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FILA A, CONVITES E AS REGRAS DO MUNDO DA MODA

Julho 2, 2008 · 5 Comentários

Para quem não é do mundo da moda, ao ouvir falar da disputa por convites para os desfiles ou mesmo para sentar na fila A sempre acha um absurdo e acredita que esses fatos são a comprovação total que o sistema de moda é a maior futilidade da face da Terra. Ledo engano. Isso só demonstra preconceito e falta de conhecimento dos procedimentos que um jornalista ou editor de moda precisa para se escrever sobre, fazer editoriais, entender os rumos ou mesmo – muito mais simples – ter acesso à informação.
Sim, existe informaçnao em moda e é, como em inúmeras outras áreas, fator fundamental , só que uma certa ascensão elitista – isso sim podem acusar a moda de ser – faz dos que trabalham com moda acabarem tendo uma missão um pouco mais difícil.
Reclamar de não ter convite para um desfile é o mesmo que um crítico de cinema não ser chamado para uma sessão cabine. Exigir sentar em um bom lugar, em especial a fila A é o mesmo que uma câmera de tv ser impossibilitada por exemplo de ser colocada num ângulo próximo ao gol em uma partida de futebol. Poder ir ao backstage do desfile é o mesmo que poder ir ao ateliê de um artista antes de sua exposição. Tudo gera informações, só que o mundanismo da moda e o proconceito dos que estão de fora dela faz tudo parecer um espetáculo bizarro. Sim, eu sei que as fashionistas são dramáticas, mas faz parte da tentativa de obter a melhor informação possível. Claro que tem gente que quer sentar na fila A por status, mas isso existe em todos os lugares e não invalida meus argumentos.
Nessa luta para obter a informação, o jornalismo de moda trava uma relacão muito estreita e nem sempre salutar com as assessorias de imprensa que podem como em quase nenhuma outra área, proibir um jornalista de assistir um desfile ou sentá-lo em lugar que sua análise com certeza será prejudicada. E eu não estou falando que isso ocorre apenas no Brasil, Cathy Horyn do New York Times foi proibida de entrar na sala de desfiles de uma das grifes do Armani há tempos atrás porque numa outra temporada ela fez uma crítica não muito positiva sobre a grife.
Enfim, antes de nos chamarmos de jabazeiros ou fúteis tentem fazer paralelos com outras profissões e entender que, como qualquer área, o mundo da moda também têm suas regras. Cabe aos fashionistas querer mudá-las. Ou não!

Tem um texto incrível de Jorge Wakabara sobre a fila A. Vale leitura!

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