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CABELO CABELÊRA

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Louis Vuitton verão 2010

Sem dúvida, a presença de Obama na presidência dos Estados Unidos foi o maior acontecimento imagético dessa década. Já escrevi aqui sobre a força do black power e sente-se uma mudança de mentalidade positiva em relação aos negros nesses últimos anos, acentuada pela presença icônica da família Obama na Casa Branca sim. Mesmo que de forma lenta, progride-se em relação aos negros e o mundo editorial, aquele mesmo que prega que preto (não a cor) na capa não vende. Podemos perceber mais negros nas folhas das revistas de moda ultimamente, talvez modismo, talvez não…
Mas mesmo assim, uma espécie de mitologia do cabelo ruim cerca ainda os negros. Tenho amigas negras que ficam o dia inteiro no cabeleireiro toda semana, quase como um ritual.
Um comediante politizado e preocupado com as questões raciais como Chris Rock (o autor da série “Everybody Hates Chris” – “Todos Mundo Odeiam o Chris”) se sentiu intrigado quando sua filha Lola, quase chorando perguntou: “Como eu faço pra ter um cabelo bom?”
A partir daí, ele resolveu investigar a raiz desse problema na cultura negra, indo parar até na Índia no documentário “Good Hair”. Só esse mote torna o filme importante pra todos nós que temos algum interesse em beleza, a área da moda dedicada ao cabelo e a maquiagem. Mas encerrar por aqui seria redutor, acho-intuo que o filme pode nos dizer muito sobre nossos próprios preconceitos.

AS ROSAS DE HIROSHIMA

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Engraçado que os tempos de hoje parecem não ter o mesmo medo do Apocalipse programado pelas bombas atômicas que as gerações que viveram a Guerra Fria. Era muito comum na década de 80 matérias sobre o que fazer se uma bomba atômica caísse perto de sua casa, quantas centenas, milhares vezes tantos os Estados Unidos e a falecida União Soviética eram capazes, pelo seu potencial atômico, de acabar com o mundo, como seria a vida na Terra no Day After e até quais as roupas apropriadas para uma hecatombe. Enfim, o mundo desde a Segunda Guerra até o final da década de 80 vivia sob a tensão do fim do mundo e de uma guerra sem vitoriosos.
Acabou a Guerra Fria e percebemos que todo marketing era em boa parte propaganda política, pois os países continuam com um elevado potencial atômico e, pior, países rivais, como Índia e Paquistão, ambos detentores da bomba, vivem em constante tensão. Sem falar nas ameaças da Coréia do Norte. Isso quer dizer, o perigo não passou, ele só deixou de ser tão midiático como nos anos da Guerra Fria e por isso nos parece menos assustador.
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Nunca estive em Hiroshima, mas pra mim é um lugar importante no mundo, de um valor simbólico incalculável. Lá, o estilista Issey Miyake nasceu em 1935 e aos 7 anos viveu toda a catástrofe de uma cidade arrasada por um poder até então desconhecido. E 3 anos depois, com 10 anos, perdeu a mãe em consequência dos efeitos da bomba atômica e adquiriu uma osteomelite.
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Toda essa tragédia não impediu ele de dar uma resposta positiva e um presente ao Ocidente. Sua moda desde os anos 80, ligada ao japonismo e que revolucionou o fazer e pensar moda, é fresca, inquieta e viva. Seus plissados, suas cores fortes nunca revelaram esse lado escuro de sua vida. Até porque como disse na carta aberta ao Presidente Obama publicada no jornal New York Times/ International Herald Tribune, ele não queria ser conhecido como “o designer que sobreviveu à bomba atômica”.
Nesse carta, que é o motivo desse post, Issey Miyake pede para que o presidente Obama visite Hiroshima no dia 06 de agosto – o dia em que a bomba explodiu na cidade e que é considerado o Dia da Paz Universal -, já sem culpados e inocentes, sem remoer o passado, ele diz para o presidente americano atravessar a ponte da Paz da cidade num ato simbólico para reafirmar nesse momento que todas as desavenças devem ser superadas, pois o perigo ainda é eminente, mas que devemos dar um passo contra o pavor de uma guerra atômica. Issey Miyake nos ofereceu uma rosa, muito mais espetacular e bela que a estúpida rosa de Hiroshima que foi como a explosão foi vista pelas pessoas nas fotos.

ENQUANTO ISSO LONGE DA ILHA DA FANTASIA…

Sobre a posse de Barack Obama, Mario Mendes me conta que amou Aretha Franklin embrulhada pra presente.
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Veja mais sobre a posse de Barack , o estilo de Michelle Obama e a repercussão na moda e na questão do racismo em textos meu, do Leandro Nomura e da Camila Yahn no blog Última Moda.
E tem mestre Mario falando com propriedade dos looks de sra. Obama na Folha.

EU QUERO UM REI QUE DANCE

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Quando uma imagem perde tanto o controle como o que está acontecendo com a de Obama, caindo até na mão dos diluidores como diria Ezra Pound é sinal que já estamos no terreno da mistificação.
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Foi o que aconteceu no desfile das neo-patricinhas da 171, ops 284 no Rio Summer, é Claro!

OBAMANIA

Se na Europa, antes das eleições, Barack Obama já era uma verdadeira (jungle) fever, em Liverpool veio a consagração

Detalhe: O vestido de danadinha da Katy Perry é de Jean Charles de Castelbajac, mas o melhor está no fim.

É PRETO NA BRANCA

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FEBRE OBAMA NA ITÁLIA


Voltando de trem de Veneza, paramos em Milão e ficamos uns 20 minutos por lá tempo suficiente pra perceber que a semana de moda de Milão tem espaço suficiente na primeira página de todos os jornais do país, junto com a falência da Alitalia e a crise econômica mundial. Mas o que mais espanta é que realmente a moda italiana parece apoiar Barack Obama. Depois de Donatella Versace declarar seu apoio ao candidato democrata e a Vogue Itália fazer seu especial sobre os negros, Maurizio Modica e Pierfrancesco Gigliotti, os estilistas por trás da marca italiana Frankie Morello resolveram literalmente vestir a camisa em sua coleção de verão 2009. Pena que as eleições não são lá – no mondo fashion italiano – e eles ainda têm um Berlusconi pra cuidar…

ACHO CHIQUE

os preferidos dos fashionistas, mas será dos eleitores norte-americanos?