemporâneo. Tem dinheiro, cash para pagar anúncios.

SEMANA LULA RODRIGUES: A MODA MASCULINA, OS GÊNEROS E A RELAÇÃO GAYS E MULHERES


Lula além de nos contar a evolução da moda masculina, faz deliciosas observações ensaísticas como: “A moda se torna mais austera no período vitoriano e a Revolução Industrial, no século 19, editou um burguês rico e discretíssimo, [...] Isso rolou no auge do Império Britânico e foi replicado por todo o planeta_inclusive no Brasil. Vivemos um momento em que os ricos tem que se disfarçar, se esconder em carros blindados. Alguma semelhança ??? É preciso que reflitamos”.
Só esse parágrafo me fez pensar muito numa resposta para aqueles que ainda vêem a moda como algo alienado. Com esse pensamento tão requintado, Lula criou a partir de suas constatações sobre a moda masculina, um reflexão sobre o estado de coisas hoje no nosso país.
Bom, continuando…

Sobre a questão do gênero pode-se falar que além do embate com os gays, existe outro com as mulheres e sua moda. Por que a moda masculina anda tão a passos lentos, essa é minha visão e é quase um consenso – apesar eu de odiar unanimidades. Você acredita nisso?

Temos que ir com calma. Levamos 4 séculos para chegarmos a esse padrão. As coisas no universo masculino demoram. São digeridas com calma. Têm seu ritmo. Por incrível que pareça, o homem muda continuamente. As mudanças mais relevantes não são notadas: são os detalhes. O homem médio, do povo, que eu chamo de “vox populi”, reage lentamente, mas absorve as mudanças, no seu próprio timimg. Depois faz delas uma verdadeira algazarra. Quer ver? Homem de brinco e tatuado há 10 anos, não era bem visto, gerava polêmica do tipo, brinco é coisa de mulher e viado, mesmo sendo os piercings e tatoos, acessórios de machos tribais. E hoje quando todo homem que se preza tem lá seus brinquinhos e piercings e, usa cabelo com gel e topetes espigados para cima (herança da estética punk tão em alta) e apostam em jeans com a lavagem da moda.

“Deus está nos detalhes” – brincos, piercings, tatoos, cabelos espetados

É preciso que sejamos indulgentes com ele. Não podemos assustá-lo e fazê-lo voltar à sua reclusão vitoriana. É preciso que mostremos a ele DELICADAMENTE_que ele pode ser alegre sem que isso macule seus temores de identidade sexual. Acredito que, em paralelo ao reportar as suas mudanças, nós da mídia temos que ser cautelosos. Não quero dizer endossando caretices e sim não compactuando com detonações banais, simplesmente dizendo que a moda masculina é mesmice e chatice, ueba, rimou. A meu ver, este é outro ponto de vista na análise da moda masculina contemporânea.
As mulheres modernas sempre os assustaram. Elas tiveram todo o século passado de mudanças; começaram com o direito de voto, roubaram as calças que eles levaram séculos para conquistar (lembram dos culotes ridículos?), ganharam a pílula, a minissaia, o power dress nos anos 80 e, na década seguinte, viraram o seu chefe: galgaram altos cargos no universo corporativo.

E o homem como ficou? Viu seus cânones serem quebrados na televisão com reality shows do tipo Queer Eye for the Straight Guy, que revelou um armistício entre heteros e gays_como o nome já diz.
Agora, podemos dizer que a moda masculina AINDA lida com identidades: de tribos e sexual. Eu disse ainda. O processo de mudança, é, no entanto, irreversível. É preciso que tenhamos paciência e eu tenho toda a paciência do mundo.

SEMANA LULA RODRIGUES: A MODA MASCULINA, SUA HISTÓRIA, SEU RITMO E A IDENTIDADE SEXUAL


Quando se fala em moda masculina, Lula Rodrigues é referência, sabe muito! Sempre que o encontro nas semanas de moda, quero saber suas opiniões antenadas sobre o que está acontecendo na esfera da moda para os homens. Nessa última SPFW, depois do incrível desfile da Reserva, falei que queria muito conversar com ele, com mais tempo sobre questões que me inquietam. Combinamos que eu escreveria para ele e travaríamos uma conversa por e-mail – Lula escreve no O Globo, é um dos blogueiros de moda mais antigos do país, tem uma revista de streetwear e cultura de rua – a Street Magazine -, sabe também muito sobre HQ e mora ainda no Rio (digo ainda porque São Paulo vai ganhar esse carioca de presente em pouco tempo). Ueba, como ele mesmo diz.
Bom, o Lula é tão querido e generoso que fez um tratado sobre minhas perguntas e como tem muita informação valiosa resolvi fazer uma semana Lula Rodrigues aqui no blog para que todos tenham tempo de digerir a quantidade de boa informação que ele traz.
Antes disso quero dizer que mais do que os criadores, acredito que os críticos da moda masculina realizam uma profissão de fé, (além do Lula, hoje Sylvain com seu blog e Oliveros na Playboy são boas indicações para entender melhor a moda para os homens) pois investem em um assunto que aparentemente parece menor na moda, já que todos ficamos mesmo atento ao que acontece na moda para mulheres, mas o amor deles com as roupas para os homens parece que começa a surtir efeito e a se espalhar.
Bom meu papo com Lula começa assim:

Na sua opinião, um dos entraves da moda masculina passa pela questão da identidade sexual ou não?

Com certeza, queiramos ou não, a identidade sexual é sinalizada pela moda masculina. Deixando de lado os arquétipos primitivos, este é um comportamento que rola desde o século 18, com o advento da Revolução Francesa. Foi logo depois deste evento, que o estilo da aristocracia inglesa, ligada no campo e numa vida menos cortesã, passou a ser referência na moda para homens.
É uma história longuinha, mas temos uma boa nova: estamos no pico de uma era de mudanças, de mudanças nas identidades homem X mulher, mas para fruir todos os movimentos, precisamos entender o papel do homem no seu tempo histórico.
Flash back: com Luis 14_o período barroco_ou século francês – ou ainda 17, o pavão atinge o seu ápice. A moda masculina de Versailles dava o tom e era copiada por toda a Europa e, conseqüentemente, por todas as colônias espalhadas nos outros continentes.

Luis 14
A moda da aristocracia era suntuosa e o Rei Sol controlava tudo. Depois, no período do rococó, o homem super luxuoso, delicado e super vaidoso virou um acinte, gerou mudanças sociais. Com a Queda da Bastilha, em 1789,onde ficavam presos os inimigos do rei Luis 16, a burguesia ascendente tomou conta da cena. Ser confundido com aristocratas, com suas roupas bordadas a ouro e prata, poderia resultar em guilhotina.

os ingleses ditam a moda masculina
A austeridade_ou melhor_ a simplicidade e praticidade do estilo dos aristocratas ingleses virou a refêrencia, que se adaptou aos novos tempos, e que dura até hoje. Por incrível que pareça, foi daí que começou um comportamento que travou a fantasia na roupa masculina e que chega aos nosso dias, revelado na pérola machista que questiona os mais audaciosos perguntando: “onde você comprou essa roupa, tem para homem ?”
No século 18, o dândi Beau Brummell – ao contrário do que muita gente pensa _ foi o responsável por um estilo “less is more” [menos é mais], que reforçou a discrição na moda masculina. Em termos de simplicidade no estilo, ele batia de frente com o príncipe regente e futuro rei George 4, que o bancava, pagava suas dívidas no jogo. Brummell “ajudou” aos homens a trocarem os culotes pelas calças. A data? Foi a partir de 1830. Foi ele também o responsável por instigar no inglês a paixão pela alfaiataria de Saville Row, que começou a ser construída entre 1731/35, no coração de Londres. Mais tarde se tornaria – até hoje – a meca dos adeptos da elegância discreta. O alfaiate inglês, é uma espécie de couturier para homens.

Beau e chic
A moda se torna mais austera no período vitoriano e a Revolução Industrial, no século 19, editou um burguês rico e discretíssimo, a sua mulher, ou amantes, vestidas com roupas ricas, criadas pelo pai da couture, Worth, usando muitas jóias, tais como parures de diamantes, por exemplo, eram o seu cartão de visitas. Davam o seu aval de poderoso, mas discretíssimo em sues trajes pessoais.
Isso rolou no auge do Império Britânico e foi replicado por todo o planeta_inclusive no Brasil. Vivemos um momento em que os ricos tem que se disfarçar, se esconder em carros blindados. Alguma semelhança ??? É preciso que reflitamos.
Aí entramos no século 20_ o século que tentou_eu disse tentou_editar um homem moderno, colorido, alegre e nada discreto. Foram muitas as tentativas_com força nos anos 1920 e depois a partir dos anos 1960, começou uma saga. A moda se propôs a mudar o homem, tentou reeditar o pavão do século 17.

Duque de Windsor, referência de elegância masculina
As tentativas resultaram em mudanças encabeçadas por homens de estilo. Do Duque de Windsor a Gianni Agnelli, por exemplo, chegando aos dândis modernos.

O dandismo passou a significar um homem afetado, colorido, extravagante, contrariando tudo o que pregava o Beau Brummell, pasmem, que era hetero convicto, e morreu de sífilis no exílio, na França, por ter caído em desgraça, ao, inadvertidamente, chamar o rei de gordo. No cenário masculino, dândi passou significar gay.
A partir dos anos 1960, o segmento gay começou a “sair do armário” e, a partir dos anos 1970, a mostrar o seu poder de consumo, de voto etc. e ganhar a simpatia da platéia em peça e depois filme Gaiola das Loucas, de 1973, e filmes tais como Priscila, a Rainha do Deserto, de 1995. Na entrada dos anos 2000, passou a interferir no visual do hetero. Com a edição do nosso último pavão_o metrossexual_ rolou um começo de uma nova era masculina. Eu disse o começo.


David Beckham, símbolo do metrossexual
O homem brasuca ficou com medo de dormir metrossexual e acordar gay. O susto passou. O metro e seus similares acabaram em 2005. O homem nunca _ eu disse nunquinha_esteve tão no foco da mídia com está agora. Nem mesmo Luiz 14, que tinha o seu estilo e elegância, difundido pelos journals de modes da época. Hoje, vivemos a era do homem mais bem informado de toda a história da humanidade. Começamos um novo ciclo masculino.