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AINDA IMAGEM (BALENCIAGA E BALMAIN)

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Balenciaga verão 2010

Como disse no post anterior, uma imagem forte, quando se forma, é sempre imutável. Pense na Balenciaga que, quando aconteceu sua retomada com o estilista Nicolas Ghesquière, em algumas coleções o francês teve a audácia de literalmente copiar modelos de antigas coleções do próprio Cristóbal (falou-se muito na época nos “arquivos” que estavam sendo pesquisados). Mas também com muito cuidado ele insere sua visão de streetwear (como aconteceu na fantástica coleção de inverno 2007 e agora no verão 2010), mas nunca deixando a imagem que temos de Balenciaga de lado: arquitetura e exclusividade. Mesmo sua streetwear daquele inverno, da qual se mitificou que ele inventou a moda dos lenços palestinos, era caríssima, para muito poucos.

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Balmain verão 2010

Mas e a Balmain? Acho que ela coloca outro ponto importante para pensarmos na imagem. É interessante essa febre de interesse pela marca. Como disse, acho que são roupas de puta de luxo, tanto que visualmente a coleção anterior a essa desfilada em Paris tinha peças muito semelhantes (dadas às devidas proporções) às expostas há anos na Ropahara, famosa loja para meninas de programa na rua Augusta. Pois bem, o que a imagem da Balmain de hoje reflete na Balmain do passado? Temos que lembrar que a Balmain das décadas de 40, 50 e 60 era literalmente uma grife para mulheres sofisticadas, com um certo decoro, o máximo de sexy encontrava-se nos vestidos tomara-que-caia (sempre bem acompanhados, nas grandes festas, de requintados casacos e sua marca registra – a estola – que seriam prontamente retirados na entrada e dariam um certo efeito) mas sem os arroubos quase eróticos como as peças que vemos nas criações de Christophe Decarnin.

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Katherine Hepburn de Balmain

Basta olhar com atenção a foto acima com a atriz Katherine Hepburn para entendermos que o sexy não estava profundamente enraizado na Balmain de ontem como o é na de hoje. Também é clara e lógica a escolha de Oscar de la Renta com seus vestidos de festa para desenhar durante um período os modelos da marca depois da retirada de Pierre Balmain.
Podemos pensar que talvez a Balmain seja uma marca que sua imagem é colar-se à época que vive. No conservadorismo dos anos 50, a marca tinha as estolas para cobrir seus tomara-que-caia, no periguete final dos anos 2000, a marca vende sexo.

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Balmain verão 2010

Mas apesar de imutável, a imagem não é perpétua, ela pode ser esquecida, morrer na memória coletiva que a consolidou ou ainda, depois de um longo período [a questão temporal é importantíssima] ressurgir outra. É mais por esse caminho que acredito que a imagem hoje da Balmain é outra, a Balmain antiga morreu, só restou a carcaça, isto é, o nome.

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à esquerda Balmain e à direita Balenciaga, diferentes imagens

RUFOS, CÓPIAS, COLONIALISMO E PREPOTÊNCIA

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Como disse um amigo: “Os rufos de jornal vêm com tudo”…
Na foto acima tem Beth Ditto para a “Dazed & Confused” de maio. Fizeram um rufo de jornal igual ao que Antonio Farinaci construiu para Lovefoxxx usar no show do Festival da Ilha de Wight, no Reino Unido no dia 06 de setembro de 2008. Infelizmente, na única foto da vocalista do CSS, com o rufo no palco, a produção já está meio se desmontando…
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Sim, é cópia, está claro. O curto espaço de tempo entre as duas ações garantem o sentido de cópia hoje. E se “os rufos de jornal vêm com tudo”, as cópias continuam em alta.
Tenho sentido uma vontade da imprensa nacional de levantar a lebre que marcas estrangeiras estão nos copiando – exatamente dentro desse contexto de enxergar a cópia como algo que acontece em curto espaço de tempo, senão já vira referência, homenagem, citação, etc.
Marco Sabino em seu blog deu um alerta, devagar com o andor, pois uma coisa é numa mesma temporada surgirem desejos semelhantes, afinal todos meio que seguem os mesmos bureaus de tendências, com exceção dos legítimos criadores como a Prada que fazem seu próprio caminho – enfim, no fim o que existe é a cópia do que é dito como tendência. A outra é copiar coleções que se consagraram nas temporadas passadas recentes, e esse festival tem dominado as semanas de moda, apesar de todos falarem o contrário.
Sofremos de um colonialismo atroz, mas é importante saber o que é cópia e o que é sensacionalismo ou ufanismo.
Todos copiam, me parece, mas poucos assumem. Até porque copiam de referências claras e conhecidas. O bom copaidor, se é que isso existe, procura o underground para copiar como aconteceu no famoso caso do Nicolas Ghesquière, da Balenciaga. Mas teve a “ética” de assumir para a New York Times que realmente colou e plagiou um vestido do estilista Kaisik Wong, conhecido apenas das rodas fechadas na Califórnia dos anos 70. Agora você me pergunta, mas não poderia ser referência, citação? Não, pelo motivo das peças serem idênticas e não apenas um pouco semelhantes.
Ao assumir a cópia, o estilista da Belenciaga demonstra, mais do que tudo, prepotência. Acredito que Ghesquière pensava que nunca ninguém iria perceber a “referência”. Assim como de certa forma os rufos de Lovefoxxx foram vistos por poucos, em apenas um festival. Os stylists da revista deixaram se enganar pela “nova falsa modéstia”.

O ato de copiar tem sido uma discussão constante no blog. Mas já não a vejo de maneira plenamente negativa, aliás acho cada vez mais revelador ver a cópia e quem a copiou.

MODA DE RUA E O LENÇO PALESTINO

A mitificação na moda, ou o que muitos adoram chamar de falta de informação COMPLETA é um problema que todos sofremos na moda – revistas, jornais, sites -, inclusive esse blogueiro. Mas contra isso é importante o estudo, as fontes e o olhar INDEPENDENTE e apurado.

Vendo o GNT Fashion dessa semana, Mariana Weickert faz uma boa matéria sobre os lenços palestinos. Apesar de estarem já pra fora dos esquadros dos fashionistas que os consideram last season – assim como a calça skinny -, o lenço ainda domina as ruas do país, então a pauta tinha muita pertinência. Não só por entrevistar Giselle Nasser que fez um excelente apanhando histórico do acessório, usado na cabeça pelos camponeses da Palestina pra se protegerem do sol e depois como símbolo da luta pela libertação de seu povo, que continua sobre às ordens dos israelenses até hoje. Nem também por escutar Alexandre Herchcovitch que em sua última excelente coleção masculina fez uma releitura desses lenços em forma de bandeiras de países em conflito e o mais fantástico: reinvindicando o uso do lenço pra ele, judeu de formação e religião.

Balenciaga: étnico e street
Mas o x da questão ou a mistificação foi reinvindicar pra Balenciaga na matéria (coisa que muitos fashionistas já cometeram esse mesmo erro) e sua mais importante coleção de todos os tempos – sob o comando de Ghesquière – na minha opinião (a coleção que mixou etnia e cultura de rua legitimando a etnia não como exotismo exatamente por o estilista francês enxergar o streetwear como algo maior que a moda de rua de Londres ou Nova York), o fato dos lenços terem ganhado as ruas.
Quem vai a Europa, principalmente nos países latinos como Espanha, Itália e França, enxerga desde os anos 80 esses lenços nos pescoços dos jovens e não na cabeça exatamente como releu a grife. Primeiro era item básico de todo universitário, estudantes de esquerda e intelectuais, algo que digamos que na Europa tem uma certa representação. E foi artigo dos neo-punks, skatistas e muitas tribos jovens. Nicolas Ghesquière e sua genial styling Marie-Amelié Suavé apenas olharam para as ruas e pegaram um acessório que para o parisiense comum já era um clássico.
Enfim, era um objeto criado nas ruas urbanas de algumas cidades da Europa que ganhou as passarelas e voltou pras ruas. E não um objeto das passarelas que ganhou as ruas. E se pensarmos bem, com a coleção de Alexandre para o verão 2009, ele volta pras passarelas novamente.

Ao colocar um ícone político como item fashion podemos pensar que o seu conteúdo foi esvaziado – até porque a atitude de mitificação por parte do mundo fashion e dos que seguem tendências contribuem para esse esvaziamento – mas porém com certeza nessa operação podemos perceber uma mudança. Tirou-se o mofo desse ícone e o revitalizou em outro status sem perder de todo sua característica simbólica a tornando nova. É algo a se pensar o fato de um judeu querer ter um lenço que antes lhe parecia ofensivo.

Alexandre masculino: lenços da paz

PARIS BERTHOLINOU!

A cidade luz sempre foi chegada em um pretinho básico e isso não mudou nessa temporada. Os tons terrosos, o preto e o branco continuam, mas faz muito tempo que não se via um verão tão colorido.

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Balenciaga verão 2008

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Comme des Garçons verão 2008

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Junya Watanabe verão 2008

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Undercover verão 2008

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Vivienne Westwood verão 2008

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Yohji Yamamoto verão 2008

PEDRO DE LARA E BEYONCÉ

Beyoncé já figurou várias vezes como uma das personalidades mais mal vestidas de Hollywood. Alguns personal stylists depois e muito trabalho de assessoria faz hoje dela pela revista People a mais bem vestida.

O que não entendo é se ela moldou seu estilo ao que é socialmente aceito como elegante, ela evoluiu com as informações de moda ou deixou de ter realmente um estilo para ter o estilo oficial, quer dizer, optou por não ter verdadeiramente um estilo próprio? 

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Já Pedro de Lara, que faleceu hoje, aos 82 anos câncer de próstata, nunca estaria numa lista de pessoas elegantes de lugar nenhum, mas tinha um estilo único. Suas gravatas muitas vezes borboletas, seu ternos, seu cabelo e seu bigode farto, sem falar dos lírios eram suas marcas registradas e criavam uma imagem que todos sabiam que era dele, único. Se era oficialmente elegante ou não, pouco importava, pois era o seu estilo. 

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LER COSTANZA PASCOLATO (SEMPRE)

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Agosto já está acabando, mas a edição da Vogue brasileira tem como sempre pelo menos um texto obrigatório: o da coluna da empresária Costanza Pascolato.

Desde que eu me lembro, mesmo quando a revista não tinha muito que se ler por possuir um conteúdo muito fraco – isso já faz parte do passado -, Costanza sempre arrasava na sua coluna.

Sempre que posso, converso com ela sobre o que escreveu, falo o que achei, em geral como um tiete deslumbrado. Em compensação, ela nunca deixa de ter uma visão crítica sobre seu próprio texto. Alguns ela não fica satisfeita, outros ela reescreve por dias e alguns saem bem rápidos. Lembro uma vez que a entrevistei e no final ela estava preocupada com a coluna que tinha que escrever mas, se não me engano, entregar só na próxima semana.  

É sempre de lá, de suas entrelinhas que tiro pautas para possíveis matérias. Em poucas linhas, o material é vasto e como o de sua última coluna nessa edição “verde” da Vogue de agosto.

O título já é desafiador. “Galliano X Ghesquière”. O que eles teriam de oposto ou que oposição eles estariam fazendo?

O olho da matéria também não nos dá uma pista dessa possível oposição:

“Enquanto um dá aula de branding ao celebrar luxo e riqueza nos 60 anos da Dior, o outro contesta a vocação casual da moda de rua e faz o mundo mais chic com suas roupas para Balenciaga”

O texto super elogioso a Galliano e à sua coleção de alta-costura destaca um ponto forte:

“O desfile foi um exercício espetacular de marketing e branding para tornar a marca ainda mais forte{…} no que ela pode representar-lucrar com venda de produtos mais acessíveis: prêt-à-porter, os acessórios, os cosméticos, os perfumes.”

Muito já se falou sobre o papel da alta-costura e que esse talvez fosse seu grande mérito e sua razão de existir hoje: fazer aumentar as vendas de perfumes, mas o que Costanza diz é que, para esse caso, Galiano faz essa operação com muita perfeição cirúrgica.

Uma indicação da oposição entre Galliano e Ghesquière é o começo do parágrafo (detalhe para a preposição adversativa) que Costanza escreve sobre o estilista da Balenciaga.

“Mas é a entrevista  de Nicolas Ghesquière[…] a Cathy Horin[…] que não em sai da cabeça[…] (Ele) considera que a alta-costura não tem mais tanta importância porque, sem os consumidores bacanas de ontem, é coisa artificial e não se encaixa mais nos nossos tempos. Moderno, segundo ele, é fazer um estilo luxuoso para a rua.”

O texto prossegue:“(Ghesquière acredita que) o desfio hoje é o branding – a construção da marca – pois só assim ela será reconhecida pelos consumidores.[…] (e sugere que) a moda está novamente na moda porque nunca houve tantas empresas vendendo cópias. A cópia não pode existir sem o original.”

Em seu pequeno texto, Costanza tocou em alguns assuntos centrais da moda como o papel da alta-costura, a força da moda de rua, a importância fundamental do branding, as cópias e a imagem de moda, colocando e observandos duas coleções díspares mas de grande influência na chamada moda oficial.

Não é apenas Galliano versus Ghesquière que a colunista está querendo apontar, mas sim duas visões diferentes de alta-costura, moda de rua, branding e cópia. Uma que ainda enxerga a alta-costura como branding, a outra que acredita que o branding de uma marca está em transformar a moda de rua, uma que através da alta costura tenta impossibilitar ou minimizar o impacto das cópias, a outra que vê nas cópias o mecanismo que comprova que está acontecendo realmente algo criativo no mundo da moda.

Por uma certa construção textual, podemos enxergar que Costanza se posiciona sim, a favor do projeto e das idéias do estilista da Balenciaga, sem menosprezar o trabalho de Galliano na Dior que elegantemente enaltece o trabalho em sua coluna.

Sempre as entrelinhas de seus textos são espaços imensos de reflexão.

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Ghesquière

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Galliano