Arquivo do mês: abril 2008

BAFO: POR QUE EU NÃO ESCREVO MAIS NA REVISTA JÚNIOR?

Chegou a hora mesmo…

 

Algumas pessoas sempre me perguntam se eu não vou mais colaborar na revista Júnior, porque meu texto não estava lá e pra quem sabia que eu tinha sido convidado como colunista, o que teria acontecido. Em geral, eu sempre desconversava. Os únicos que sabiam o que tinha de fato acontecido era Fábio Motta e Mário Mendes, este último crítico costumaz da revista e apesar de ser meu amigo e ainda admirar muito seus textos e idéias eu escrevi que não concordava com o tom de sua crítica bem arrasa quarteirão em relação à revista.

Pois bem, o que aconteceu afinal?

Logo depois do primeiro número e o sucesso da matéria do “Carão” (esse “sucesso” não foi dito por mim e sim por eles da revista) fui convidado pessoalmente por André Fisher e Marcelo Cia para ser colunista/colaborador da revista.

Mesmo contemporizando as críticas tanto de Mário em seu blog como de Nucool, achei que a revista poderia abarcar uma diversidade. O fato de me chamarem para estar com eles acredito que sinalizava isso, pois estou bem longe do estereótipo da bicha fina e essa gama do arco-íris prometia.

Escrevo um segundo artigo sobre a bicha pão com ovo e parece que tudo está indo bem, até que recebo um telefonema de Nina Lemos. Ela, irritadíssima, conta que em um jantar com André Fisher, ele tinha negado a participação dela na revista por ser hétero. Fiquei indignado e durante um tempo fiquei pensando se deveria ou não sair da revista afinal aquilo depunha contra o que eu acredito que seja uma sociedade intolerante e que expus na minha entrevista para o Fora de Moda.

Claro que fazemos e trabalhamos para inúmeros lugares que estão distante de nossas ideologias, estou longe de bancar o herói romântico e nem estou um pouco a fim de passar fome em nome de uma causa, sou bem humano nesse quesito.  Mas não era esse o caso. De qualquer maneira precisava falar pessoalmente com o editor Marcelo Cia, se essa era a ideologia da revista, etc.

E-mails foram mandados. Fiquei um pouco irritado com o descaso já que escrevia dizendo que era um assunto sério e que precisa falar com urgência.

Um dia defendendo a revista escrevi no blog do Mário que mesmo achando que a revista precisa de ajustes, continuava a ver coisas positivas, mesmo que talvez eu não continuasse lá pois não gostei nada da atitude que eles fizeram com a “nossa  amiga”.

Mesmo assim telefonei pra Marcelo e mandei e-mail sem retornos. Para o meu espanto ou coincidência eles ligam pra Nina e falaram que estavam arrependidos e a convidaram para escrever na revista como colaboradora.

Para mim, nenhuma satisfação e acredito que merecia pois me chamaram, não fui eu que me ofereci para colaborar na revista.

Como no caso escabroso de Patrícia Carta que dispensou Erika Palomino sem a informa-la da revista Vogue essa mesma falta de ética percorre as veias de André Fisher e Marcelo Cia que depois reclamam que eu estou falando mal deles (talvez saber disso foi o que me deixou bem puto e com vontade de escrever esse post). Agora queridinhas, vocês podem reclamar com certeza, mas não serei apenas eu que estarei falando mal de vocês, seus júniors…

E é como eu disse: “não é porque é bicha que se livra das questões éticas” e não adianta tentar melhorar uma sociedade, deixa-la mais tolerante, como me parece ser o papel de missionária das duas se nem um simples gesto de coragem e hombridade eles conseguem ter e vir me falar: “Vitor, não queremos mais os seus textos”. Faltou culhão…

E é por isso que eu não escrevo mais naquela revista. E acredito que não sou eu que estou saindo perdendo nessa.Tá explicado?!

 

VITOR ANGELO NO FORA DE MODA

A Oliveros fez uma entrevista tipo páginas amarelas comigo lá no blog dela, o Fora de Moda. É uma entrevista bafo e bem gorda como eu. Passa lá

DUS*****INFERNUS COLABORA NO GREEN PROJECT

Todos os meus amigos sabem como gosto de destilados: vodka, whisky, saquê…
Claro que foi com muito prazer que aceitei o convite de colaborar no Green Project, o site da Passport sobre comportamento, arte, cinema, música, moda, etc, etc.

Meu primeiro texto já está lá e é sobre os boteckers. Não sabe quem são eles?  Então é só clicar aqui.

 

ELA NÃO VAI PRA LONDRES E ELE NÃO VAI FICAR NA ZAPPING

Antes de mais nada, quero agradecer a Maria Prata e a Mercedes da Namídia por me alertarem que Gisele Najjar não iria pra Londres e que o e-mail era da Priscila Passareli. Mas a notícia estava assim na fonte que citei, o site do São Paulo Fashion Week. E agora procurando a notícia lá, cadê? Sumiu…

Isso quer dizer que é uma fonte pouco confiável.

Não acho correto apagar, o erro está feito, do site SPFW de não checar o remetente do e-mail, e minha de eleger uma fonte errada.

De qualquer forma, serviu pra mostrar meu real apreço por Gisele.

 

Agora esse e-mail eu mesmo recebi do próprio, então não tem erro:

Venho através dessa comunicar a todos o meu desligamento definitivo da marca Zapping e do grupo I’M, a partir de hoje, 07 de Abril de 2008. Apesar de ter me apaixonado pelo projeto original da marca, e ter me dedicado muito para que tudo desse certo, contando com o apoio de pessoas especialíssimas do mundo inteiro, os caminhos e a relação com a empresa mudaram, e a minha assinatura não cabe mais dentro do projeto novo, nem a minha permanência como membro da empresa.
Agradeço a todos que colaboraram para o sucesso da marca.
Abraços,

Maurício Ianês

Pra mim foi como um coito interrompido. Maurício, Marcia, Fred e toda a equipe mostravam inovações já nos primeiros movimentos de um possível ressurgimento da marca. Acredito que perdemos a oportunidade de ver Maurício regendo uma de suas mais altas criações em moda. Claro que oportunidades não lhe faltaram, mas estava tão na cara do gol. Só tenho a lamentar.

 

PENSAMENTO FRACO DE DOMINGO

(para todos do Lov.e)

 

Ceccato essa Flavinha, vou avisá-la que é a última vez que eu piso nesse clube!

ESSA RESOLVEU PARTIR PRA LONDRES

 

No selvagem mundo das assessorias de imprensa de moda são raríssimas as assessoras que a gente realmente adora e sorri de verdade, e pergunta tudo bem com interesse. É o caso da Gisele Najjar, uma das mais queridas assessoras do meio. E podem perguntar pra quem quiser se ela é ou não é uma pessoa real e seu interesse não está limitado apenas ás marcas que representa tanto que resolveu, depois de 11 anos de assessoria na SPFW, investir em novos caminhos.

Ela enviou o seguinte e-mail para o site do SPFW:

 

“Olá! Tudo bem?

 

Comunico que no final de abril parto para Londres, para uma temporada de um ano de cursos e especializações. Minha parceria aqui na gisele najjar Press & Co* continuará, agora como freelancer e atuando como Cool Hunter da empresa. Portanto, a partir da próxima segunda-feira, não estarei mais à frente do atendimento das contas contém1g, Cavage, Fazendo Onda e Puramania.  A coordenadora Priscila Campos e a diretora Gisele Najjar estarão à disposição de vocês e, em breve,  receberão um e-mail informando o profissional  que assumirá as contas. Agradeço a parceria, todo apoio e carinho de vocês durante o tempo que estive aqui.”

Vai fazer falta não vê-la nos salvando da muvuca da entrada dos desfiles.

 

 

AILTON PIMENTAL FOI SE ENCONTRAR COM DIANA VREELAND

 

 

 

Nessa quinta, dia 03 de abril, o jornalista e editor de moda Ailton Pimentel resolveu se encontrar com a Diana Vreeland e a Coco Chanel e nem confiança.

Vamos sentir saudades dele.

Lembro que quando entrei no mundo da moda, ele efetivamente foi uma pessoa que me recebeu de abraços abertos e sorriso largo e fez os dias passarem  mais felizes durante a minha primeira e torturante semana de moda.

Tenho que confessar que foi inesperado ver as pessoas da moda sempre consideradas tão fúteis, frias e cheias de intriguinhas se sensibilizarem muito com a sua morte.

Joue de vivre, ele vivia repetindo pra mim e com certeza ele soube viver.

Um beijo, Ailton! Vai deixar saudades!

POR UMA CRÍTICA DE MODA

O mundo da moda reclama muito da falta de uma verdadeira crítica de moda ou de um esforço de um pensamento crítico no Brasil. Tendo a pensar que algumas editoras e editores de moda se esforçam nessa construção, mas muitas vezes são impedidos de realizar algo mais profundo por culpa de diversos mecanismos.

Um deles é que os meios que representam (revistas e jornais) têm parte de sua receita vinda da publicidade de inúmeras das possíveis marcas criticadas. Outro ponto que também é um agravante faz parte de uma certa diplomacia que os editores fazem com assessorias e estilistas para a entrada nos desfiles, pois diferentemente das pessoas de fora da moda, sabemos da importância não só de assistir a coleção de uma marca como estar bem posicionada para poder perceber detalhes que podem construir uma certa visão. Essa diplomacia acaba sendo crucial para o acesso ao backstage, outro lugar importante para compreender uma coleção.

Acho engraçado que todo mundo acha compreensível se um crítico de música reclama do áudio de um show ou mesmo da visibilidade da performance do artista caso ele fique sentado em frente a uma pilastra, mas com a moda, parece frescura querermos estar na sala de desfile ou mesmo em um lugar que informações igualmente importantes como acessórios e make up (esse cada vez mais relevante) não possam ser percebidos. Mas isso será assunto para outro post.

Voltando ao povo da moda, crítica não significa falar mal. Não considero Regina Guerreiro uma pessoa que pensa moda porque fala ”mal” dos desfiles, mas sim porque tem um pensamento e uma visão de moda e é fiel a ele. Tão fiel que é capaz de cometer um grave delito para os fashionistas: criticar negativamente uma coleção em público (algo que sabemos é muito praticado a boca miúda). Talvez aí resida sua superioridade e a atenção que os fashionistas, e não só eles, têm para com a editora. Falo isso porque acredito que hoje, nesse momento, os sites e mais ainda os blogs seriam os lugares ideais para se fomentar um pensamento de moda, ou vários. 

Do mundinho

Um outro problema é que todos na moda se conhecem ou sabem mais ou menos que são ou ouviram falar, etc,etc. O primeiro passo é entender que os laços de amizade não devem ser escondidos, mas sim amenizados principalmente se for uma crítica em choque com o que foi visto na passarela ou no editorial.

Existe um paradoxo, os estilistas e criadores de moda sempre reclamam dessa falta de crítica, mas entram em pequenas rusgas com os editores e jornalistas quando a crítica não os favorece. E isso é generalizado, já vi estilista com carreira consolidada chateado (no sentido infantilóide) com a crítica negativa de uma editora. Ao que me parece vivemos um momento que ainda eles enxergam a crítica e os editores como aduladores de seus egos. Isso não é bom nem pra moda nem pra um pensamento crítico.

Exemplifico com algo que está causando polêmica aqui no meu blog: A nova campanha de Giselle Nasser.

Antes de qualquer coisa, adoro muito a Giselle e amei sua coleção e sobre os fotógrafos, por ignorância minha, assumo que não conheço o trabalho da dupla, por isso nenhum pré-julgamento.

Nota: No futuro, com uma crítica mais acentuada e consolidada, não precisaremos mais dos parágrafos acima, pois entenderão, principalmente os leitores, que a questão não é pessoal.

Quando disse que não gostei da campanha e que acredito que erraram no conceito da coleção, foi baseado na minha primeira crítica ao desfile de Giselle, que, aliás, coloquei o link. Lá estava a base do meu pensamento sobre a coleção ao qual não está muito distante do que a própria estilista pensava pois conversamos depois sobre o que escrevi.

Mas o que pra mim não fez sentido: 

1) A experiência religiosa ou o xamanismo visto como iluminação: o que pra mim não caberia fotos tão escuras, mesmo no que barrocamente está iluminado. Penso que talvez se o iluminado estivesse estourado como a luz do transe faria mais sentido pra mim. Era uma coleção iluminada, de cores, era felicidade, a felicidade do absoluto.

2) Não rolou o foco privilegiando o rosto da menina em detrimento à roupa ou estampas que eram de uma psicodelia formal muito rica, ou os debruns como limites. O rosto dela, apesar de bela, me diz muito pouco sobre a imagem da coleção.

3) O esforço de Giselle de mudar sua imagem de estilista correta dos vestidos de festa para algo mais livre e solto como ocorreu no desfile com a sua própria participação, não corresponde aos enquadramentos extremamente corretos, quase caretas de tão acertados formalmente. Uma anarquia formal e de enquadramento aqui seria inesperada e benvinda. 

Não acho incorreto o escuro, a foto privilegiar mais a atitude do que a roupa, fazer enquadramentos que chamei de caretas e corretos, (mas não no sentido pejorativo, por favor), mas acho que vão na contra mão da coleção da estilista. Por isso me desagradou. 

Por outro lado, alguns fashionistas como o Romeu e a Fernanda Resende enxergaram a coleção muito pela imagem da vocalista da banda Bat for Lashes, Natasha Khan. E para eles também não rolou. 

As defesas da campanha me pareceram mais emocionais e com o traquejo do desafio tecnológico tipo na internet, a definição, o papel…Tudo vai melhorar. Mas afinal pergunto para os que gostaram da campanha e para os que discordam de minha visão, o que a campanha tem em relação a coleção e a imagem criada na passarela? Ou isso não tem importância nenhuma, são coisas diferentes? 

O debate é sempre bom para críticos e criadores.  

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Alexandre, que eu considero grande, fez uma das campanhas mais feias que eu já presenciei e um dia eu explico o porquê.

POR UMA MODA FALADA…

E escrita.

Um evento interessante:

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O BRASIL NÃO REALIZA MAIS CÓPIAS EM NENHUMA ÁREA CULTURAL

1º de abril!!!!!!!!!!!!!!!!!