Com toda a discussão que começou em artigo da Folha, que passou por uma carta de Olívia Hanssen e reaqueceu os ânimos em artigos do Oliveros e da Oficina de Estilo essa semana no Blogview, sem falar nos textos recentes da Biti Averbach, da Maria Prata e do Sylvain Justum em seus respectivos blogs, resolvi visitar então dois sites/blogs que são fontes de referência e inspiração para muitos que discutem moda de rua: o The Sartorialist e o Face Hunter.
Tudo começou com uma certa intuição de que o que eles fazem está longe de ser moda de rua. E não estava errado.A culpa foi ver de perto a ação do Yvan Rodic, a figura misto de Salsicha do Scooby-Doo com nerd dus infernus e o responsável pelo olhar do Face Hunter, em sua passagem por São Paulo em alguma temporada atrás.
Ele simplesmente se encastelou na Bienal onde acontece o São Paulo Fashion Week e quando muito foi à festa de Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo no Glória. Oras, que moda de rua ele fotografou? Uma muito mais fake do que aqueles que consideram que olhamos muito para o mundinho dos Jardins pensando em streetwear. Ele se restringiu ao mundo fácil dos informados de moda da cidade. Nem sequer se deu ao trabalho de fotografar as pessoas que freqüentam o parque ou o entorno do Glória. E não duvido que em outros lugares que não conhecemos, ele também não vá a pontos fashionistas e siga a mesma receita fácil e preguiçosa.
senhor Rodic fotografa seu “mundinhoinho”
Enquanto senhor Rodic tem em seu site entre 50% a 60% de looks que se concentram no chamado “mundinhoinho”, o senhor Scott, tão festejado pelo seu blog Sartorialist tem em quase 70% de seus posts voltados para portas e salas de desfiles, figuras conhecidas do mundo fashion e lugares “trendosos” como o Meatpacking em Nova York. Raramente surge um ar “exotic” e temos a fotografia de um barbeiro.
Afinal que moda de rua é essa que se tirarmos o verniz fashion é uma releitura dos fashionistas ao que acontece nas passarelas?
No fundo, os looks tanto de Face Hnuter e The Sartorialist são conservadores (sobre isso basta olhar os looks masculinos do Sartorialist e suas variações do terno), previsíveis na medida fashion e facilmente assimiláveis para quem lida com a linguagem de moda. Daí seu tamanho sucesso e deslumbre por parte dos fashionistas. Finalmente eles pensam entender as ruas e a famigerada moda saída delas, mas não passa de poeira para os olhos e para a moda de rua.
senhor Scott e seu conservadorismo travestido de streetwear
A moda de rua surge nos movimentos de contestação jovens dos anos 60, ela está livre do programa dos designers e influencia a moda de passarela e não vice-versa.
François Boudot escreve: “ ‘A idéia da minissaia não é minha, nem de Courrèges’, diz Mary Quant. ‘Foi a rua que a inventou’. Em Londres, as Chelsea Girls de saias curtas, com ares de colegiais endiabradas, não obedecem a nenhuma palavra de ordem”.
É isso, a moda de rua é contestadora, inspiradora e fresca por não ser normativa. Não precisa ter o look rebelião, mas simplesmente não seguir tendências da passarela. Claro quie isso cria o paradoxo de seguir tendência sim: mas outra, mais livre, mais individual. Alargando aquilo que Lipovtsky afirma como uma grande contribuição da moda: a construção do indivíduo.



20 respostas Até agora ↓
Sylvain // Julho 11, 2007 às 11:34 am |
Sensacional!! Por isso que eu digo: “Don´t believe the hype!”. Trabalho fácil e preguiçoso o dos nosso amigos, não? Ou então não chame de streetstyle. Aquilo TAMBÉM pode ser moda de rua, mas tem muito mais por aí. Acho que mesmo eu, que não acredito que as coisas mais banais podem ser chamadas de moda de rua, conseguiria achar algo mais divertido e menos conservador ali na Praia do Flamengo.
Biti Averbach // Julho 11, 2007 às 11:54 am |
ARRASOU VITOR! Vc respondeu MUITO BEM a pergunta que eu levantei no post/bafo do Oliveros: o que é moda de rua, afinal? A essência é essa! O próprio Lipovetsky não teria definido melhor.
Estou disposta, como já disse lá nos tais comentários, a ir conferir e fotografar as ruas de verdadde, com olhar atento e isento (ao menos na intenção). Vamos ver se dá certo…
Maria // Julho 11, 2007 às 11:55 am |
Pessoal, lembrem-se sempre da máxima: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”! Acho mto válido tanto o face hunter como o sartorialist. até porque aquilo é o olhar deles sobre o mundinho, e não o mundinho inteiro. Eles fazem exatamente o que se propõe a fazer. O que acho errado é dizermos que não tem moda de rua brasileira… Bem errado…
Eleonora M. Trench // Julho 11, 2007 às 11:55 am |
Olá! Sou a Nora, do blog Vista, sim! – moda de rua – sim, por favor! Li e concordei com a matéria “Que moda de rua é essa?” e espero que o Vista se torne a exceção neste quesito, hehe! Pretendo publicar pessoas estilosas e sei que isto não tem, necessariamente, nada a ver com moda. Espero sua visita, seus comentários, sugestões, reclamações, enfim, tudo o que possa favorecer a todos. Bjs e até já!
Biti Averbach // Julho 11, 2007 às 12:06 pm |
Momento desabafo: prciso dizer que fiquei CHOCADA com a babação de ovo em cima do Face Hunter, qdo ele esteve em SP. Qualquer um faz aquilo que ele faz! E tem gente que já fez aqui, inclusive, tempos atrás. Só que era em versão impressa.
Luigi // Julho 11, 2007 às 12:06 pm |
Incrível!!!
dusinfernus // Julho 11, 2007 às 1:50 pm |
Maria, foi exatamente olhando blogs como o The Sartorialist ou o Face Hunter que chegou-se à conclusão para alguns que a moda de rua no Brasil não existe. O que não existe é a moda de rua desses blogs de streetstyle. É falso, é enganoso e adulador! Eles se propõem a olhar a rua, mas uma rua de recorte muito restrito, de um povo com muita informação de moda, em sua maioria fashionistas e uma rua que relê a passarela e isso está lonfge do conceito primeiro de moda de rua. è importante olhar eles como o que realmente são: mistificadores fashion, aquilo não existe em nenhuma rua do mundo, aquilo existe no imaginário dos fashionistas de uma rua ideal, o que é uma atitude extremamente conservadora!
Cris // Julho 11, 2007 às 3:22 pm |
Gente, eu concordo com a Maria… eles foram buscar o que mais encantava o olhar deles. Na época em que começaram não tinham a menor intenção de dizer o que é moda de rua. Só começaram a fotografar por prazer e publicar em seus blogs. A proporção que isso tomou foge deles. Durante a edição do SPFW que o Yvan visitou ele fez uma palestra super interessante e explicou como começou… nem ele entendia o sucesso de seu blog!!! Ele foi chamado pela Motorola pra fotografar a Bienal e fez. O problema é a gente querer fazer blog de streetstyle tentando usar o olhar dele ou do Scott. Cada um que ache o seu, não!?!
As nozes da moda « Fora de Moda // Julho 11, 2007 às 4:05 pm |
[...] Dus*****Infernus: “É isso, a moda de rua é contestadora, inspiradora e fresca por não ser normativa. Não precisa ter o look rebelião, mas simplesmente não seguir tendências da passarela. Claro quie isso cria o paradoxo de seguir tendência sim: mas outra, mais livre, mais individual. Alargando aquilo que Lipovtsky afirma como uma grande contribuição da moda: a construção do indivíduo”. [...]
Maria Prata // Julho 11, 2007 às 4:20 pm |
Vitor querido, entendo seu ponto. Mas ainda insisto nisso que a Cris falou. Eles se propõe a falar da moda de rua fashion, mesmo, que faz todo o sentido lá fora (até porque, vamos combinar, é um strteet style meio globalizado…). Ai meudeuducéu… essa discussão não tem fim! Hahahah…. eu quero sentar num street buteco e conversar sobre street style tomando cerveja!!!!!!
forademoda // Julho 11, 2007 às 4:55 pm |
Eu vou levantar outra bola nesta discussão, alguém parou para pensar o que significa o termo “moda”? Ele surge da matémática (modal), e é o evento mais frequente em determinado universo ou conjunto. A moda não é necessariamente única, ao contrário da média ou da mediana. É especialmente útil quando os valores ou observações não são numéricos, uma vez que a média e a mediana podem não ser bem definidas. Por exemplo, a moda de {maçã, maçã, banana, laranja, laranja, laranja, pêssego} é laranja.
E estilo? É o modo de expressar-se de um grupo ou de um período histórico. Elementos constantes ou semelhantes da produção artística de um povo num determinado período.
Por mais que as pessoas possuam a capacidade de interpretação sobre os dados da moda e do estilo, o universo a que elas tem fruição sobre eles, é restrito, não é tão ilimitado como as pessoas imaginam. Mas isso é uma outra discussão.
De qualquer forma, o Collin MacDowell quando esteve no Brasil, falou algo muito importante: “Vale lembrar que a moda atinge poucas pessoas. Milhões no mundo não se vestem para impressionar ninguém, outros tantos sobrevivem com um par de roupas. Moda é status e você deve saber avaliar isto”.
Antes de Paris // Julho 11, 2007 às 5:06 pm |
Deveria ser “Street? Where?”
Oficina de Estilo // Julho 11, 2007 às 5:31 pm |
vixe!
Maria Prata // Julho 11, 2007 às 8:36 pm |
Recomendo:
http://hypercool.wordpress.com/2007/07/11/e-tudo-uma-questao-de-allure/#comment-39
Queremos allure!!
Sylvain // Julho 12, 2007 às 12:01 pm |
Vitão, eu concordo com vc sobre o Sartorialist e o Face Hunter. Acho que aquilo TAMBÉM é streetstyle, mas não só. O hype foi criado em torno deles e eles embarcaram, claro. Acho que se a proposta deles é aquela, ok. Mas que não seja sinônimo de moda de rua unicamente. E claro que não se tem que seguir tendência nenhuma para fazer moda de rua, aliás, longe disso….A foto do velhinho que postei é streetstyle total, mas só pq ele tem a tal da “allure”, que faz toda a diferença, sacou? Bjo grande. Vou tentar ir à noite pra falarmos mais.
Nájua Saleh // Outubro 2, 2007 às 5:53 pm |
Eu também fiz um blog. Tinha essa vontade há anos e agora que chegou a hora de fazer o trabalho de conclusão da facul, decidi me divertir com isso. Bom, meu grande erro é que no endereço existe a palavra “street”, porém pude salvá-lo com o título YOU e um subtítulo chamado “a moda de quem tem estilo”. Realmente acho que o Facehunter e o Sartorial fotografam o que querem, mas não vou dizer que estão errados. Como comentei no Blogview, mas ele nem aceitou ainda porque isso foi agora, hehe, moda de rua, que vem da rua é interessante para criadores como fonte de pesquisa e não para pessoas ligadas à moda que se interessam por estilo. Não condeno os blogueiros estrangeiros, fotografam o que é bonito para os interessados naquilo. Eu recém comecei o meu e pelo jeito vai ser mais fashion party do que rua, isso porque pelas bandas onde vivo, juro, por mais interessante que seria, não teria graça, porque gosto de estilo, de novas idéias em pessoas que são criativas, pensando nisso.
Beijos beijos e se me visitarem, comentem!
O meu blog é um bebê ainda.
E parabéns pelo post!!!!!!
MODA, MODA DE RUA E OS UNIFORMES « dus*****infernus // Fevereiro 12, 2009 às 6:54 pm |
[...] editora de moda do Uol, tem me dado oportunidade de fundamentar minhas questões sobre moda de rua. Como já disse e escrevi acho muito fantasioso achar tanto o The Sartorialist como o menino magrela meio sem sal que esqueci [...]
» Blog Archive » Você quer mesmo ser modelo do Scott Schuman? // Maio 20, 2009 às 5:40 pm |
[...] de um post do Dus Infernus chamando atenção para o fato que os blogues de moda de rua como o do Scott acabam sendo muito [...]
Scott Schuman no Cidade Jardim e a espontaneidade | About Fashion // Maio 20, 2009 às 11:13 pm |
[...] Daí que um pouco antes de sair para o evento, o Ricardo Oliveros fez um post meio que abrindo nossos olhos para essa campanha. Basicamente ele alertava para ninguém sair por aí achando que isso seria uma campanha super espontânea que iria retratar uma realidade. Lá ele também levanta umas questões que já haviam sido propostas a tempos pelo Vitor Ângelo lá no Dus Infernus. [...]
andrea muniz // Maio 24, 2009 às 7:33 pm |
Qdo soube que ele fotografaria no Shopping Cidade Jardã já saquei de cara a fraude kkkk!!!Moda de rua no shopping???e shopping de “bacana”???Será que preciso rever meus conceitos de street style ???Que pena…
bjssssssss