A princípio eu sou contra as cotas pra qualquer minoria e de qualquer forma, acho elas redutoras, mas o efeito que elas podem provocar em um primeiro momento em um terreno como a moda, isso é, racista só pode ser saudável.
A notícia que “o São Paulo Fashion Week anunciou a assinatura de um termo de compromisso com o Ministério Público do Estado de São Paulo, em que se compromete a sugerir que as grifes integrantes do calendário paulista tenham uma cota mínima de 10% de modelos negros em seus desfiles” pode gerar alguma mudança na atual passarela branca que vivemos.Vai forçar os estilistas, os stylists e as agências a pensar nos negros como possibilidade de beleza um pouco maior do eles eles acreditam pensar hoje.
Sim, eu sei que nas edições de verão os negros são um pouco mais bookados para os desfiles de moda praia. Sim, eu sei que é apenas um sugestão do evento “forçado” por uma posição de um jornal importante, não me iludo, mas essa atitude sinaliza algo positivo sim.
Lembro muitos dos ensinamentos da filósofa e cientista social Hannah Arendt que estudou muito as formas de totalitarismo, pois um dos choques na época da 2ª Guerra era entender porque uma nação inteira se transformou em “nazista”. O que se constatou era que o silêncio, a omissão e a falta de posicionamento, assim como a alienação foram as causas maiores dessa atrocidade que aconteceu na segunda metade do século 20.
Se perguntarmos a cada stylist, a cada estilsita, a cada editor de moda, produtor, bookers, fashionistas enfim ninguém – com raras exceções – se posicionará como uma pessoa racista, aliás pelo contrário, achará isso uma bárbarie e contra esse estado de coisas na moda. Mas é exatamente o silêncio, a omissão, a falta de posicionamento, a alienação dessas mesmas pessoas em relação ao assunto (“ai, já deu; é old fashion!”) é que dá força para a continuidade de um preconceito velado – e nefasto – em todo o sistema de moda.

PS: De certa forma me sinto orgulhoso de ter participado da equipe da Folha de São Paulo que de certa forma pressionou em edições e temporadas sucessivas fazendo a contagem de negros na passarela (“ai, já deu; é old fashion!”). Eva Joory, aquela loucura de contar os negros não foi em vão e você foi a melhor na contagem. Alcino, meus parabéns! Podemos achar que é um pequeno passo, mas é um passo!
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Entende quando vc diz sobre o “preconceito velado”, ate pq este é o maior problema no Brasil. Aqui ninguem e preconceituosa, mais alguns tem mais diretos q os outros.
Porém nao existe lugar mais discriminatorio que a moda, ela nao so exclui negros, mas com gordos, baixos, velhos, moda tem um padrao estetico, que em nao se enquadra ta fora.
Nao posso deixar de ser chata e querer uma cota tb para mim – na categoria 1,60mt e 60kl.
A verdade e que existe um problema, é o padrao estetico criado, e nao sei e cotas resolveriam.
Vitor,
Escreví sobre isso no dia em que essa medida foi divulgada.Sinceramente,acho que pode até ajudar a incluir mais negros na passarela mas como tudo que é compulsório,não resolve de fato,é paliativo.Incentivador sim,mas vai ficar nisso.A questão é muito mais complexa e principalmente cultural.
Abç,Stuart
achei um pequeno grande passo
bjs
Black is beautiful, black is beautiful
Black beauty so peaceful
I wanna a black I wanna a beautiful
Elis… sempre ela.
nessas horas queria que a giselle bunchen fosse negra, porque assim isso poderia ser melhor explorado, discutido e não rolaria tanta omissão…
pois, o preconceito assumido as vezes faz doer menos que o velado…o velado como disse so mantem as coisas como elas estao…eu ja ouvi de estilista que nao usa negros pq eles nao combinam com moda inverno, que eles nao combinam com as cores da colecao, que nao ha modelos negros bons de passarela como ha brancos…e como haveria de ter?? se nao demanda nao ha treino, nao ha desenvolvimento, concorda? se nao quisermos assumir nosso racismo assumamos pelo menos que nos, os branquelos do pais, na verdade, no fundo de nossas almas queriamos mesmo eh ser europeus…nao latinos…eh uma pena q isso seja forcado, pq perderam a chance de eles mesmo serem o elemeno de transformacao q o pais precisa…
Estou feliz por isso. Acredito e apoio.
Penso eu que o buraco é mais embaixo. Moda é um reflexo da elite brasileira… Brancos, eurodescendentes ao invés de afrodescendentes é uma valorização que a elite dita.
O Eurocentrismo na moda aplicado no Brasil só vai funcionar onde se tem clima para isso, que é no Sul. Em Porto Alegre muita gente vem da Europa com a mala cheia de casacos e vai ter um mês do ano, pelo menos, onde as pessoas tem temperaturas adequadas para utilizar estes casacos. Fazer isso em São Paulo, no Rio ou em Brasília é, no mínimo, patético. Citei estas três cidades que é onde rola mais grana. E por mais que São Paulo faça um friozinho de vez em quando, não se compara aos graus negativos que pode vir a fazer no Sul.
Portanto, a moda nacional, que erroneamente é muito baseada na Europa, onde o clima é outro, já se faz racista aí.
Aqui no Rio é um sacrifício usar uma camiseta com fio mais grosso, imagina ter casaco? Prá quem vem de onde faz frio “de verdade” é cômico ver alguém de casaco neste calorão. Até o nordeste é mais fresco que aqui. É bem interessante o povo que faz moda pensar num estilo leve de se vestir no Brasil. Coleção de inverno com bermudas, tecidos leves… Também não precisa se restringir a moda praia, por favor.
E se a Gisele Bündchen fosse negra na cidade dela, iria ser paupérrima e sequer seria vista. Por outro lado, o que eles procuram nas brasileiras é exatamente o padrão europeu. Tem um monte de modelos do Sul para afirmar isso que digo. E as que surgem do centro-oeste é importante salientar que o processo migratório do Sul para o Centro-Oeste se dá devido ao trabalho em fazendas de pecuária, o que tradicionalmente era feito no Sul está se fazendo no centro-oeste do país. Portanto, desconfiem da Goiana “bonita”, da Sul-Matogrossense…
Sabe o que mais me incomoda? É dizer ‘black is beautiful’ ou ‘negro é lindo’ ou qualquer outra tentativa de amenizar o problema e demonstrar para a mídia que não é preconceituosa. Isso me enoja.
By the way, excelente post. Cada vez mais sua fã.
…parabéns meu querido …este é um dos muitos passos que irão compor um dia o caminho da igualdade,o importante é q ele foi dado
bju com brilho nos olhos.
Vc tá muito certo, tudo vem da gente mesmo….é velado! vamos todos p os infernus! sem me aprofundar como o cláudio f. , mesmo sabendo q o buraco é mais em baixo o simples fato de vermos mais eles já será ótimo…de grão em grão…
muito bem victor.
Leio sempre aqui, mas esse post me fez comentar. O negro está na moda. É fácil levar um negro pra passarela e muito conveniente esteticamente. Entretanto, o mundo negro vai além da moda. Esou ouvindo agora Timbalada, que é o hito do povo negro fashion em Salvador. O mundo negro não precisa de cotas, precisa de inserção. Não precisa de GUETHO pra fazer música, nem de cotinhas pra entrar na Universiade. O negro precisa de que o povo entenda que não existe cor. Existe o ser humano. A biologia diz que não existe raça, existe a raça humana e é isso que basta. Precisamos de pessoas que entendam isso e que não precisem dizer igual Hebe: QUE GRACINHA! Gracinha é o diferente e negro é igual, é gente, é normal, é como todo mundo…Tô cansada desse papo de cotas, porque só exclui mais e discrimina gente da melhor qualidade. A moda é excludente desde que o seu ideal eram as gordinhas e agora as anoréxicas. Ela exclue porque ela era/é reflexo da sociedade decadente que vivemos e só temos que prestar atenção a isso para não cometermos o erros passados/atuais. Mas imitamos tudo de longe..
Nadja(?)
ninguem quer “amenizar” nada em relação ao absurdo que é o racismo, ‘black is beautiful’ é apenas uma citação de musica, sem obrigação de doutrinar ninguem ou mudar opinioes tacanhas sobre esse assunto.
PS- lembra do absorvente? incomodada ficava sua avó…
Acho paliativo e hipócrita. O buraco pra resolver essa questão está bem mais embaixo.
com certeza o buraco é mto mais embaixo.
podiam fazer tb uma contagem de quantos negros trabalham na folha de sp né. será que é um numero (proporcional) mto dispar das passarelas? será?
hipocrisia em todos os sentidos.
“as causas maiores dessa atrocidade que aconteceu na segunda metade do século 20.” O q de tao horrivel aconteceu na segunda metade do sec.XX? A globalização??
não seja preciosista, os efeitos do nazismo com os regimes autoritários de esquerda no leste europeu, a perseguição silenciosa dos judeus ainda nesses países, tudo sobre a égide que agora eles tinham um estado e estava tudo bem… as diásporas, eu digo, sem falar das lutas pelos direitos civis na década de 60 nos Estados Unidos, os vencedores, o bem que mandava pro front os negros pra serem mortos primeiro. ficou claro agora?… tudo isso decorrência de que agora estava tudo bem, que o mundo democrático tinha vencido… vivemos algo parecido… longe da globalização.
Suuuuper atrasado para comentar, mas eu não resisto: Vitor, definitivamente eu sou seu fã. Seu bom senso é estarrecedor (e com certeza deve incomodar bastante os verdadeiros hipócritas).
Abraço sincero!