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UM PEXU, ZÉ PEDRO!

Como Zé Pedro e eu conversamos – rindo e xoxando – na entrada do desfile do André Lima, eu e a Nina [Lemos] estamos no Cotidiano da Folha de São Paulo pra cobrir os buracos e enchentes da São Paulo Fashion Week, a sua realidade mais canhestra como aquilo que tem por trás da publicidade.

E foi nessa atmosfera de cafonice explícita como disse Katylene, nesse mal gosto estilizado de fantasia de glamour que flatula em alguns momentos pela semana de moda mais importante do país, você – Zé Pedro – nos brindou com algo verdadeiro e orgânico na trilha de André Lima. O [tecno]brega de um Brasil profundo e antropofágico foi a melhor trilha de todas dessa temporada. Obrigado por me alegrar no último instante do evento.

PS: Pra quem não sabe, um pexu é o novo um beijo, me liga

A MODA E O MARKETING DE MODA

Como disse em uma recente palestra para uma turma ótima e interessada e inquieta no IED, Instituto Europeu de Design, as semanas de moda hoje se tornaram verdadeira e profundamente semanas de marketing de moda. Como não temos marcas realmente fortes como Chanel ou Dior que o marketing é em torno delas mesmos, as marcas apelam pelos patrocínios e ações de marchandising que muitas vezes ficam a desejar.
Entendendo que o marketing é o estudo que avalia e planeja a melhor maneira de comunicar e vender um determinado produto, vimos duas lamentáveis intervenções de um produto inserido em um desfile de marca.
Dois importantes designers de moda, Gloria Coelho e André Lima, tiveram a infeliz inserção de produtos em suas coleções que diziam muito pouco sobre o desfile que seria apresentado.
Pensando que um desfile é uma narrativa, e que eles nos conta uma idéia atrás da sequência de looks que são exibidos na passarela, a solução que ambos deram para a mostrar um produto que nada dizia ou dialogava com a coleção até que foi a menos pior, mas não podemos dizer que não foi desastrosa para a questão de imagem e narrativa. É importante ressaltar que a inserção de um produto em um desfile é feita de muitas formas e em todo o mundo, mas em geral as que dão mais certo são feitas de forma menos ostensivas e mais inseridas com a imagem que a coleção quer passar.
Gloria Coelho anunciou que antes do desfile “oficial”, assistíriamos outro que divulgaria os uniformes que a estilsita criou pro Hotel Mercure. Depois de uns 5 ou 6 looks senão me engano entra a coleção. Existia algo da alfaiataria ali nos uniformes que também estava presente na coleção “oficial”, mas como uma mixagem ruim, a imagem de um todo foi prejudicada pois a primeira imagem de sua coleção eram uniformes que tinham pouco a ver com a narrativa da coleção, mas tinham a alta carga de identidade que a estilista imprime em suas roupas. Enfim, a confusão estava formada em nome de uma promiscuidade entre produto e imagem.
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André Lima por sua vez escolheu uma espécie de dramatização – elemento presente e intríseco em suas roupas – para apresentar seu merchandising-patrocinador, criou um vaudeville muito ruim. Fernanda Motta aparece na passarela, sem anúncio, com um sorvete e desfile até o pit dos fotógrafos. Era uma propaganda do novo sorvete Magnum. Depois de caras e bocas, senta na primeria fila. Seu desfile começou logo na sequência e teve o drama nos penteados e no grau de construção dos vestidos de festa perturbado por uma primeira dramatização canhestra, quase piriguete da apresentadora do Brazil`s Next Top Model. Fez uma coleção bela mas eclipsada por um sorvete de chocolate.
Acho importante a ação de outros produtos na moda pois no nosso país temos pouquíssimas marcas que podem sobreviver com a apresentação de seu próprio produto, mas mais importante ainda é estilistas e o marketing entenderem como uma ação deve ser feita e até que ponto ele deve ir para não corromper a apresentação de outro produto-imagem: A criação de uma marca de moda pois afinal é por esse e para esse produto que estamos ali.

SPFW – BELEZA COM VICTORIA CERIDONO

Tenho uma leve intuição que as novidades estão acontecendo primeiro na beleza (como os fashionistas chamam a área de cabelo e make up) para depois maquiar as roupas. Essa tese levo comigo faz já algum tempo e mais pra frente escreverei um texto mais complexo sobre isso, por enquanto são só observações. E por isso mesmo eu sempre converso com Victoria Ceridono que é super especializada na área.
Ela conta que a grande novidade do SPFW é o gloss no olho, nas pálpebras melhor localizando, e que nessa temporada apareceu muito, uma verdadeira tendência. “O gloss dá um brilho molhado que nenhuma sombra consegue”, segundo ela. E um exemplo é na beleza de Fause Haten.

Fause Haten verão 2009
Ela, uma verdadeira apaixonada pelo batom, um dos 10 itens dos clássicos da moda, se rendeu ao tom que o maquiador Robert Estevão conseguiu para a beleza de André Lima. “Nem na foto conseguiram captar o tom de pink com alaranjado que o Robert criou”, avisa.

André Lima verão 2009
Apesar de admitir que sua geração “é muito mais gloss e muito menos batom”, ela amou como isso se resolveu na Neon.

Neon verão 2009
Está dada as dicas!

SPFW – DESIGN

O desenho da forma nos dois últimos dias de SPFW

Priscila Darolt

Érika Ikezili

Amapô

André Lima

SPFW: A FESTA DE VOLUMES DE ANDRÉ

André Lima começou a carreira fazendo as camisas mais bacanas e bem humoradas antes da camisetamania. Quem não se lembra do logo da Chanel com o nome Cavalera.

O caminho natural e verdadeiro do estilista veio a seguir e o consagrou, a estamparia. Não podemos deixar de pensar que a grande sacada da camiseta são seus prints em forma de palavras de ordem, outdoor comtemporãneo, parangolé bem acabado.

Seus vestidos longos, esvoaçantes (o seu primeiro olhar atento para a modelagem) ganharam fama e se transformaram em sua marca registrada. Em algumas temporadas atrás, quatro para ser mais preciso, em um exercício corajoso de mudança, ele apresentaria vestidos mais curtos e com uma preocupação maior com outras formas de modelagem.

Primeiramente, as grandes mangas que abriram essas mudanças em Solange Wilvert foram impactantes. Mas o segundo e terceiro desfile depois parecia que André estava confuso em sua mudança. 

Apesar de achar um certo desastre o seu verão 2008, e pode ter certeza que o grande atraso da apresentação contribuiu, fiquei impressionadao com o volume dos cabelos. Talvez a única coisa que realmente tenha gostado naquele desfile.

E como a beleza está na frente das vontades e tendências. Os acertados volumes dos cabelos do verão desceram finalmente para as roupas no seu inverno 2008.

Dispensando a estampa como carro chefe, mais sóbrio, mas não menos contido e exuberante, André lança mão do volume e o coloca em foco para seguir adiante no exercício da construção da roupa. Um passo muito acertado nessa festa para os nossos olhos que foram suas divas de inverno.

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foto Charles Naseh – site Chic