AS EDITORAS E JORNALISTAS DE MODA

 

A Oficina de Estilo fez na semana passada um texto convidando eu, Oliveros, Maria Prata, Luigi e Sylvain para explicarmos qual a importância de ler as editoras  e as jornalistas de moda.

O texto super bem editado falou dessas personalidades que tanto fascinam o mundo da moda lá e aqui na terrinha.

Só o que escrevi daria um post “em si”, por isso abaixo tem tudo o que escrevi sobre elas, as amadas diabas:

 

 

BRASIL

 

O pensamento crítico de moda no Brasil é muito recente. Pensar que deve ter menos de 40 anos que começou a se pensar moda no país e nem era de forma sistemática podemos então visualizar todo um terreno a ser explorado.

A formação de uma corrente crítica de moda passa por diversos problemas: o papel de periferia de idéias que o país ainda se reconhece, o colonialismo cultural, a produção muito recente de semanas de moda etc etc.

Mesmo assim temos desbravadores:

 

Regina Guerreiro – Atualmente escrevendo na Caras Moda, seu destaque é óbvio pois desperta o interesse de em um mundo cheio de festas de medalhas como o da moda brasileira, ela põe o dedo na ferida e fala que não ta nada bom. Apesar de todos saberem, ela é quase única nesse papel de desafiar o coro dos contentes publicamente. Sem medo dos bafos e com muita coragem, já que no mundo fashion os trabalhos são sempre embrenhados com as marcas, ela se livra de certa maneira dessa promiscuidade com um alto teor de humor, não é não, queridinha?

 

Costanza Pascolato – Eu ainda não entendi como não teve nenhum editor ou editora de livros que não pegou os textos únicos que ela escreve na Vogue Brasil e os copilou para um livro de moda. Ali tem muito pensamento de moda e como já escrevi sobre a importância de ler Costanza acredito que “sempre as entrelinhas de seus textos são espaços imensos de reflexão”. 

 

Fernando de Barros – ele não escreve mais na Playboy pois já faleceu, mas desde que abandonou o cinema e invadiu a moda, não deixou de investigar e educar sobre a moda masculina. Então vale pesquisa de seus textos em revistas antigas. Outro que deveria ter seus textos copilados em livro.

 

Com a semana de moda em são Paulo e depois no Rio a crítica começou a crescer.

 

Lílian Pacce – Como já falei em entrevista para o Fora de Moda, ela é minha mestra, então acompanho o trabalho dela bem de perto. Já colaborei em seus cadernos especiais para O Estado. Tem um texto impagável sobre a roupa que Lula e que FHC usaram na visita a Rainha da Inglaterra.mas foi com “Pelo Mundo da Moda – Criadores, Grifes e Modelos” que existe ali uma primeira sistematização de uma editora de moda perceber seu pensamento.

 

Alcino Leite – Intelectual, culto, bem humorado, zeloso e respeitoso em relação ao passado de moda do país, Alcino é sem dúvida leitura obrigatória todas as sextas na Ilustrada, caderno da Folha de São Paulo. Seu último editorial na Revista de Moda do jornal dizia: “Abaixem os preços, democratizem a cultura de moda e parem, então, de reclamar que os brasileiros se vestem tão mal!”, Com certeza, um manifesto da maior importância hoje, sem falar de um que ele defendia as modelos as chamando de operárias do mundo da moda e terminava assim, bem marxista: “Modelos de todo o mundo, uni-vos”. Genial!

Carol Vasone – Um texto independente, explicativo, cheio de idéias, adoro acompanhar o que escreve durante a temporada internacional no site da Uol. Sua rapidez e concisão faz dela uma das principais jornalistas online do país.

 

Alexandra Farah – Outra da internet, tgexto delícia, diversão garantida e informação de moda.

 

Lula Rodrigues – Moda masculina é com ele e o Sylvain, é claro.

 

Apesar de ser no Rio e não ter pouco acesso aos textos,  respeito muito a escrita de Iesa Rodrigues e de Gilda Chatagnier.

 

 

INTERNACIONAL

 

Amo muito Suzy Menkes, principalmente pelo acesso à informação privilegiada e como ela abre o leque com essas informações em seus textos sempre tão bem escritos (fora o topete e o fato de ser obesa, quase um crime no mundo da moda).

 

Ultimamente a jornalista que tenho considerado mais interessante é sem dúvida Cathy Horyn do New York Times, onde exerce aquilo que considero crítica de moda desde 1998. É ainda mais interessante o seu blog, o On the Runway. Numa mesa de fashionistas bacanas, quase boteckers, o fotógrafo Marcelo Gomes levantou a qualidade dela de surpreender e sair do óbvio e da reverência sem criticismo do mundo da moda, como por exemplo: ela teve a coragem de perguntar qual a relevância de Rei Kawakubo hoje, quase uma ofensa aos adeptos do japonismo. Essa liberdade faz com que pague um preço, como ser banida de alguns desfiles como o de Giorgio Armani, mas ao mesmo tempo a faz conseguir cada dia mais leitores, pois sabemos que ali tem um pensamento crítico e sólido. E o mais bacana, sem medo de ficar no lugar comum.

 

 

 

 

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6 Respostas para “AS EDITORAS E JORNALISTAS DE MODA

  1. Vitor,adorei seu post,tanto qto. os das meninas do Oficina. Acho que editores e jornalistas da área,no mínimo merecem nosso respeito afinal, parte deles muita informação bacana da industria da moda que só eles – por atuarem profissionalmente na area – conseguem ter. Ja escreví também sobre isso no meu blog,alias,fui fazer uma busca com “editoras de moda” e ví que já escreví uns 20 posts ou mais sobre o assunto. E nunca canso. Já escrevi sobre Costanza,Iesa,Erika,Lilian,Ale Farah e claro, minha deusa-fashion, a Regina.A Maria Prata eu também acho que tem se destacado muito com textos inteligentes .Mas tem aquele ” je ne sais quai” que só o tempo da às pessoas. E ela,a seu tempo tera o seu. Também já falei de um nome que pouca gente comenta, a Natalia d’Ornellas que escreve para a L’Officiel. Texto preciso,informações sem lenga-lenga e o melhor,não demonstra se inpirar em ninguém – o minimo que se espera de alguem que fez uma faculdade de jornalismo e se propos a trabalhar na area. Tinha uma jornalista que eu amava. Seu texto era incrível…a Leda Gorgone que era editora da ELLE no comecinho da revista…vc conhece ? Outro dia ví um texto dela na revista da Joyce,acho que de NY.
    Abração, Vitor.

  2. olha, eu to feliz da vida que vc postou tudo aqui. que é incrível mesmo tudo que você observou. e ainda rendia mais, né?

  3. apesar de Suzy Menkes estar no meu post sobre o Marrocos entrevistando Pierre Berg, não entendo nada de moda, penso até em entrar no Sigbol, pra gente poder falar a mesma linguagem. Gostaria de saber, por que Erika Palomino não entrou na lista editoras e as jornalistas de moda acima?
    ;0)

  4. Passando para dizer que acho os textos da Costanza na Vogue são essenciais para quem quer expandir sua visão de moda e deixar registrado o meu carinho pela Iesa Rodrigues… a coluna dela na Revista Domingo e a sua trajetória nesta revista são simplesmente inspiradores para mim! =*

  5. vitor, e eu sou sua leitora. bj

  6. Não entendo como estas pessoas são consideradas jornalistas/criticas de moda.Fala sério diria para todas….Se a Moda Brasileira consideramos *engatinhando* nas passarelas,o jornalismo de Moda no Brasil ainda não aconteceu.Debochar,viajar nos textos,dar gritinhos e colocar imensos óculos escuros não faz estes profissionais conhecedores da Moda.Bem informados sim.Cultos não.Críticos não são.Necessários talvez,para grupos que precisam existir e precisam q se comente seus feitos e efeitos….

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