dus*****infernus

QUE PARIS É ESSA?

Outubro 9, 2008 · 6 Comentários


Sim, Paris já idolatrou a juju music e fez a ponte entre a África e o Ocidente, assim como abençoou Josephine Baker e o jazz quando a América cuspia no “strange fruit”. Mas também perseguiu muitos africanos “sans papiers” escondidos em uma igreja e continua os perseguindo assim como sempre riem – o riso da dissimulação do preconceito – quando digo brincando que falo francês como um pequeno africano.
Pois é essa Paris do confronto que está nas misturas de Marc Jacobs pra Louis Vuitton. Essa Paris cada vez mais racista, mas essa Paris que durante décadas foi a cidade que recebeu o mundo e ainda vive desse mito consagrando um americano em uma de suas casas mais tradicionais: Jacobs & Vuitton.
Era uma gigantesca e adorável Edith Piaf sem fim na trilha, o clichê de quem apenas conhece a superficialidade da cidade de Paris. E por outro lado Paris apenas conhece a superficialidade de uma África responsável pelo cubismo e pelas revoltas na periferia. Dessa alquimia resulta em um grande momento de moda, esse espaço superficial, graças a Deus, por excelência.
E como a mistura que forma o coquetel molotov ou das deusas africanas acopladas na “Mademoiselle d´Avignon”, a Vuitton mostrou a complexidade dos clichês e de ser maravilhosamente supérfluo!

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