Chegou a hora mesmo…
Algumas pessoas sempre me perguntam se eu não vou mais colaborar na revista Júnior, porque meu texto não estava lá e pra quem sabia que eu tinha sido convidado como colunista, o que teria acontecido. Em geral, eu sempre desconversava. Os únicos que sabiam o que tinha de fato acontecido era Fábio Motta e Mário Mendes, este último crítico costumaz da revista e apesar de ser meu amigo e ainda admirar muito seus textos e idéias eu escrevi que não concordava com o tom de sua crítica bem arrasa quarteirão em relação à revista.
Pois bem, o que aconteceu afinal?
Logo depois do primeiro número e o sucesso da matéria do “Carão” (esse “sucesso” não foi dito por mim e sim por eles da revista) fui convidado pessoalmente por André Fisher e Marcelo Cia para ser colunista/colaborador da revista.
Mesmo contemporizando as críticas tanto de Mário em seu blog como de Nucool, achei que a revista poderia abarcar uma diversidade. O fato de me chamarem para estar com eles acredito que sinalizava isso, pois estou bem longe do estereótipo da bicha fina e essa gama do arco-íris prometia.
Escrevo um segundo artigo sobre a bicha pão com ovo e parece que tudo está indo bem, até que recebo um telefonema de Nina Lemos. Ela, irritadíssima, conta que em um jantar com André Fisher, ele tinha negado a participação dela na revista por ser hétero. Fiquei indignado e durante um tempo fiquei pensando se deveria ou não sair da revista afinal aquilo depunha contra o que eu acredito que seja uma sociedade intolerante e que expus na minha entrevista para o Fora de Moda.
Claro que fazemos e trabalhamos para inúmeros lugares que estão distante de nossas ideologias, estou longe de bancar o herói romântico e nem estou um pouco a fim de passar fome em nome de uma causa, sou bem humano nesse quesito. Mas não era esse o caso. De qualquer maneira precisava falar pessoalmente com o editor Marcelo Cia, se essa era a ideologia da revista, etc.
E-mails foram mandados. Fiquei um pouco irritado com o descaso já que escrevia dizendo que era um assunto sério e que precisa falar com urgência.
Um dia defendendo a revista escrevi no blog do Mário que mesmo achando que a revista precisa de ajustes, continuava a ver coisas positivas, mesmo que talvez eu não continuasse lá pois não gostei nada da atitude que eles fizeram com a “nossa amiga”.
Mesmo assim telefonei pra Marcelo e mandei e-mail sem retornos. Para o meu espanto ou coincidência eles ligam pra Nina e falaram que estavam arrependidos e a convidaram para escrever na revista como colaboradora.
Para mim, nenhuma satisfação e acredito que merecia pois me chamaram, não fui eu que me ofereci para colaborar na revista.
Como no caso escabroso de Patrícia Carta que dispensou Erika Palomino sem a informa-la da revista Vogue essa mesma falta de ética percorre as veias de André Fisher e Marcelo Cia que depois reclamam que eu estou falando mal deles (talvez saber disso foi o que me deixou bem puto e com vontade de escrever esse post). Agora queridinhas, vocês podem reclamar com certeza, mas não serei apenas eu que estarei falando mal de vocês, seus júniors…
E é como eu disse: “não é porque é bicha que se livra das questões éticas” e não adianta tentar melhorar uma sociedade, deixa-la mais tolerante, como me parece ser o papel de missionária das duas se nem um simples gesto de coragem e hombridade eles conseguem ter e vir me falar: “Vitor, não queremos mais os seus textos”. Faltou culhão…
E é por isso que eu não escrevo mais naquela revista. E acredito que não sou eu que estou saindo perdendo nessa.Tá explicado?!












