RUFOS, CÓPIAS, COLONIALISMO E PREPOTÊNCIA

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Como disse um amigo: “Os rufos de jornal vêm com tudo”…
Na foto acima tem Beth Ditto para a “Dazed & Confused” de maio. Fizeram um rufo de jornal igual ao que Antonio Farinaci construiu para Lovefoxxx usar no show do Festival da Ilha de Wight, no Reino Unido no dia 06 de setembro de 2008. Infelizmente, na única foto da vocalista do CSS, com o rufo no palco, a produção já está meio se desmontando…
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Sim, é cópia, está claro. O curto espaço de tempo entre as duas ações garantem o sentido de cópia hoje. E se “os rufos de jornal vêm com tudo”, as cópias continuam em alta.
Tenho sentido uma vontade da imprensa nacional de levantar a lebre que marcas estrangeiras estão nos copiando – exatamente dentro desse contexto de enxergar a cópia como algo que acontece em curto espaço de tempo, senão já vira referência, homenagem, citação, etc.
Marco Sabino em seu blog deu um alerta, devagar com o andor, pois uma coisa é numa mesma temporada surgirem desejos semelhantes, afinal todos meio que seguem os mesmos bureaus de tendências, com exceção dos legítimos criadores como a Prada que fazem seu próprio caminho – enfim, no fim o que existe é a cópia do que é dito como tendência. A outra é copiar coleções que se consagraram nas temporadas passadas recentes, e esse festival tem dominado as semanas de moda, apesar de todos falarem o contrário.
Sofremos de um colonialismo atroz, mas é importante saber o que é cópia e o que é sensacionalismo ou ufanismo.
Todos copiam, me parece, mas poucos assumem. Até porque copiam de referências claras e conhecidas. O bom copaidor, se é que isso existe, procura o underground para copiar como aconteceu no famoso caso do Nicolas Ghesquière, da Balenciaga. Mas teve a “ética” de assumir para a New York Times que realmente colou e plagiou um vestido do estilista Kaisik Wong, conhecido apenas das rodas fechadas na Califórnia dos anos 70. Agora você me pergunta, mas não poderia ser referência, citação? Não, pelo motivo das peças serem idênticas e não apenas um pouco semelhantes.
Ao assumir a cópia, o estilista da Belenciaga demonstra, mais do que tudo, prepotência. Acredito que Ghesquière pensava que nunca ninguém iria perceber a “referência”. Assim como de certa forma os rufos de Lovefoxxx foram vistos por poucos, em apenas um festival. Os stylists da revista deixaram se enganar pela “nova falsa modéstia”.

O ato de copiar tem sido uma discussão constante no blog. Mas já não a vejo de maneira plenamente negativa, aliás acho cada vez mais revelador ver a cópia e quem a copiou.

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6 Respostas para “RUFOS, CÓPIAS, COLONIALISMO E PREPOTÊNCIA

  1. como eu já disse, eu não vejo a cópia de maneira negativa não, apenas acho que quem copia não deve dar uma de criador… acho que cópias têm seu sentido e sua função, principalmente no mercado de moda hoje.

  2. O engraçado é que vivemos um mundo de cópias irreais, onde não tem autores, co-autores e presenciais tanto na atitude, vestir , falar e escrever e por aí vai. Os que dão a chance de não viver esse mundo são vistos como transgressores, mas falo melhor são invejados. Enfim viva a atitude e opinião com nome, sobrenome e sexo nem que for indefinido. Querido feliz lar novo a ti!

  3. FEEL CHIC
    Angel, quando morei em Madri, ao lado de casa, perto da Plaza Mayor, havia uma ponta de estoque da Zara, cujo preço era ainda mais barato que nas lojas… Naquela época nem existia a marca no Brasil, e comprar por lá não era tão caro, pois ainda eram pesetas. Ficava impressionado, porque folheando algumas revistas da sua área, percebia como a marca rapidamente se apropriava de várias idéias para lançar suas coleções. JUST IN TIME!!!
    Gato, relaxa, não temos grana para comprar esses tais originais… vcs criam um desejo e massacram em campanhas publicitárias, cujos produtos poucos tem acesso. O seu Rayban é autêntico? Vc sempre esquece algo, é SOMENTE ROPA, fio, e nem procuro a tal “AURA do AUTENTICO”, aquele Walter sabia de tudo!

    Fofis, vamos fazer de conta que somos chics e alugar bolsas na Feel Chic, pra nos sentirmos descoladas e pertencentes a casta privilegiada? Eu vou de Miu Miu e vc de Jacobs. Vamos sentir o gostinho de uma bag original??! deve ser o máximo!!!
    ;0)

    ;0)

  4. esse mesmo sintoma ocorre nas artes visuais, só que de um forma mais legítima, não?! vejo que para os artista não se existe mas muito o que inventar, a única possibilidade esta nas combinações múltiplas, nas colagens, na mistureba de ereferências, nas telas do vik muniz(que é um trabalho incrível). ok, sec XXI?

  5. adoro a última frase.
    acho que a gente precisa repensar o conceito de cópia no mundo de hj.
    Um post de uma amiga minha que eu adoro pra vc:
    http://semisutura.wordpress.com/2009/01/29/se-e-pra-roubar/

  6. vc foi ver a exposição do vik muniz? tem um textinho lá q fala q a cópia da cópia é um original. até agora tou com isso na cabeça…

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