Arquivo do mês: maio 2009

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

[por @jefersonribeiro] Adorei o teorema JOELMA É PRADA! Pior é se virar: JOELMA É PRAGA! Se depender das músicas-chiclete…

CASA DE CRIADORES VERÃO 2010

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Gêmeas

Há um ano atrás escrevi de problemas de narrativa na Casa de Criadores, também não estava claro o que André Hidalgo, o criador do evento, pretendia quando disse na época sobre tentar que os estilistas fizessem uma moda mais comercial. Na realidade, ele queria dizer uma moda com produto e hoje ficou muito claro nessa edição que parece que o evento segue esse feliz caminho: melhorou as narrativas [edição] de seus desfiles (raros os que se perderam) e apresentam hoje mais produto que nos anos anteriores. Existem mais peças com possibilidades de serem comercializadas no varejo e mesmo assim ainda mantém o seu espírito underground e experimental.
Já comentei da excelente surpresa do LAB, com certeza o melhor que já vi em todos esses anos, isso faz a gente sair um pouco do clichê de sempre apontar os mesmos como melhores apesar de os mesmos, as Gêmeas e Walério serem realmente os destaques do terceiro dia.
A personalidade das Gêmeas já está tão amadurecida que elas podem pegar um tema que milhares de estilistas já trabalharam, o México, e transformar em algo totalmente seu.
E Walério dispensou Claudia Leite e fez o que realmente sabe: mixar o popular com o glamour, referências que traz de seus trabalhos na 25 de Março e na São Caetano, a rua das noivas.
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Walério [e Vivi Orth na campanha por mais sorrisos na moda]

PEQUENA NOTA SOBRE A CASA DE CRIADORES

Muito rapidinho, só pra não passar em branco:
No primeiro dia foi pra mim da Urussai e do João Pimenta (que leveza, que verão!) e no segundo dia foi a vez do Projeto Lab (uma excelente surpresa!), mais precisamente Arnaldo Ventura (Daniel Amarhal me convidou uma vez pra conhecer o show room dele numa temporada acho e lembro que não consegui, até escrevi me explicando) e a edição de Rober Dognani, uma aula.
Hoje tem mais…
E eu faço parte com mais 6 blogueiros de uma cobertura que ainda não subiu nada, mas há de subir no site da Nívea. Lá estarão meu texto sobre a Urussai e sobre o Arnaldo Ventura.P1000066

POR MAIS FELICIDADE NA FILA A

No primeiro dia da Casa de Criadores recebi esse twitter do boutiquein O @vitorangelo é o mais feliz da primeira fila. POvo mais cara fechada viu . No primeiro segundo pensei: ih, de novo dei gafe. Lembrei de Lilian Pacce me ensinando – com a maior das boas intenções – que as pessoas na fila A são super observadas, que um comportamento neutro é sempre bom também para que ninguém decodifique o que você está pensando ou achando. E ela está certa nesse quesito tanto que durante a síncope geral que fez os fashionistas mais treinados perderem a compostura e rirem durante a performance da coleção de Jefferson de Assis com pianos de madeira que entravam se movendo como que sozinhos com modelos em cima, Lilian se manteve impávida.
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A imagem era tão surreal, que quase tive um surto e fiquei segurando a gargalhada, mas confesso que meus olhos se encheram de lágrimas de sorriso.
Agora, da minha parte, eu não ri como uma atitude de desmerecer a coleção que aliás lembro que gostei na época. Ri porque achei engraçado, mas muita gente viu e veio comentar comigo como se eu tivesse detestado e estivesse xoxando a coleção do Jefferson.
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Essa é uma razão da recusa das meninas do Oficina de Estilo não ficarem em alguns desfiles, mesmo com convite, na fila A, preferem a B, pois lá podem ser elas mesmas, dar palpite, comentar…
No segundo dia da Casa de Criadores, Luigi Torres comentou para mim e Simone Esmanhotto que a viu rindo da coleção da Purpure. E ela de pronto respondeu: “Ri porque achei divertido, mas eu não estava tirando sarro, tinha looks muito bacanas e eles fizeram o que prometeram, fugiram do clichê da moda praia”. Isso é, ela não desgostou só achou engraçado, mas isso se torna um fato que vai além da graça, confunde os códigos da fila A com sua neutralidade e impessoalidade. Por isso as pessoas ficam de cara fechada, por isso, quando era moda, usava-se tanto ólculos escuros, por isso se tem o hábito de observar a fila A exatamente pra ver quem não está dentro dessa ‘SOCILA”. Mas será que não é hora de mudar esses códigos?
Como as meninas do Boutequein sugeriram e eu estou com elas: sou a favor de uma ação pró sorriso na fila A!
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COTAS

A princípio eu sou contra as cotas pra qualquer minoria e de qualquer forma, acho elas redutoras, mas o efeito que elas podem provocar em um primeiro momento em um terreno como a moda, isso é, racista só pode ser saudável.
A notícia que “o São Paulo Fashion Week anunciou a assinatura de um termo de compromisso com o Ministério Público do Estado de São Paulo, em que se compromete a sugerir que as grifes integrantes do calendário paulista tenham uma cota mínima de 10% de modelos negros em seus desfiles” pode gerar alguma mudança na atual passarela branca que vivemos.Vai forçar os estilistas, os stylists e as agências a pensar nos negros como possibilidade de beleza um pouco maior do eles eles acreditam pensar hoje.
Sim, eu sei que nas edições de verão os negros são um pouco mais bookados para os desfiles de moda praia. Sim, eu sei que é apenas um sugestão do evento “forçado” por uma posição de um jornal importante, não me iludo, mas essa atitude sinaliza algo positivo sim.
Lembro muitos dos ensinamentos da filósofa e cientista social Hannah Arendt que estudou muito as formas de totalitarismo, pois um dos choques na época da 2ª Guerra era entender porque uma nação inteira se transformou em “nazista”. O que se constatou era que o silêncio, a omissão e a falta de posicionamento, assim como a alienação foram as causas maiores dessa atrocidade que aconteceu na segunda metade do século 20.
Se perguntarmos a cada stylist, a cada estilsita, a cada editor de moda, produtor, bookers, fashionistas enfim ninguém – com raras exceções – se posicionará como uma pessoa racista, aliás pelo contrário, achará isso uma bárbarie e contra esse estado de coisas na moda. Mas é exatamente o silêncio, a omissão, a falta de posicionamento, a alienação dessas mesmas pessoas em relação ao assunto (“ai, já deu; é old fashion!”) é que dá força para a continuidade de um preconceito velado – e nefasto – em todo o sistema de moda.
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PS: De certa forma me sinto orgulhoso de ter participado da equipe da Folha de São Paulo que de certa forma pressionou em edições e temporadas sucessivas fazendo a contagem de negros na passarela (“ai, já deu; é old fashion!”). Eva Joory, aquela loucura de contar os negros não foi em vão e você foi a melhor na contagem. Alcino, meus parabéns! Podemos achar que é um pequeno passo, mas é um passo!

JOELMA É PRADA!

Antes de mais nada, amo Joelma e acho sua investida na moda com a marca Calypso Vest um prolongamento óbvio de seu estilo que mais que “indianas”, “lifestyles cariocas”, “modernidade global” é o que realmente o Brasil profundo quer vestir.
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Diz a matéria do Uol: “Joelma não está interessada nas tendências do mundo da moda. O projeto foi feito para gerar emprego na minha cidade [Almeirim, no Pará], mas sem poluir as margens do rio. E eu adoro roupa, explicou a cantora, que acompanhava quando criança os trabalhos da mãe, costureira desde os nove anos de idade”.
Usando um exercício de lógica da época da escolástica podemos deduzir que:
1) Joelma não está interessada nas tendâncias [até porque cria a tendência]
2) Prada não está interessada nas tendâncias [até porque cria a tendência]
3) Então [logo] Joelma é Prada!

PÂNICO, BABADO E CORRERIA

A coleção de Matthew Williamson para H&M foi lançada no dia 14 de maio desse ano, mas a fúria fashionista bem me lembrou aqueles comerciais de saldão do DIC de quando eu era criança.

Nem sei o que falar sobre, mas como acabei de falar sobre o Rio, vale aqui a publicidade que o próprio Matthew Williamson com a top Daria Werbowy fizeram no Rio para a H&M, sem um pingo de lifestyle carioca…

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

[por Lísias Cuba] Esse boy é George!

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O “LIFESTYLE CARIOCA”

Bem, eu nem escrevi o texto e ele já virou discussão pelo simples fato de eu mencionar no post anterior que o “chamado ‘lifestyle carioca’ era [...] um grande equívoco conceitual e ideológico”. O bairrismo gritou alto, mas ele só comprova a força do que digo. Essa tal de lifestyle carioca é uma idéia tosca e pequena.
Sim, sou paulistano e isso pode ser a desculpa para que tudo acabe em mais uma disputa cidade contra cidade. Mas esse texto é exatamente à favor do Rio de Janeiro em certo sentido. Não podemos nos esquecer que até os anos 70, a cidade era o centro da moda e do estilo no país. Lembro de muitos verões viajar com meus pais para passar férias na cidade, na casa de minha tia, e aproveitarmos para fazermos compras. Não porque as roupas eram mais baratas, mas porque tinham mais informações de moda, eram mais “bacanas” como meus próprios pais costumavam dizer. Isso tudo mudou a partir dos anos 80, mas isso é outra história, apesar de fazer parte dessa que estou descrevendo…
É muito engraçado as duas semanas de moda na cidade: o Fashion Rio e o Rio Summer tocarem sempre na tecla do “DNA carioca”. Isso é, semanas de moda nacionais que exaltam o modo de vida do Rio.
Alcino Leite escreveu na época da primeira edição do Rio Summer em seu blog em um post chamado “Ajuste Contemporâneo”:
Entre os anos de 1940 e 1970, para ficar neste século, o Rio de Janeiro viveu um apogeu cultural, agremiando os principais talentos do país na música, na literatura, no teatro e em outras artes _bem como os principais símbolos da elegância nacional. Neste período, ali se determinava o estilo brasileiro de vida.
Por isso, é natural que imagens nostálgicas e retrôs tenham pontuado os desfiles do Rio Summer, como na grife Adriana Degreas (que estampou o rosto de Carmen Mayring Veiga e paisagens cariocas antigas em um tecido de tom amarelo-velho) ou na grife Cris Barros (que exibiu no telão um filme em preto-e-branco com cenas do Rio no final da década de 50 ou dos anos 60).
Bem, já que esta época acabou, valeria, no próximo Rio Summer, se debruçar sobre a riqueza sociocultural contemporânea da Cidade Maravilhosa e as suas novas imagens fashion, já exploradas inclusive por várias revistas brasileiras e estrangeiras: a energia do funk; a Copacabana trash, com seu universo de putas, michês e travestis; e o kitsch da Barra da Tijuca _para citar os mais óbvios.

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Enfim, os funkeiros da Blue Man
Lembrando agora de cabeça, além das muitas tentativas da Complexo B, acho que só a Blue Man fez um desfile realmente importante incorporando esse universo mais contemporâneo, a coleção primavera/verão 2004 feita com os funkeiros cariocas. Enfim, o contemporâneo no Rio não parece nobre ou tão fashion assim aos olhos dos criadores de moda local. De resto, é sempre a mesma ladainha da bossa-nova, da Ipanema e Copacabana de tempos míticos, uma chatice enfim… Algo parado no tempo!
Só precisa afirmar sua identidade quem tem problemas com ela, quem não tem certeza que a decadência que vive passou por alguma civilização, ou a incipidez resultará em algo diferente no futuro.
O Rio, ao precisar ficar se autoafirmando que tem um modo de vida [em sua parte congelado no passado], não olha pra frente, nem para os lados. Não pensa grande, fica ensimesmado em uma idéia de moda canhestra. O que é regional ou o que é brasileiro aparece de alguma forma, sem precisar necessariamente levantar uma bandeira ou apontar para esse detalhe como uma qualidade em si. Existe algo mais regional do que Alexandre Herchcovitch fazer uma coleção sobre o Zé do Caixão [pensando que os dois são paulistanos] ou mais brasileira que sua coleção sobre os bóias frias, mas isso nunca se tornou um valor em si, isso faz parte da construção de algo maior.
O que é tacanho na idéia de lifestyle carioca é que ele ganha um valor em si, quando é só um detalhe. Não há valor nenhum apenas pelo fato de você ser carioca, ou paulista, ou mineiro, ou brasileiro, isso é mitificação e mistificação e o Rio só tem a perder se congelando nesse estigma.
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De costas para o mundo, de frente para um passado congelado

DUDU ENTREVISTA NEY

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Como eu estava falando de estampas, vi essa no blog do Jorge, meu querido amigo cigano: Dudu Bertholini entrevista Ney Matogrosso para uma revista eletrônica muito bacana que se chama Dengue Mag do fotógrafo Christian Gaul. Achei uma grande sacada, algo que estava no ar e que ninguém ainda tinha feito.
Aliás gostei tanto da dica que estou reproduzindo aqui. Tem um editorial de moda feito pelo próprio Ney. E algumas coisas muito interessantes, agora a revista peca pelo excesso de afirmação do chamado “lifestyle carioca” que eu acho um grande equívoco conceitual e ideológico, mas isso fica pro post seguinte.
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